domingo, 27 de junho de 2010

A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA - A RESISTÊNCIA


Nas tardes cálidas da Primavera ou do Verão, quando ainda não tínhamos permissão para irmos sozinhos para a praia, repartíamos o tempo entre o ténis e as brincadeiras em casa dos amigos.


Um dos locais predilectos era a casa do Pedro e do Ricardo Ferreira.

Nas traseiras da casa estendia-se encosta acima, num espaço agora ocupado por um estacionamento ao lado do mercado do peixe e pela Rua Leonel Sottomayor, um vasto pomar com uma enorme variedade de árvores de fruto.

Na primeira parte do pomar fora construído um carreiro de cimento, ladeado por pequenos muros que conduzia a uns arrumos e a um poço. Nesta primeira área cresciam sobretudo limoeiros e laranjeiras.

A partir daí as árvores cresciam em campo aberto e aumentava a variedade de árvores: pereiras, macieiras, marmeleiros, figueiras e nespereiras.

Eram longas tardes (e algumas manhãs) bem passadas, imaginando mil aventuras e intercaladas com um lanche que a mãe Letinha nos preparava mas ao qual fazíamos sempre um upgrade. Nas tradicionais vianinhas dos Teixeira com aquela manteiga da Ucal comprada em frente do Montepio, juntávamos à socapa açúcar e canela em doses cavalares! Por outro lado a abundância de fruta ao nosso alcance ia-nos alimentando por todo o dia esquecendo-nos das horas das refeições.

Para mim as tardes aí passadas eram um duplo divertimento. Estávamos no segundo ano do ciclo e a minha namoradinha de então era uma menina linda, alva, com um rosto a fazer lembrar as actrizes do cinema mudo. A sua graça era Madalena.

A menina vivia com os avós que eram conservadores e muito rígidos quanto a costumes. Assim a garota mal saía da Escola Comercial tinha que se dirigir directamente a casa que ficava no Beco vizinho ao pomar dos Ferreira.

Eu então trepava pelos muros e pelos telhados e conseguia vê-la pela janela que dava para um pequeno pátio interior. Mas o temor da donzela era tanto que apenas me acenava e sorria nunca ousando abrir a janela para me falar. Nem um namoro à anos 50 me era permitido!

Numa dessas tardes de Verão, provavelmente a um sábado, provavelmente após termos visto mais um episódio dos Pequenos Vagabundos, o Kiko lembrou-se que poderíamos criar um clube semelhante aos pequenos vagabundos. Com a sua organização habitual (era ele que criara os jogos olímpicos do casino – só com modalidades que dominava! - e registava os resultados) lavrou os estatutos do clube num caderno de folhas pautadas.

Proibido miúdas!

Era praticamente o único articulado do estatuto do clube. Uma coisa muito revista do Bolinha!

Decidimos então estabelecer o nosso quartel-general e o local escolhido foi no alto de uma nespereira com um aspecto sólido.

Na altura seria eu, o Pedro e o Ricardo Ferreira, o Kiko, o João Gancho, e o Quim Franco. Mais tarde outros se juntaram.

O Pedro que era muito talentoso com os trabalhos oficinais, construiu uma plataforma a meia altura da árvore num ponto de divergência dos ramos e nos dias restantes entretemo-nos a inventar e construir armadilhas para enfrentarmos um inimigo invasor… que nunca veio!

E ainda bem, a quantidade de bancos, pneus, tábuas e outros artefactos que lhe cairiam em cima seria de levá-los ao hospital.

Até armadilhas com cordas dispusemos no chão por forma a que se alguém as pisasse fosse elevado pelos ares e aí ficasse a fazer o pino até que alguém o soltasse!

Logo no primeiro dia, o Kiko lembrou-se que seria necessário estabelecer uma caixa de fundos nomeando o Quim como responsável e o nosso primeiro acto de gestão foi juntar 7$50 (cada um deu 1$50 excepto o Astérix que era muito novo!) para comprar um estojo de primeiros socorros. Podem já imaginar o que antecipávamos!

Mas era necessário dar um nome ao clube e este veio pela lembrança de uma série de televisão que dava na altura, a Resistência.

E o clube foi baptizado de Resistência. O Pedro correu a casa e trouxe um pano do pó laranja no qual pintámos a marcador preto um enorme R. O pano foi hasteado no alto da nespereira e o forte da Resistência foi oficialmente inaugurado.

Durante meses a fio preparámos para enfrentar um inimigo invisível e todos os dias surgiam ideias para novas armadilhas.

Para além do tempo que passávamos na cavaqueira e a ler banda desenhada, o nosso maior hobby era tentar que algum dos outros caísse numa das armadilhas ou, melhor ainda, que levasse com uma delas em cima!

Afinal, tínhamos que dar uso ao estojo de primeiros socorros!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

PROFESSOR COUTINHO E A BANDA DESENHADA


Ontem decidi sair um pouco à noite, apetecia-me espairecer, beber um copo mas... constactei que não há um sitio para se fazer tal a uma à 3ªf à noite em Caldas. Ja nao tenho amigos a quem telefonar (do telefone fixo preto e pesado (depois amarelo e de teclas)) a dizer: “podes telefonar para aqui a pedir à minha mãe para eu poder ir a rua das montras contigo??” Mas lá fui, com uma autonomia sem expressão apesar de conquistada a duras penas!Instalada, olho para a mesa em frente, e vejo o meu eterno professor de "Estudos Sociais" e depois de “ Historia de Protuga”. O SR Prof Coutinho, ilustre mestre de artes marciais que mantem a sua popa à Elvis e a camisa preta de mangas curtas arregaçadas à altura dos bíceps... " Palito de Chacha" (degeneração do original "paleio de Chacha")

De imediato a memoria chegou-me:

Era inverno, aulas chatas nos Pavilhoes pré-fabricados onde fucionava o ciclo naquela altura. O sr prof nao resistia a uma revistinha de banda desenhada da Disney (almaques, tanto melhor), e enqto nós faziamos as fichas dos livros, o amigo prof entretinha-se, mas não deixava de nos vigiar pelo canto olho... resultado?!?? Os afoites na arte do bichanar eram brindados com o apagador de giz no “alto da pinha”... e os menos afortunados experiementavam o temivel carolo.

Numa dessas "acções de represalia" sobre bichanadores e passadores de bilhetinhos, a Elsinha Bispo - bem comportada e direitinha menina - é brindada, com um belo carolo mm em cima daquele altinho que tinha mesmo em cima da cabeça, enfim um quisto. A cena rendeu baba e ranho, uma mão a apaziguar as dores enqto chorando, dizia: ai o meu quisto!

E foi assim que de E. Bispo passou para sempre A E. Quisto

Maldades!!

Onde andará a menina Elsa Bispo que morava com a avó na Rua do Jardim e a quem eu invejava aquela samarra de pêlo verdadeiro (ganhei uma no Natal seguinte eheheheh)

(post da Lena Mendes)


BALADA PARA ANA



Não me recordo já em que momento nos conhecemos mas lembro-me de ti como a minha melhor amiga na primeira classe do Colégio.

Provavelmente conhecemo-nos naquele dia do inicio de Outubro de 1969 quando chegámos ao Colégio para o primeiro dia de aulas.

Recordo-me desse dia como se fosse hoje. Agarrado às saias da minha mãe, pela última vez chorando de medo e a D. Esperança a dizer:

- Então? Um rapazinho dessa idade a chorar?! Nunca vi nada assim! Já são todos uns homenzinhos!

E a levar-me gentilmente para a minha carteira enquanto a minha mãe, escondendo a preocupação, se despedia com um sorriso.

Para trás ficavam os anos do jardim-escola da Misericórdia no Bairro da Ponte, ao lado do terreiro onde às segundas-feiras se realizava a feira semanal, onde vacas e burros eram vendidos com as galinhas, batatas e vergas.

Para trás iria ficar o sorriso acolhedor da Isabel, a ternura da Alicinha e as brincadeiras da Filomena e da Gracinha Jordão.

Começava a Primária!

Lembro-me como desde logo as nossas diabruras no corredor nos levavam ao gabinete do Padre Albino cuja tumefacção proeminente na testa nos assustava inicialmente e divertia depois.

Lembro-me de te atirar caramelos Vaquinha do outro lado do bar passando por cima da D. Luisa.

(Lembras-te que os bares eram separados para os rapazes e raparigas cada um tendo o seu acesso pelo respectivo recreio?)

O famoso bar onde nas tardes de Verão comíamos os célebres gelados feitos com refresco Dawa, Alsa ou Royal em cuvetes e que levavam um palito espetado e onde a D. Luisa nos servia ao almoço os famosos ovos estrelados de codorniz!

Nessa primeira classe ainda conseguimos guardar reminiscências desses tempos. À tarde com a D. Dora, no intervalo grande ou à saída antes de entrarmos no autocarro, enfim , em todos os locais onde nos pudéssemos juntar, rapazes e raparigas, na verdade meninos e meninas ainda, fazíamos uma grande roda e entoávamos as cantigas do jardim-escola. E lá cantávamos o Ai ai ai minha machadinha e o Que linda falua… afinal a nossa infância não podia acabar por decreto!

O ano foi passando e éramos cada vez mais amigos até que me deste noticia que irias voltar para África (S. Tomé? Angola?)

Eu então ganhei talento e coragem, alento e descaramento, e escrevi-te cartas contando o que se passava no colégio enquanto tu permanecias no meio da selva. As minhas primeiras cartas de amor ! Aos sete anos, imagina!

(Depois a Kika Gancho recebeu outras em Lourenço Marques mais tarde! Digo isto porque se não a Kika vai já fazer o respectivo comentário!!!LOL!)

Quando voltaste ao colégio trazias contigo o teu primo Nuno e para casa um enorme pastor alemão militar, o Pilão!

O Nuno estava gravemente doente e entre ambos repartimos a sua protecção e companhia. Que saudades eu tenho do Nuno! Com ele senti pela primeira vez a perda de um amigo!

Nós continuávamos nas nossas maluqueiras, contigo a saltar diariamente as vedações que separavam os dois recreios ou a encontrar-nos em zona neutra, entre as duas vedações junto à porta nobre do ginásio!

Desta vez era o Padre Xico que nos aturava e lá íamos ao seu gabinete enfrentar desta vez o seu sorriso tolerante. E como nós gostávamos do Padre Xico! Lembras-te de nós a fingirmos que éramos muito úteis a ajudá-lo na construção do seu barco nas traseiras do colégio? Naquela garagem ao lado do acesso às caves onde o Sr. Luis criava as codornizes?

Perdeste o famoso Magusto de 1971, onde pela primeira vez bebi à socapa um gole de água-pé, apareço ainda em algumas fotos com um ar muito santinho a pilar uma castanha. Logo depois escrevi-te uma carta a contar as peripécias!

As aulas de ginástica, tu com a D. Rosa e eu com o Prof. Silva Bastos e mais tarde com o Prof. Berjano eram mais um pretexto para nos metermos um com o outro. Lembras-te de nós de sapatilhas brancas e t-shirts brancas com uma faixa no peito com o nosso nome a preto?

Quando não eram nessas aulas, era na sala da D. Esperança que suspirava de resignação, mesmo quando íamos buscar o esqueleto que estava guardado na arrecadação em frente e colocávamo-lo na sala com um chapéu de feltro na cabeça.

Nas aulas da tarde e ainda antes de passarmos para a sala da D. Dora (aquela por baixo do telheiro do recreio dos rapazes, saindo para a rua à direita e cuja porta de vidro foi um dia trespassada pelo Frederico Granja!) fazíamos jogos de aprendizagem no quadro de ardósia, bem pertinho da Mariazinha, a régua alva e grossa (que só experimentei por uma vez porque um dia fui indelicado o suficiente para desafiar a D. Esperança a dar-me umas reguadas para ver se doía!) e nesses jogos desenhávamos a forca com palavras escondidas em tracinhos que determinavam o número de letras, e cada vez que falhávamos as letras desenhávamos um componente do homem enforcado. Lembras-te como eu sempre escrevia palavras que eram mensagens para ti ou tinham a ver com algo entre nós? Um segredo, uma brincadeira?

Depois arriscávamos as aulas de Canto-Coral com o Padre Renato a ver quem desafinava mais até que ele nos mandava para o recreio e nós ficávamos enfim juntos a brincar enquanto decorriam as aulas.

Saíamos do colégio e antes de embarcar no autocarro dos Claras que nos levava de regresso a casa, dizíamos adeus ao Sr. Luis e ao Sr. António que estavam diante da sua pequena casa à entrada, não sem antes irmos dar pão aos peixes que nadavam no pequeno tanque no fim da rua do colégio ( junto ao portão que dava para o recreio dos rapazes) ou nos sentarmos dentro do BMW 700 da D. Anita Nascimento invariavelmente estacionado junto às escadas da saída, à direita de quem desce. Depois entrávamos na camioneta. A D. Clarisse, irmã da Alicinha do meu jardim-escola, à frente, na primeira fila, a D. Dora atrás do condutor e nós… o mais para trás possível!

Repartíamos os tempos de escola e os tempos livres. E no casino, depois de termos comprado uns fios de couro com um símbolo em metal a uns hippies no parque, formámos com o Pedro e a Kikas Gama, o grupo Paz e Amor, fosse lá o que isso fosse!

Depois crescemos e fomos para o ciclo preparatório mas mantivemo-nos juntos. Um dia os teus pais foram jantar lá a casa e decidiram mostrar aos meus uns slides de África e fomos os dois num pulo a tua casa. Eu adorava a tua casa cheia de artefactos africanos! Tu entraste e não abriste a luz pois sabias de cor onde estavam os slides mas o Pilão sentindo o seu domínio ameaçado atirou-se a mim e ferrou-me uma dentada na barriga que me doeu como o caraças (o sacana do cão no dia seguinte já estava a brincar comigo atrás da igreja (onde jogávamos à bola e com ela partíamos os vidros ao pobre do Sr. Manuel) como se nada fosse!

Tínhamos aulas de Moral e Religião com o padre Zé Maria e eu ficava danado quando vocês todas preferiam aproveitar a sua boleia no seu BMW 2002 cor de vinho do que vir comigo a pé para casa.

Estudávamos juntos no meu quarto, tu, eu e a Luisa e os trabalhos de grupo eram sempre feitos a três!

Festejámos os teus aniversários nas casas das Caldas, de S. Martinho e até na quinta dos Vidais! Fomos de férias juntos para o Algarve, para a praia da Foz e de S. Martinho e até a S. Pedro de Moel. Ia contigo aos torneios da Marinha Grande, Lisboa, Torres Novas e Coimbra.

Mil e uma viagens, aventuras e festas de garagem, de sótão, de salas!

Até a Profissão de Fé fizemos juntos. Eu, tu e a Luisa! E que pândegas foram aquelas aulas de preparação e como se divertiram os nossos amigos a ver-nos naquelas vestes à saída da cerimónia!

(Que penteado e que roupas, meu Deus! Golas altas e bocas de sinos; os anos setenta foram mesmo o cúmulo do mau gosto!)

Temos fotos a acompanhar o desenrolar das nossas vidas, até uma que nos mostra vestidos de hippies no corso carnavalesco e que anda algures por aqui neste espaço, ficou para a posteridade!

Todas as noites aparecia em tua casa e era recebido com a voz da Rosinda na cozinha:

- Pronto, chegou o salta-pocinhas!

E ficávamos longas horas a jogar cames!

Mais tarde, já no liceu, acompanhei ao vivo e a cores a tua belíssima carreira na ginástica e na natação no clube Os Calimeros de que o teu pai foi um dos grandes impulsionadores.

Nas longas noites de inverno ficávamos nós com o Pedro e a Cláudia, com a vigilância eventual da Clarissa, a jogar ao ‘’Verdade ou Consequência’’ e a conversar nas escadas do teu prédio, até serem horas de irmos para casa.

Quando tive o acidente a jogar volei no liceu e tive de permanecer imobilizado na cama por uns tempos e foste tu que me acompanhaste em todos os teus tempos livres, fazendo-me companhia horas a fio! Uma vez amiga, sempre amiga!

Logo algum tempo depois começaste a namorar o Duarte numa relação que deu num lindo casamento até hoje, provavelmente o mais longo da nossa geração! Logo depois nasceu a bela Inês que sempre me faz ver uma versão actualizada de ti!

Nessa altura começaste a ir por mais tempo para o Baleal e eu comecei a idade dos namoros e fui para Lisboa estudar e mais tarde trabalhar para Coimbra de onde voltei praticamente casado. O normal rumo da vida encarregou-se de nos separar e já só espaçadamente nos cruzamos.

A minha vida começou a repartir-se entre Caldas e Lisboa e os filhos vieram enriquecer a minha vida familiar e tomar o meu tempo livre.

Hoje já tens também mais dois filhos e até uma neta mas continuas a Ana que eu conheci há 41 anos. Também a nossa amizade continua a mesma!

Citando Vinicius de Moraes num poema que já aqui postei:

Mesmo que as pessoas mudem
e suas vidas se reorganizem,
os amigos devem ser amigos para sempre,
mesmo que não tenham nada em comum,
somente compartilhar as mesmas recordações.

Pois boas lembranças,
são marcantes
e o que é marcante nunca se esquece!

Uma grande amizade
mesmo com o passar do tempo
é cultivada assim!



Feliz Aniversário Ana



AS NOSSAS CANTIGAS


(primeiros versos)



A saia da Carolina

A saia da Carolina
Tem um lagarto pintado
Sim Carolina ó - i - ó - ai
Sim Carolina ó - ai meu bem


Alecrim

Alecrim, alecrim aos molhos
Por causa de ti choram os meus olhos
Ai meu amor quem te disse a ti
Que a flor do monte era o alecrim.


As três galinhas

Três galinhas a cantar
Vão p'ró campo passear.
Uma à frente, é a primeira
Logo as outras, em carreira
Vão assim, a passear,
Os bichinhos procurar!



Atirei o pau ao gato

Atirei o pau ao gato to - to
Mas o gato to-to não morreu
Não morreu eu-eu
Dona Chica ca-ca assustou-se se
Com o berro, com o berro
Que o gato deu - miau.



Balão do João

O balão do João
Sobe, sobe, pelo ar
Está feliz o petiz a cantarolar
Mas o vento a soprar,
Leva o balão pelo ar,
Fica então o João a choramingar.



Barata

A barata diz que tem
Sapatinhos de veludo
É mentira da barata
O pé dela é que é peludo
AH, AH, AH, EH, EH, EH
O pé dela é que é peludo



Bola

Olha a bola Manel
Olha a bola Manel
Foi-se embora fugiu
Olha a bola Manel
Olha a bola Manel
Nunca mais ninguém a viu.



Cabeça, ombros, joelho e pés

Cabeça, ombros, joelho e pés
Joelho e pés, joelho e pés
Cabeça, ombros, joelho e pés
Olhos, ouvidos, boca e nariz



Caminho de Viseu

Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu
Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu
Encontrei o meu amor, ai Jesus que lá vou eu
Ora zus - trus - trus
Ora zás - trás - trás
Ora zus - trus - trus
Ora zás - trás - trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá para trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá para trás



Capuchinho Vermelho

Pela estrada fora eu vou bem sozinha
Levar estes bolos à minha avózinha.
Ela mora longe e o caminho é deserto
E o lobo mau passeia aqui por perto.



Cavalo

Era uma vez um cavalo
Que vivia num lindo carrocel
Tinha orelhas de burro
E o rabo era feito de papel
A correr chá - lá - lá
A saltar chá - lá - lá
Cavalinho não saía do lugar.



Come a papa, Joana come a papa

Come a papa, Joana come a papa
Come a papa, Joana come a papa
Joana come a papa.
1, 2, 3
Uma colher de cada vez
4, 5, 6
Era uma história de reis
E outra colher de papa.
Come a papa, Joana come a papa



Do rabo fiz navalha

Do rabo fiz navalha
Da navalha fiz sardinha
Da sardinha fiz farinha
Da farinha fiz menina
Da menina fiz uma gaiola
Prum, Pum, Pum
Que eu vou p'ra Angola



Dó-Ré-Mi

Dó - Ré - Mi - a mimi
Mi - Fá - Sol - pelo sol
Fá - Mi - Ré - vai a pé
Mi - Ré - Dó - não tem pópó
Dó - Ré - Mi - eu cozi
Mi - Fá - Sol - um pão mole
Fá - Mi - Ré - p'ro café
Mi - Ré - Dó - da minha avó



Era uma vez um rei

Era uma vez um rei
Com uma grande barriguinha
Comia, comia
E mais fome tinha.



Eu fui ao jardim celeste

Eu fui ao Jardim Celeste,
Giroflé, giroflá.
Eu fui ao Jardim Celeste,
Giroflé, flé, flá.
O que foste lá fazer
Giroflé, giroflá.
O que foste lá fazer
Giroflé, flé, flá.
Fui lá buscar uma rosa
Giroflé, giroflá.



Galinhas

Doidas, doidas, andam as galinhas
Para por o ovo lá no buraquinho
Raspam, raspam, raspam
P'ra alisar a terra
Picam, picam, picam
Para fazer o ninho



Josézito, já te tenho dito

Josézito
Já te tenho dito
Que não é bonito
Andares m'enganar
Josézito
Já te tenho dito
Que não é bonito
Andares m'enganar



Machadinha

AH, AH, AH minha machadinha
AH, AH, AH minha machadinha
Quem te pôs a mão sabendo que és minha
Quem te pôs a mão sabendo que és minha
Sabendo que és minha, também eu sou tua
Sabendo que és minha, também eu sou tua
Salta machadinha para o meio da rua
Salta machadinha para o meio da rua
No meio da rua não hei-de eu ficar
No meio da rua não hei-de eu ficar
Hei-de ir à roda escolher o meu par



Na loja do mestre André

Foi na loja do mestre André que eu comprei um pifarito.
Tiro - liro - liro, um pifarito.
Ai - ó - lé, ai - ó - lé, foi na loja do mestre André!
Foi na loja do mestre André que eu comprei um pianinho.
Plim - plim - plim, um pianinho.
Tiro - liro - liro, um pifarito.
Ai - ó - lé, ai - ó - lé, foi na loja do mestre André.
Um Tamborzinho...Tum - tum - tum, um tamborzinho
Plim - plim - plim, um pianinho.
Tiro - liro - liro, um pifarito.



Na quinta do tio Manel

Na quinta do Tio Manel
l-A-l-A-0!
Há patinhos a granel
I-A-I-A-O!
Quá-quá-quá-quá-quá
Na quinta do Tio Manel
I-A-I-A-O!
Há vaquinhas a granel
l-A-l-A-0!
Mu-mu-mu-mu-mu



O balão do João

O balão do João
Sobe, sobe pelo ar.
'stá feliz o petiz.
A cantarolar.
Mas o vento a soprar,
Leva o balão pelo ar.
Fica, então, o João
A choramingar.



O cuco na floresta

Eu ia na floresta e pus-me a escutar
Por trás duma giesta os cucos a cantar
Cu - cu, cu - cu, cu - cu, cu - ru, cu - cu
Cu - cu, cu - cu, cu - cu, cu - ru, cu - cu
A noite estava escura e não havia luar
Ouvia-se lá ao longe os lobos a uivar
Aú - Aú - Aú - Aú - Aú
Aú - Aú - Aú - Aú - Aú



Ó malhão, malhão

Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Comer e beber, ó terrim, tim, tim,
passear na rua.
Comer e beber, ó terrim, tim, tim,
passear na rua.



O pretinho Barnabé

O pretinho Barnabé, tiro-liro-liro,
O pretinho Barnabé, tiro-liro-lé.
A saltar quebrou um pé, tiro-liro-liro,
A saltar quebrou um pé, tiro-liro-lé.
Salta agora só num pé, tiro-liro-liro,
Salta agora num só pé, tiro-liro-lé.



Ó rama, ó que linda rama

Refrão
Ó rama ó que linda rama
Ó rama da oliveira
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda inteira
Que anda aqui na roda inteira
Aqui em qualquer lugar
Ó rama, ó que linda rama
Ó rama do olival.



Ó Rosa, arredonda a saia

Ó Rosa, arredonda a saia,
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Olha a roda que ela tem!
Olha a roda qu'ela tem,
Olha a roda qu'ela tinha!
Ó Rosa, arredonda bem
A tua saia redondinha!



Olha a triste viuvinha

Olha a triste viuvinha
Que anda na roda a chorar!
Anda a ver se encontra noivo
Para com ela casar!
Já lá leva dois cabaços
Três ou quatro há-de levar!
É bem feito, é bem feito
Não acha com quem casar!



Oliveirinha da serra

Oliveirinha da serra
O vento leva a flor.
Ó -i - ó - ai, só a mim ninguém me leva,
Ó -i - ó - ai, para o pé do meu amor!



Os olhos da Marianita

Os olhos da Marianita
São verdes da cor do limão
Os olhos da Marianita
São verdes da cor do limão
Ai sim, Marianita, ai sim
Ai não, Marianita, ai não
Ai sim, Marianita, ai sim
Ai não, Marianita, ai não
Os olhos da Marianita
São negros cor do carvão
Os olhos da Marianita
São negros cor do carvão



Papagaio louro

Papagaio louro
De bico dourado,
Leva-me esta carta
Ao meu namorado



Pastor

Quando eu era menino
Aprendi de meu pai
A guardar rebanhos
E a cantar trai-lai-lai!
Lai-lai, lai-lai, cantando vai pastor
Lai-lai, lai-lai, cantando pastor vai!



Pastorzinho

Havia um pastorzinho
Que andava a pastorecer
Saiu de casa e pôs-se a cantar:
Dó, ré, mi, fá, fá, fá
Dó, ré, dó, ré, ré, ré
Dó, sol, fá, mi, mi, mi
Dó, ré, mi, fá, fá, fá



Patinhos

Todos os patinhos sabem bem nadar,
Cabeça para baixo
Rabinho para o ar
Quando estão cansados da água
Vão sair, da água vão sair
Depois em grande fila
Para o ninho querem ir
Depois em grande fila,
Para o ninho querem ir.



Pombinhas da Catrina

As pombinhas da Catrina
Andaram de mão em mão
Foram ter à Quinta Nova
Ao pombal de São João
Ao pombal de São João
À Quinta da Roseirinha
Minha mãe mandou-me à fonte
E eu parti a canteirinha



Ponha aqui o seu pézinho

Ponha aqui o seu pézinho
Devagar, devagarinho
Se vai à ribeira grande
Eu tenho uma carta escrita
Para ti cara bonita
Não tenho por quem a mande



Que linda falua

Que linda falua, que lá vem, lá vem
É uma falua que vem de Belém
Vou pedir ao Senhor Banqueiro
Se me deixa passar,
Tenho filhos pequeninos,
Não os posso sustentar.
Passará, não passará,
Se não for a mãe à frente
É o filho lá de trás.



Rosa branca ao peito

Rosa branca ao peito,
a todos está bem.
Rosa branca ao peito,
a todos está bem.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém
Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.



Sra. D. Anica

Sra. D. Anica venha abaixo ao seu jardim
Venha ver as lavadeiras a fazer assim - assim
Venha ver as costureiras a fazer assim - assim
Venha ver os jardineiros a fazer assim - assim
Venha ver os sapateiros a fazer assim - assim
Venha ver os carpinteiros a fazer assim - assim
Venha ver o cozinheiro a fazer assim - assim



Tia Anica de Loulé

Tia Anica, tia Anica,
Tia Anica de Loulé,
A quem deixaria ela
A caixinha do rapé?

Refrão

Olé, olá! Esta moda não 'stá má.
Olá, olé! Tia Anica de Loulé.



Tiro - Liro - Liro

Lá em cima está o tiro - liro
Cá em baixo está o tiro - liro - Ió
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina
A dançar o solidó.
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina
A dançar o solidó.



Três pombinhas

Lá vai uma
Lá vão duas
Três pombinhas a voar
Uma é minha
Outra é tua
Outra é de quem a apanhar.

 
 








terça-feira, 22 de junho de 2010

BAU DE MEMÓRIAS: FUNGÁGÁ DA BICHARADA

José Barata Moura "Fungágá da Bicharada (1975) + Joana Come a Papa (1971) + A Bola do Manel (1967)"
Ainda hoje canto muitas das canções do José Barata Moura... o que me recordo delas

Continuo a adorar :)
 
 
 


(post da Cláudia Tonelo)

BAU DA MEMÓRIA - O TOPO GIGIO

O Topo Gigio é um personagem de um programa infantil, criado na Itália, em 1958, por Maria Perego .





...É um rato com uma personalidade infantil, muito popular na Itália durante várias décadas. Actua regularmente no concurso Sequim D'Ouro. Fora da Itália, Topo Gigio já fez parte de outros programas de televisão como o Ed Sullivan's Show, nos EUA, ou Topo Gigio and the Missile War (1966, dir. Kon Ichikawa) e Nippon Animation (1988), um cartoon, no Japão.

Fez, também, sucesso no Brasil, em programas apresentados por Agildo Ribeiro em 1969, e em Portugal, em 1979, num programa televisivo apresentado por Rui Guedes (já falecido e que eu bem conheci a tocar piano no bar do Sheraton).

Mais recentemente, na década de 90, entrou em programas como o Big Show Sic, de João Baião.

Já o Rui Guedes ficou conhecido por ter adquirido o espólio de Florbela Espanca tendo editado um volume das suas obras completas e ainda uma fotobiografia.

BAU DE MEMÓRIAS: VASCO GRANJA

Eu um dia ainda escrevo sobre o programa que quase me fez odiar os desenhos animados ''E agora uma novidade da Checoeslováquia!'' Livra!

DIPLOMAS DA 4ª CLASSE



(post do Nuno Aniceto / Parrila)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

BAÚ DE MEMÓRIAS - SINGLES NR 1 (ANOS 70)

CANELEIRAS E PROTECTORES A CAMINHO DA PRIMÁRIA


Nasci em Setúbal só por acaso, e porque a minha mãe era lá professora primária. Estava para ir nascer a Évora, cidade onde viviam os meus avós, mas ao que parece, acelerei a chegada.O meu pai tinha chegado há um ano do Ultramar, e à data, estava provisoriamente colocado em Lisboa, na Direcção Geral de Educação . Também era professor primário.

Pouco tempo depois de eu nascer, abriram os concursos anuais de colocação e pôs-se a questão de para onde concorrerem ambos, ao abrigo de uma coisa que infelizmente para os professores já não existe : a “Lei dos Cônjuges”.

O meu pai era aventureiro e gostava de desafios. Também gostava (e gosta), do mar bravo. Contou-me que estendeu o mapa de Portugal em cima da mesa e escolheu as Caldas da Rainha, porque lhe agradou a proximidade com as praias. Nunca tinha lá ido.

Chegámos em Julho de 1970 e eu tinha 6 meses. Morámos perto de dois anos no nº 16 da Rua Formosa e depois passámos para a Rua Heróis da Grande Guerra, 169. Da Rua Formosa ficou-me uma amiga para a vida, a também formosa Ana Teresa Gomes (Vasconcelos), e os meus padrinhos, que ainda hoje e já velhinhos por lá continuam.A Sílvia (agora Goulão), mais nova que eu dois anos, também lá morou, na casa em frente aos meus padrinhos, e também respondia por Sissi, motivo pelo qual ficámos a “Sissi grande” e a “Sissi pequena”.

Aos 4 anos, e porque os meus pais acharam que eu devia conviver mais com outras crianças e sair debaixo das saias da empregada, entrei no Ramalho Ortigão, onde tive como Educadora a carinhosa D. Vicência, mãe dos Cordeiro.

Ao que parece aguentei um mês, por total e completa incompatibilidade com as sestas obrigatórias em catres de lona e almofadinha pequena, com cobertores de “picos” a acompanhar o sacrifício. Lembro-me do recreio, e de um túnel em cimento colorido, que servia para nos metermos lá dentro e quase sufocar se estava um à frente e outro atrás, género versão nível um dos treinos nos Comandos, e de mais umas quantas “diversões” coloridas.

A D. Vicência (a quem agora presto merecida homenagem ), não conseguiu acalmar a ira na hora das sestas, e eu não me fartei de berrar por casa e pela Isabel, a nossa empregada, outra santa que tinha uma pachorra de “jó” quer para me pôr a comer (tarefa difícil ao que parece), quer para me entreter nos desvarios.

Acabei por levar a minha avante e fiz a pré-primária em casa. Como queria muito ler para ver se não me enganavam nas histórias, contaram-me os meus pais que ao tentarem aplicar o “Método Global” para a leitura, em vigência nas escolas primárias em 74/75, e depois de muito livrinho com as letras ilustradas por objectos e animais, tipo: “G” - e por baixo o desenho da Galinha, um dia olhei para um saco de plástico da GOIA, à data laranja e preto e li: “Goia”.

Depois fui para a primeira classe ainda não tinha 5 anos, para não ser esperta. Adeus remanso de casa, adeus Isabel, que de mãos à cinta argumentava com os meus pais que “coitadinha da menina, que é tão pequenina, ainda lhe fazem mal, e tão bem que estava aqui comigo". Eu, no fundo, também achava o mesmo, mas queria aprender “coisas”.

A principio, e porque ainda não tinha idade legal para frequentar a primeira classe, fiquei na escola do Avenal, onde os meus pais eram professores, com a Professora D. Leonor, a segunda santa da minha vida escolar. Era só para ocupar umas horas e começar a brincar com as letras, mas a verdade é que a brincar com as ditas, passei para a segunda classe. E o que se ganhou com isso é que tive de repetir a terceira, porque andava um ano e tal à frente dos outros e porque muito jeitinho para ler e escrever, mas a aritmética era mais ver os números a passar. Infelizmente até hoje….

Saí da escola do Avenal, onde era protegida por todos e onde me ensinaram a andar de bicicleta sem “rodinhas”, para a malfadada terceira classe no Bairro dos Arneiros, onde o meu pai tinha sido colocado esse ano. Estávamos em 76/77. E azar, dos azares, não me lembro do nome da Professora. Talvez porque percebeu logo que a “esperta” não fazia os trabalhos de casa de aritmética e olhava para o lado quando se faziam os exercícios na aula. Talvez porque as idas ao quadro eram verdadeiros suplícios e as queixas da Senhora ao Professor da sala ao lado (o paaaiiiiizinhoooooo) eram recorrentes. Bom…As suficientes para em consciência decidirem pai, mãe e professora a repetição da terceira, até porque eu nunca poderia entrar para o ciclo ainda com 8 anos. Isto de ser de Janeiro, e de ter tido pais professores tem que se lhe diga…

Ficou-me da passagem pelos Arneiros outra amiga para a vida, a Vanda Belo, aluna do meu pai e companheira de aventuras espaciais, atendendo a que as nossas diversões no recreio passavam por cada uma de nós riscar no chão uma enorme circunferência (as naves), escolhermos as “crews”, e partirmos rumo a uma longínqua constelação. Eu costumava ser a Dra. Helen, e ela o Capitão John. O tema era o “Espaço 1999”, claro...

Vira-se novamente o disco, adeus Arneiros, e lá fui eu para a segunda terceira classe na “Escola Mais Bonita das Caldas da Rainha” – a primeira de todas, em frente do Parque de Campismo à entrada das Caldas.E começou o sabor a independência; ia sozinha, saída da Rua Heróis da Grande Guerra, logo de manhã cedo, a bater os protectores das botas caneleiras pelos passeios, e a parar nas várias capelinhas para seguir em grupo para a Escola. Os companheiros eram a Maria João (neta do dono da Goia), que morava perto da Praça do Peixe e o Gustavo Caridade que nos “apanhava” vindo de perto dos Bombeiros. Havia mais que se juntavam à pandilha, mas não consigo agora recordar os nomes…

Com o Professor Lemos, dono da papelaria Pelicano, (onde se iam comprar os livros escolares e aqueles mapas de Portugal lindos de morrer, hiper coloridos, que depois se plastificavam), chegou a época da “responsabilização escolar”, palavras usadas lá em casa e demasiado complexas para mim e para a Isabel, que achou desumano a menina ir sozinha e a pé para tão longe. Eu adorava!..

Pouco tempo a seguir, a Isabel desistiu de argumentar e saiu de nossa casa para casar com um “embarcadiço” de farto bigode loiro e olhos azuis, que em tempo de licença, a costumava ir namorar algures entre a garagem dos Claras, e a esquina da Jornália, ali rés-vés com as traseiras do Montepio, onde por vezes apanhavam um cortejo fúnebre que a Isabel aproveitava para depois comentar até à exaustão.

Pois…É que também faz parte da minha infância, saber sempre o nome, e muitas vezes a história dos defuntos….Já para não falar da indumentária que levavam para a última morada, atendendo a que a vista da varanda da minha casa incidia directamente para a casa mortuária do Montepio…Mas era uma belíssima varanda e a casa era magnífica!

Bom…A segunda terceira classe fez-se já sem a protecção paterna, e seguiu-se a quarta entre jogos da “macaca” no pátio de chão de terra batida, biqueiradas e correrias. Lembro-me também de levar a merenda num cestinho de vime, comprado na Praça da Fruta, depois substituído por uma lancheira moderníssima a imitar um “School Bus” americano, oferecida por uma prima residente no Canadá e que fez a inveja das amigas.Mas a aritmética foi sempre um osso duro de roer…

Foi com o Professor Lemos que ganhei o gosto pela História de Portugal, que ele sabia contar ao jeito de “estória” e foi pela mão dele que percebi o significado de “responsabilização escolar”. Literalmente….

E ainda outro dia, de visita a Marrocos, no meio do entrincheirado da Medina de Marraquexe , sorri ao deparar-me com uma casa de banho de “buraco”, ideal para treinar o estilo “cócoras” exactamente igual à que tínhamos na “Escola Mais Bonita das Caldas da Rainha”, já para não falar das carteiras de tampo à antiga, cheias de História e “estórias” de outros meninos.

Nestes anos de Primária, fui muito feliz. Corri e brinquei sem parar, fiz ballet, natação, patinagem e ténis e mais tempo houvesse mais faria. O espírito que reinava era o da dinâmica, de se aproveitar ao máximo os dias e tudo o que a cidade tão bem proporcionava.

Deixei de morar nas Caldas, tinha perto de 15 anos, rumo ao sul, para acompanhar os meus pais entretanto recém-licenciados noutras áreas. A Setúbal, devo ter ido só as vezes que precisei de apanhar o barco para Tróia e quando me perguntam de onde sou, isto depois de tanta paragem, respondo sempre: Das Caldas!

Das Caldas, de onde me chegam as memórias mais doces, as amizades mais verdadeiras e os laços mais fortes. Das Caldas, onde insisto em manter raízes, palco também da pré e início da adolescência, mais conturbada que a infância, polvilhada de risos e amigos “à séria”, mas também de alguns amargos de boca, como todas as adolescências…Mas da adolescência, não falo agora, até porque a prosa vai longa... Fico à espera que o Paulo me chame novamente preguiçosa para o fazer…


(post da Cecilia (Sissi) Martinho)

BAÚ DE MEMÓRIAS - SÉRIES DOS ANOS 60

EQUIPA DA SAPEC-BX E AMIGOS

Garrincha, PINA, JOÃO(TATAU), Inácio, José Manuel, ALMEIDA, ADELINO, Victor Marques, Luis Durso, LUIS DUARTE, JORGE MENDES, Alfredo, Frau, ZÉ MANEL, Victor Leiteiro, Eduardo, Dadinho, XICO-ZÉ



EQUIPA DA SAPEC-BX E ALGUNS AMIGOS, HORAS DEPOIS DE OBTIDO O FAMOSO TRI, DEVIDAMENTE COMEMORADO.

XICO-ZÉ, CARLOS "PLACAS", RAFAEL, PINA, TEIXEIRA(TEXUGA), ARSÉNIO, ADELINO, ALFREDO, ALMEIDA, CARLOS, ANTÓNIO TIMÓTEO, ZÉ MANEL, JOÃO(TATAU), PLÁCIDO (IRMÃO DO OUTRO), VITOR MARQUES, JORGE MENDES, KIKO, LUIS DUARTE, VITOR, PLÁCIDO, ANICETO, CHICO



(post do Francisco Ferreira / Xico-Zé)

1º DE MAIO - COMEMORAÇÕES NO PARQUE

Coronel Monroy, Rui Aniceto, Manuel Vinhas, Capitão Lamy




domingo, 20 de junho de 2010

BAÚ DE MEMÓRIAS - AS NOSSAS TELENOVELAS BRASILEIRAS


GABRIELA, CRAVO E CANELA (1975)



CASARÃO (1976)



SARAMANDAIA (1976)
(áudio remasterizado)


ESCRAVA ISAURA (1976/77)


DONA XEPA (1977)



O ASTRO (1977/78)



SINHAZINHA FLÔ (1977/78)



DANCIN’ DAYS (1978/79)



A SUCESSORA (1978/79)




PAI HEROI (1979) 



CABOCLA (1979)



ÁGUA VIVA (1980)



OLHAI OS LIRIOS DO CAMPO (1980)




CIRANDA DE PEDRA (1981)



BAILA COMIGO (1981)




GUERRA DOS SEXOS (1983/84)


VEREDA TROPICAL (1984/85)


 CORPO A CORPO (1984/85)



ROQUE SANTEIRO (1985/86)



SELVA DE PEDRA (1986)



CAMBALACHO (1986)



SASSARICANDO (1987/88)



TIETA (1989/90)



JOGOS SEM FRONTEIRAS (Julho de 1983) - EQUIPA DE CALDAS DA RAINHA

Lena Gouveia (mãe da Nini Gouveia)
Manuel Barreto, Nuno Aniceto, Marques (CMCR)


Comandante Sales Henriques, Mª José Rocha, Vitor Milheiro

 
Nuno Aniceto, Berjano, José Luis Almeida (Gazeta das Caldas), Dr Rui

José Valente, Nuno Aniceto, Manuel Barreto, Henrique Sales Henriques, Paula Almeida (Paqui), Sérgio Oliveira


Nuno Aniceto, Paula Barreto, Manuel Barreto, Vitor Milheiro, Luisa (Nini) Gouveia, João Mateus
Maria José Rocha, Jorge Favas, Paula Barreto, Nuno Aniceto


Orlanda Ferreira, Jorge Bandeirinha, Paula Almeida (Paqui), Sérgio Oliveira

















(post do Nuno Aniceto / Parrila)

sábado, 19 de junho de 2010

FOTOS NAS ESTÁTUAS DO PARQUE (2)




FOTOS NAS ESTÁTUAS DO PARQUE (1)

(1971)

(post da Cláudia Tonelo)

AOS MEUS COLEGAS DA ESCOLA PRIMÁRIA






À nossa Professora D. Elisa


Vou atrasar o Relógio do Tempo 36 anos.
...
As memórias que não perdi
Ficarão enternamente a sorrir
Dentro de mim….

Quando penso nos tempos da escola primária há uma data que inevitavelmente me ocorre de imediato. 24 de Abril de 1974.
Como era habitual a família estava reunida em casa. Os meus pais, eu e o meu irmão que tinha 4 anos. Já teríamos jantado quando a emissão da RTP encerrou passando a dar lugar ao Hino Nacional. Lembro-me do murmurinho que se gerou lá em casa nessa noite, dos movimentos invulgares aquelas horas no prédio onde habitávamos, da agitação dos meus pais… A vizinhança estava em alerta. Percebi que era algo grave que se estava a passar para lá das nossas paredes, senti o medo que pairava no ar e ouvi referências a tropa e quartéis. Que confusão que estava a ser para a minha cabeça de criança…
Foi esta a primeira noção que tive da Revolução do 25 de Abril, a Revolução dos cravos.
Bom, parece que nem tudo foi assim tão mau. No meio de tanta inquietação descansei quando soube que no dia seguinte não teria que ir à escola!

Estava então a frequentar a quarta-classe. Vivia na Capitão Filipe de Sousa, quase vizinha à célebre Rua do Jardim (agora tenho pena que os meus pais não tenham optado por viver no quarteirão de baixo para ter podido participar em tantas brincadeiras que já se falaram aqui, não imaginava que aí se passavam tantos acontecimentos como os que têm sido relatados aqui noutras “estorias”…) e a minha escola ficava no prédio ao lado da entrada da Rodoviária que fica hoje em dia do lado dos CTT, no último andar.
Refiro-me à célebre escola da D.Elisa da qual muitos de vós se devem recordar.
Era uma das Escolas primárias mais conhecidas das Caldas, reconhecida pela sua qualidade de ensino e rigor na obtenção dos conhecimentos.
A primeira e segunda classes tinham aulas de tarde, a terceira tinha aulas de manha e a quarta, de manha e de tarde. Ou seja, os alunos da quarta classe, durante a manha tinham secretaria para sentar mas à tarde ficávamos sentados nas escadas que iam do segundo andar para o sótão. Pois, porque a sala de aula era nas águas-furtadas do prédio. Tínhamos óptima iluminação natural que o saguão nos fornecia mas eram horas infindáveis de rabo poisado na escadaria de madeira, às tantas já não tínhamos posição, nem sentados, nem deitados, nem esticados, nem de forma nenhuma já sustentávamos os nosso corpinhos…E era nesses preparos, nessas posições tão incómodas que se decoravam nomes de rios, nascentes, afluentes, serras, estações de caminhos-de-ferro, ai decoravam, decoravam… Disso ninguém tenha as menores dúvidas! E é para aí que a minha memória me leva.
Quem concluiu a 4ªclasse com a D.Elisa, (com direito a Exame na Escola Primária do Bairro dos Arneiros e fizemos um brilharete!) seguramente teve o trabalho facilitado nos anos seguintes e por isso lhe reconheço todo mérito apesar das suas praticas de ensino já serem contestadas à época por alguns. Mas que dava resultado, sem duvida! A matéria ficava na ponta da língua.

Esse ano foi emocionalmente complicado para mim.
No inicio do ano lectivo, dirigi-me para a carteira que tinha utilizado no ano anterior. Recordo-me de o fazer como se tivesse sido há pouco tempo.A carteira ficava do lado esquerdo a meio, ao lado do corredor que dividia a sala a meio. Eram carteiras de madeira inteiriças, com a secretária unida ao assento, para dois alunos. A colega que a tinha partilhado comigo anteriormente chamava-se Violante e morava na Estrada da Tornada. Era uma miúda morena, bem comportada, pacata, ideal para fazer parelha comigo, que era um pouco mais rebelde e talvez por isso nos entendêssemos lindamente. Foi essa a imagem que me ficou dela.
O lugar ao lado do meu estava agora vazio. Ainda esperei por ela, olhei para a porta repetidas vezes na esperança de a ver entrar. Não me apetecia nada ter que repartir a correnteza curta e estreita da madeira com outra menina. Era a companhia dela que eu desejava nesse momento. Soube nesse dia que a Violante tinha sido atropelada mortalmente na Estrada que a vira crescer. Não sei descrever o sentimento que me invadiu nessa hora. Foi um misto de emoções, penso que foi a primeira vez que me confrontei com perda provocada pela morte de alguém que de alguma forma nos é querido. Afinal as férias grandes tinham-nos afastado, eu já não a via há alguns meses, eu não era da família, não convivia assiduamente com ela, mas essa menina com quem dividira a carteira era a minha companheira de aula, deitávamos o olho aos trabalhos uma da outra, trocávamos material escolar…Enfim, trocávamos afectos … Foi duro perceber e interiorizar que a Violante não iria estar mais connosco, nem em qualquer outro lugar visível por nos.
Benditos semáforos que mais tarde resolveram colocar nessa malfadada estrada e que certamente evitaram que mais vidas aí fossem ceifadas. Senti uma tristeza profunda nessa altura e ainda hoje a sinto sempre que me ocorrem pensamentos dessa época da minha vida. Nunca esqueci essa menina, ficou para sempre viva dentro do meu coração. O irmão dela era o Luís, também frequentava a mesma Escola e passou a trajar de preto e com semblante carregado. Anos mais tarde reencontrei-o a explorar uma tabacaria que chegou a existir no Modelo, à entrada do lado direito.
Nessa altura muitos dos meus dias terminavam na Espingardaria Mário com a Anita (filha do Sr.Mario) que também era minha colega ou com a Elisa Oliveira (filha do Vasco Oliveira).
O Ramiro “do oculista” e o João Paulo Piloto eram os rapazes com quem eu mais me lembro de conviver na escola primária. Os irmãos Cordeiro, também passaram por lá. Recordo-me que o Piloto, como lhe chamávamos, e o Eduardo (que hoje exerce na PSP das Caldas) eram uns alunos brilhantes. Lembro ainda que o Eduardo teve que repetir a 4ª classe porque não tinha idade para frequentar o ciclo preparatório. Eram outros tempos…
O marido da D.Elisa, o Sr.Feliz, era viajante como se apelidavam nessa altura os vendedores. Já não me recordo bem de quê mas tenho uma ideia que negociava em máquinas. Quando subia as escadas para resolver algum assunto com a D.Elisa era uma festa para nós.
Seriam esses talvez os únicos momentos em que o silencio se quebrava, em que podíamos trocar algumas palavras entre nós e os mais atrevidos faziam passar entre as carteiras trocas dos primeiros bilhetinhos de amor, de papelinhos preenchidos com versos, coraçõezinhos pintados,… enfim verdadeiras provas de amor puro e inocente…


O relógio acertou a hora.
E a cadencia mantêm-se…
O tempo não perdoa.

(post da Élia Parreira)