terça-feira, 27 de julho de 2010

DESVENTURAS DE UM ESTUDANTE EM TORREMOLINOS EXCURSÃO DE 1980 - PARTE 2



Resumo do capítulo anterior:


Estamos na Páscoa de 1980. Os finalistas do Liceu das Caldas partem em excursão para Torremolinos. Mal chegámos e já estávamos a correr as discotecas da cidade. No regresso ao nosso apartamento em Benalmadena, descobrimos que a piscina do complexo está cheia e que uma das banhistas era a minha namorada do Verão de 1979. Ao debruçar-me para a beijar, o Filipe do Pó atira-me para dentro de água, todo vestido.


Parte 2

A Paula não consegue parar de rir com o meu mergulho e é assim que me apresenta às suas amigas. É assim, molhado e ainda dentro da piscina que as cumprimento. O Filipe afasta-se a rir, evitando receber o mesmo tratamento. Então a Paula convida-me a ir ao apartamento que divide com as amigas, na condição de eu ir primeiro trocar de roupa, claro.

Enquanto eu me dirijo para o meu apartamento na companhia do João Miguel Dinis e do João Gancho, conto-lhes a forma insólita como conheci a Paula.

Em Setembro do ano anterior, fui como era hábito então, na companhia da minha família passar umas semanas de férias à Torralta no Alvor. Comigo ia também o meu primo Bernardo.

Como chegámos tarde no primeiro dia, decidimos sair de casa muito cedo na manhã seguinte. Fomos directos para a piscina, mesmo junto à praia. Seriam umas 8h30 da manhã e a piscina estava aparentemente deserta. Na realidade, ao aproximarmo-nos verificamos que está um mergulhador, inteiramente equipado, com garrafa e tudo, a nadar no fundo da piscina.

‘’- Que coisa mais estranha’’- pensámos nós.

Vimos que estavam já três espreguiçadeiras montadas com colchão, uma estava ocupada com uma toalha e um saco de praia e deitámo-nos nas outras duas. Pouco depois, o mergulhador saiu da água e começa a tirar o fato.

Qual não é o nosso espanto quando de dentro do esponjoso vestuário sai uma ninfa com um biquíni super-reduzido e um corpo muito bem torneado para os 15, 16 anos que teria. Como nós!

Parecia a Ursula Andress a sair da água no Dr. No do James Bond! Só que em versão de cabelos castanhos!

A sereia, olha para nós com ar de que éramos transparentes e arrumou os artefactos, vindo-se deitar na espreguiçadeira onde deixara a toalha. Eu e o Bernardo ficámos mudos e quedos tentando olhar para todo o lado menos directamente para a menina.

Então a jovem deitou-se languidamente no colchão perante o nosso olhar meio disfarçado pelos óculos de sol, e ficámos a acompanhar a sinuosidade do seu corpo desde a pontinha da unha do dedo do pé até à madeixa clara que lhe cobria parte do rosto.

Depois tirou um livro do saco e ficámos mais aliviados quando vimos que era uma edição em francês de uma obra da Agatha Christie. A miúda era francesa ou belga, já podíamos falar à vontade!

E o que falámos, Mon Dieu! Como ela era isto e aquilo, como um de nós gostaria de a convidar a sair. Enfim, podem imaginar o tipo de conversa!

Entretanto a piscina ia enchendo-se de gente e por volta das 9h30 já estava a meia lotação e nós sem descolar a vista da nossa vizinha que pacificamente lá ia lendo o livro sem se dignar a olhar para nós.

Um pouco mais tarde, eis que chega uma senhora na casa dos cinquenta que se dirige à donzela. E não é que lhe começa a falar em português? Sem sotaque! Sem pinga de boulevards e de quartiers!

Ficamos para morrer! E mais ainda quando ela finalmente olha para nós directamente e nos lança um sorriso de gozo! Tinha escutado impávida e serena toda a nossa conversa. Nem sabíamos onde nos meter!

A mãe perguntou-lhe se queria ir com ela para a praia e ela olhando a sorrir para nós respondeu-lhe que não, que estava ali bem!

Minha Nossa Senhora!

Esperámos que a mamã fosse para a praia e um pouco a medo lá me meti com ela e devagarinho e apesar das suas respostas irónicas lá fomos partindo o gelo. Afinal tudo tinha uma explicação, o mergulho na piscina era para praticar a respiração com garrafa, pois estava a tirar o curso de mergulho lá na Torralta e não tinha autorização para ir sozinha para o mar. Recebera contudo permissão para praticar na piscina, antes da chegada dos utilizadores comuns. Quanto ao livro em francês, estava a praticar para o exame da Alliance Francaise que teria em breve!

Tudo explicado e nós ficámos expostos como um livro aberto. Mas afinal tudo correu bem, o Bernardo, já com a ajuda da Paula, conheceu nessa tarde, na piscina do Hotel D. João II, a Cristina, uma loirinha bailarina de ballet que iria nesse Inverno praticar para Londres e logo combinámos sair nessa noite. O pior foi quando fomos buscar a Paula ao seu apartamento e a mãe nos diz com o ar mais sisudo do mundo:

- Eu deixo-a sair mas é porque tenho muita confiança nela! A vocês não vos conheço de lado nenhum! – mal sabia ela a missa à metade!

Bem, estou a divagar!

Lá ia eu com os meus amigos a caminho do nosso apartamento para mudar de roupa.

Chegámos ao apartamento e esperava-me uma surpresa, o meu quarto estava ocupado e só faltava ter uma placa de NOT DISTURB pendurado na porta! Logo na primeira noite?! Chiça que o rapaz é rápido!

Mas eu tinha mesmo que trocar de roupa pois estava encharcado da cabeça aos pés! Então, como quem não quer a coisa, fui entrando de mansinho, pedindo mil desculpas, quase dizendo para continuarem e fazerem como se eu não estivesse ali, essas coisas que dizemos quando não queremos incomodar, e fui buscar uns jeans e um pólo, tentando sair o mais rapidamente possível o que não foi fácil considerando que ainda não tinha desfeito a mala.

Quando saí do quarto e perante o gozo dos outros, dou-me conta que não tinha trazido os sapatos, tive que voltar outra vez!

- Desculpem lá! Esqueci-me dos sapatos!

- %&$#(/%$#=!)O#”!!!!

- Pois, tens razão! Mas que queres, esqueci-me, pronto!

Já ia porta fora de novo, quando ouço de lá de dentro.

- Vê lá se não te esqueceste de mais nada?

‘’Shit! Esqueci-me da roupa interior!’’

A rapariga rebolava-se de riso, tentando já com pouco esforço esconder a cara. Vi que me era completamente estranha! Conquista de primeira noite em Espanha. O rapaz era mesmo maganão!

Lá voltei uma terceira vez ao quarto e tentei encontrar no meio da mala, na quase completa escuridão, as peças de roupa que me faltavam.

Finalmente consigo me vestir e parto para o apartamento da Paula. Com o meu quarto ocupado peço-lhe guarida e é no meio de 5 raparigas desejosas de ouvir as nossas estórias que passo a noite. Parecia eu no Colégio de Santa Clara ou das Quatro Torres (leiam Enid Blyton, um clássico!)!

No dia seguinte, com um par de horas mal dormidas, consigo finalmente entrar no meu quarto e dar um arrumo às coisas.

Decidimo-nos a ir jogar ténis nuns courts de piso sintético que víramos na véspera junto à marginal.

O piso é afinal de cimento e muito abrasivo, dou cabo das solas das minhas novas Sanjo num instante. Vou ter que comprar umas sapatilhas novas!

Nessa tarde decidimo-nos a ir a Málaga ao El Corte Inglês. Vamos a Torremolinos apanhar o autocarro e chegamos mesmo em cima da hora da partida. Com isso não comprámos bilhetes, habituados que estávamos a comprá-los dentro do autocarro na carreira para a Foz.

Quando aparece um revisor, foi uma festa tentando escapulir para as traseiras. Felizmente nenhum de nós foi apanhado, entre os rapazes ia eu, o João Miguel, o Rafael, o João Gancho, o Paulo Lemos, a Isabel Marques e alguns outros.

Ao chegarmos a Málaga temos a primeira certeza. Tinha havido uma ameaça de atentado pela ETA e os arruamentos em redor do Corte Inglês estão barricados e isolados pelos militares. Temos de dar uma grande volta para entrar nos armazéns.

Eu sigo directo para o piso do vestuário para homem e decido-me a comprar (final da década de 70, o que é que querem!) umas jardineiras de bombazina brancas, a grande moda em Torremolinos! Só tem um problema, estão grandes e é necessário fazer a bainha mas para isso teria de as deixar para o dia seguinte. Nem pensar! Arranjarei quem as faça entre as minhas amigas. Depois vou ao piso do calçado para comprar umas substitutas para as minhas sapatilhas desfeitas e hesito entre umas John Smith e uma Converse All Stars, no final acabo por comprar umas sapatilhas espanholas todas brancas e sem cano que ligariam muito bem com as jardineiras.

Jardineiras brancas, t-shirt branca e sapatilhas brancas, vou parecer o homem dos gelados! Imaginem o efeito sob a luz negra das discotecas!!! Um horror!

É neste ponto que eu tenho de fazer uma tradução para os mais jovens. Aqui nas Caldas e nos anos 70 e 80 ‘’sapatilhas’’ significavam ‘’ténis’’ e ténis era apenas um desporto!

Nisto começamos a ouvir uma enorme gritaria (literalmente!), a ver uma grande algazarra e dezenas de jovens a correr para as escadas rolantes que levam para baixo!

Pensamos que é uma ameaça da ETA, mas não ouvimos nenhuma explosão. Será que disseram alguma coisa nos altifalantes que nós não percebemos?!

Afinal de contas, espanhol cerrado não era a nossa especialidade e nós não tínhamos aquela apetência para línguas que demonstrava a avó dos meus amigos Ricardo e Agnello que com mais de 80 anos ainda fazia uma viagem anual com as amigas e julgava saber todas as línguas. Ia a Inglaterra e agradecia com um ‘’Obrigadation’’, em França dizia ‘’Obrigadacion’’ e por aí fora!

Uma vez, neste mesmo Corte Inglês de Málaga, chamou a balconista e disse que pretendia um ‘’casaquito cinziento’’ (chaqueta gris em espanhol), a empregada dizia-lhe que não entendia, perante o ar de espanto e indignação da senhora que só conseguia articular ‘’não intiendo, não intiendo’’, até que a empregada decide chamar o supervisor que ouve as primeiras palavras da avó dos meus amigos ‘’

- Sabe, estou mui embaraçada (grávida em espanhol), porque ninguém mi intiende!’’. - O homem fica a olhar para a velha de oitenta anos e tentar perceber como é que poderia estar ‘’muito grávida’’.

Bem esta e outras estórias da avó , que ainda conheci com a sua bengala, contadas pelos netos, são de ir às lágrimas!

Então estávamos nós em alerta máximo perante a histeria que enfrentávamos e decidimo-nos a seguir a multidão de jovens até ao piso 0.

Afinal era a grande estrela da canção espanhola daquele Inverno que estava na zona de discoteca a dar autógrafos. Pedro Marin de seu nome. Os seus êxitos ‘’Aire’’ e ‘’Que No’’ eram passados pelo menos umas três vezes por noite nas pistas do Piper’s. Dois meses depois, em pleno Verão português haveria de atingir também aqui o primeiro lugar do top de vendas!

Não se riam, afinal tinha sido apenas há 3 anos que o Art Sullivan cumprira a mesma proeza e enchia os estádios de Portugal com 40.000 pessoas a ouvirem "Ensemble", "Petite Fille Aux yeux Bleus", "Donne Donne Moi" e "Petite Demoiselle"!

Anos 70! Nem todas eram ‘’músicas intemporais’’!

As miúdas espanholas estavam verdadeiramente histéricas, só tinha visto uma cena daquelas nos antigos documentários sobre os Beatles. Resolvemos então participar na festa e começámos a gritar também, a puxar das camisas e dos cabelos. As amigas que estavam connosco alinharam na fita e fizeram igualmente a sua parte, com o pobre do Pedro Marin de sorriso de orelha a orelha a acreditar na genuinidade da nossa emoção. Saímos de lá com autógrafos nos braços e a jurar que nunca mais tomariamos banho para que o autógrafo não saísse!

Ao voltarmos decidimos tentar a sorte e não comprar bilhete. Apenas as raparigas não quiseram arriscar e quando o revisor apareceu foi o bom e o bonito para conseguir ir passando os bilhetes de mão em mão sem que ele o detectasse. Julgo que o João Gancho ainda foi apanhado e teve que pagar uma multa!

Ao chegar ao apartamento, encontro o maganão com um amigo e duas meninas, uma é a da véspera. Comento que tenho de arranjar quem me faça a bainha das calças e ela oferece-se com um olhar matreiro para ir comigo ao seu apartamento tratar do assunto. Estou mesmo a ver, eu vestir e a despir calças sozinho com ela. Não obrigado! Amigas dos meus amigos são irmãs para mim! (diz a raposa à lebre!)

Lembro-me então que a Margarida Arroz é a rapariga mais prevenida que eu conheço, às vezes até ao exagero o que nos levou a troçar com ela pela quantidade de medicamentos e a caixa de costura que levara para Torremolinos. Afinal acabei por necessitar dela para ambas as situações!

Vou com o João Miguel ao seu apartamento que divide com Teresa Lamy e mais algumas amigas.

Como sempre, a Margarida recebe o meu pedido com o seu ar maternal e dispõe-se à tarefa! Contudo fico espantado em ver algumas das meninas, a Margarida Nascimento, a Goretti, a Maria João, já aperaltadas cheia de enchumaços e leggings (anos 80!) enquanto outras se atropelam na cozinha.

Enquanto espero que a Margarida me faça as bainhas, fujo para a cozinha e começo a rapar a forma de massa crua de um bolo. A Teresa dá-me com a colher de pau nas mãos e tenta me afastar da cozinha.

Fico completamente fulo quando soube que estavam a preparar um jantar para oferecer a um grupo de Torres Vedras, o Zé Manel Bota-Fora e seus amigos, que tinham conhecido umas semanas antes no Green Hill.

A nós, aos seus amigos de sempre, nunca nos tinham oferecido nenhum jantar, nem nas Caldas nem em outro lugar qualquer! Francamente!!!

Saio do apartamento com as calças arranjadas mas a reclamar aos quatro ventos! Quando os outros sabem da história ficam igualmente fulos e esperamos encontrá-las à noite na discoteca para cravá-las para um jantar logo no dia seguinte!

Esperamos toda a noite no Piper’s mas elas não aparecem. Foram para outra discoteca, pensamos nós ainda mais irritados!

Só no dia seguinte soubemos o que se passou.

O leite que tinham levado estragara-se com o calor do autocarro na viagem para Espanha e tinha servido para fazer o leite-creme que era uma especialidade da Margarida que com o trabalho que teve comigo e a pressa, nem notou que o leite azedara!

No dia seguinte ninguém do grupo foi avistado nas imediações das discotecas. Os rapazes agarrados às calças e as raparigas com vergonha de os encontrar.

Deus não dorme!


(continua)
 
 

 
Calle San Miguel


 

Pedro Marin - Aire
 


Pedro Marin - Que No (audio)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CALOS, BANHOS E OUTRAS DORES - o Remo na Lagoa de Óbidos


Em 1976, após a extinção do Centro Universitário de Lisboa (CUL), por ligação à Mocidade Portuguesa, os atletas da Secção de Remo, sob o comando do seu carismático líder, António Vidigal, fundam nas Caldas da Rainha, para onde este se tinha mudado com toda a famíl...ia, o Nautilus Clube de Regatas.

Esta foi uma forma de, aproveitando a presença em permanência nesta região do muito experiente e visionário António Vidigal, dinamizar o Remo, na sequência das regatas universitárias internacionais que tinham ocorrido no inicio de Abril de 1974 no braço do Bom Sucesso.

Fazendo uso da tradição familiar na prática do Remo, actualmente já na 4ª geração, incentivou os filhos à prática da modalidade, estimulando-os a trazerem os seus novos amigos caldenses para a modalidade.

Com a base logística na velha e sempre Rua dos Loureiros (actual Rua Maria Ernestina Martins Pereira), todos os sábados e domingos, de Outubro a Julho, começou a sair em direcção à Foz do Arelho uma excursão de barcos e remadores.

Nos primeiros anos, 1976/77, a actividade dependeu mais da participação dos antigos remadores.A partir de 1978/79, começam a aparecer os primeiros remadores caldenses. Os 3 Vidigais mais velhos, António, Teresa e Luísa. O Pedro Gonçalves. O Paulo Vasques. O Manuel Luzio. O Tó-Zé Pina. O Quintino. O Rui Coelho (que já tinha remado em Angola) e muitos outros, que me falha a memória. Não necessariamente por esta ordem e eventualmente nem todos logo neste ano.

Em 1978 participa-se nas primeiras provas, no Rio Tejo. Desde a Central Eléctrica até à Doca de Alcântara. Para quem estava habituado e tinha aprendido a remar nas calmas da Lagoa de Óbidos, esta foi uma dupla prova. A regata em si mesma e a “luta” contra a mareta violenta do Rio Tejo. Provas superadas, com mais ou menos sucesso.

Depois desta, muitas outras se seguiram. Em Setúbal, em Vila Franca, em Lisboa, na Figueira da Foz, em Aveiro, na Régua e na Lagoa de Óbidos (Camp. Regional de 1980).

Em 1981 e depois de longos esforços junto da Câmara Municipal, consegue-se a criação de um telheiro no antigo parque de campismo da Foz do Arelho e que deu origem ao actual pavilhão do ISN. Com estas condições passou a ser muito mais fácil a prática do remo, pois assim deixou de ser necessário o seu transporte desde as Caldas.

Apesar de todos os entraves criados pelo guarda do referido parque.

Nestes primeiros anos passaram pelo Nautilus Clube de Regatas algumas dezenas de candidatos a praticantes. Todos eles passaram pela experiência de remar com alguns dos mais velhos (tantos que ensinei!!). Mas o Remo é ingrato e exige sacrifícios.

De vez em quando as coisas não correm tão bem e há uns barcos que se viram, obrigando a uns mergulhos forçados e depois é necessário trepar para o barco (nada fácil).

Outras vezes são as unhas que passam onde não deviam ou umas bolhas que surgem nas mãos e as deixam marcadas durante uns dias ou semanas.

Mas a superação destas dificuldades criou laços de amizade entre aqueles que prosseguiram, que ainda hoje perduram e se mantêm vivas.

Mas a preparação não se limitava a andar de barco ao fim de semana. De 3ª a 6ª, todos os fins de tarde havia treino. E intermináveis foram as vezes que um grupo maior ou mais pequeno de “malucos” se punha a dar voltas ao Parque D. Carlos I. Começando na Parada e descendo pela “avenida” ao longo do antigo parque de campismo, passando pelos cortes de ténis, subindo pela “avenida” da esplanada e do coreto e continuando ao longo do liceu, de regresso à parada, para mais uma volta. Ou então e em alternativa, até Óbidos e regresso. Tudo seguido de uma sessão de trabalho de ginásio, no r/c da casa da Rua dos Loureiros.

À medida que o Remo foi evoluindo nas Caldas, o grupo foi-se reduzindo e especializando.

Perdeu-se, e isso ditou o seu fim passados alguns anos, a perspectiva da captação e formação de novos remadores.

Ganhou-se em termos competitivos, porque os remadores caldenses passaram a disputar os primeiros lugares.

Mas muitos foram os episódios que ao longo dos anos deixaram marcas na memória.

Desde um primeiro estágio de Páscoa, em que os jovens remadores caldenses, efectuam um estágio de uma semana, acampando junto à Lagoa de Óbidos, numa antiga Escola Primária que aí ainda existe. Aí estiveram, para além dos incontornáveis Vidigais, o Pina, o Quintino e a Maria João, o Miguel Ballu, o Pedro Gonçalves, o Paulo Vasques, o Manel Luzio.

Ou a vez em que num Campeonato Nacional na Barragem da Régua, depois de na 6ª feira se ter deixado os barcos devidamente preparados e arrumados na zona de prova, quando chegamos no sábado de manhã metade dos barcos do Nautilus CR estavam destruídos pela queda de duas vigas de sustentação das coberturas que tinham sido (mal) instaladas.

Desespero total pelos barcos destruídos e por não se poder participar nas provas, depois de uma época de preparação.

Ou como eu e o (Tó-Zé) Pina aprendemos a guiar, “roubando” o carro do Rui Coelho, um Renault 16, enquanto ele treinava na Lagoa.

Momentos houve de maior angústia e desespero, como os que experimentei por duas vezes no meio da Lagoa. A primeira vez, em 1981, numa manhã de domingo com muito sol e imenso vento. Uma ondulação violenta e eu de skiff (o similar a casca de noz). As tampas das caixas de ar ficaram em terra. A terminar o treino e após um longo e violento esforço, começo a ver a popa do barco a levantar-se para fora de água. Olho para trás de mim (frente do barco) e a proa do barco está completamente submersa. Acto continuo atiro-me para dentro de água e nado para terra, rebocando o barco. Felizmente estava já em frente ao parque de campismo e só tive que nadar 50 m com o barco a reboque.

A segunda vez, talvez em 1984/85, no centro da Lagoa e também de skiff, parte-se uma forqueta. Mergulho imediato e involuntário. Desta vez um pouco mais complicado, pois as distâncias muito maiores. A margem mais perto a de Óbidos e a meio do percurso a ajuda impagável de um windsurfista. Depois o regresso até à Foz do Arelho, pela margem sul, com o barco às costas e os remos nas mãos. Chegado em frente à Foz, foi novamente necessário nova sessão de natação com barco e remos a reboque.

Outros momentos em que estas amizades e cumplicidades se foram cimentando para toda a vida, foram aqueles em que, aproveitando a pequena indústria de construção naval que António Vidigal lançou (uma história para outros dias), se construíram alguns dos barcos que o clube utilizou na sua prática desportiva.

Ou seja os remadores caldenses envolviam-se desde o primeiro momento.

Primeiro construíam os barcos, para depois remarem neles.

Barcos esses que ainda hoje existem e que muito recentemente foram utilizados por alguns desses remadores (outra história).

O auge da actividade competitiva do Nautilus CR vive-se nos anos de 1982, 1983 e 1984, em que dois remadores caldenses, Rui Coelho e José Quintino , remando em double-scull atingem em dois anos consecutivos (82 e 83) o 2º lugar no Campeonato Nacional.

Num destes 2 anos, depois de uma época brilhante, no Campeonato Nacional e depois de terem atingido a grande final, lideram a regata inteira, quando aos 1.950 m, a 50 m da meta, o Quintino entra em total esgotamento e para de remar. São então ultrapassados pelos seus eternos rivais, ficando em 2º lugar.

Ainda neste ano esta tripulação foi seleccionada para a equipa nacional para participar nas provas internacionais em Vichy e em Luzerna.

Contudo, invejas e antigas rivalidades intrometem-se no percurso de sucesso destes remadores, impedindo-os de prosseguirem a sua participação.

Em 1984, após a construção de mais um barco para o Nautilus pelos remadores , um shell de 4, aposta-se numa tripulação de quadri-scull para disputar o Nacional. Constituem a tripulação, do proa para o voga, Pina, Quintino, Rui e António Vidigal (filho).

Após uma época em que se começa por remar e competir em double-scull e skiff, o barco fica pronto a tempo de se preparar o Campeonato Regional.

Sendo este, então, um barco novo no panorama do Remo nacional, só existia mais um clube interessado em disputar esta categoria. A Associação Naval de Lisboa.

Depois de muitos e intensos treinos (às 6h da manhã, ás 19h, ….) na Lagoa de Óbidos, parte-se para o Regional na Figueira da Foz.

Com umas péssimas condições, muito vento e muitas ondas e acusando a falta de experiência neste tipo de barco (com leme), a tripulação caldense “leva uma sova” dos seus adversários de Lisboa.

Grande desânimo por esta primeira experiência menos conseguida, mas um moral muito elevado para o Nacional, 15 dias depois em Aveiro (Rio Novo do Príncipe – Cacia).

Mais 2 semanas de treinos diários e intensos.

Em Aveiro, com um plano de água fantástico, largamos à frente e sempre à frente controlamos a regata.

A 500 m da chegada, intencionalmente ou não, o barco da ANL, que vem meio barco atrás, começa a empurrar-nos para a margem, apesar dos alertas do juiz árbitro.

A 100 m da meta, os nossos remos da esquerda (sota) batem nos caniços da margem e os da direita (voga) estão numa luta de paus com os remos da ANL.

Desespero total!

Esta estratégia não foi, contudo, suficiente para nos abalar e prosseguimos decididos e empenhados até ao final, conseguindo chegar em primeiro, conquistando assim o título nacional.

A violência do esforço foi brutal mas não nos impediu de soltar algumas boas gargalhadas no desembarque ao assistirmos ao nosso proa, o Pina, a desembarcar de gatas, pois não tinha força para mais.

Por motivos de saúde, no início da época seguinte fui impedido de continuar a praticar remo.

A equipa desmembrou-se e o remo pouco tempo depois acabou nas Caldas da Rainha.

Peço desculpa a muitos dos que vão ler estas linhas por não os referir, pois fizeram com certeza parte daqueles que ensinei a remar, mas que a memória não me ajuda.

Fazem parte desta história e desfrutaram tanto como eu e outros de umas boas tardes de sábado ou manhãs de domingo a remar na Lagoa de Óbidos.

(post do António Reis Vidigal)

terça-feira, 20 de julho de 2010

DESVENTURAS DE UM ESTUDANTE EM TORREMOLINOS EXCURSÃO DE 1980 - PARTE 1



Na Páscoa de 1980 realizou-se a excursão a Torremolinos, tão ansiada durante todo o ano.

Logo há chegada ao complexo Zodiaco em Benalmadena, nos arredores de Torremolinos, tivemos uma antevisão do que iria ser aquela semana, com um enorme aparato militar diante de uma das torres de apartamentos.

Uns estudantes do Maria Amália, mais acalorados tinham decidido lançar um dos electrodomésticos da cozinha pela varanda, directamente para a piscina. Como o patrulhamento da zona estava a cargo dos militares e não da Guardia Civil devido à ameaça de atentados por parte da ETA, foi mesmo com soldados em jeeps camuflados e armados de semi-automáticas que apanhámos logo pela frente.

Chegámos à torre onde se fazia o check-in geral, a Torre Piscis e no meio de toda a burocracia envolvendo a identificação, preenchimento de papelada e agrupamento por apartamento de todos os excursionistas, acabei com o meu BI retido como precaução da unidade hoteleira para o caso de sairmos sem pagarmos eventuais (quase certos, pronto!) danos que fizéssemos durante a estadia. Comecei bem!

E lá vamos nós! Tudo a correr para os apartamentos, a despejar o menos possível as malas e a colocar os consumíveis em qualquer lado que estivesse mais à mão, porque a nossa vida não era aquela e o tempo fugia!

Enquanto uns procuravam uns bares para comer uns cachorros ou hambúrgueres e entornar umas San Miguel, Cruzcampo ou Estrellas, outros marchavam para a piscina. As donzelas, mais ponderadas, faziam o levantamento local dos supermercados e drugstores e abasteciam-se de frutas e verduras. Quem mais se lembraria de cozinhar nos apartamentos?!

Nós pelo nosso lado estávamos bem providos de latas de salsichas da Nobre, feijoadas e chispalhadas da Frami, pão de forma e queijo flamengo, só nos teríamos que preocupar com as bebidas e com quem nos lavasse a louça!

Nessa noite fizemos a pé toda a avenida marginal até chegarmos a Torremolinos. Um percurso que passaríamos a fazer diariamente, nos dois sentidos, e logo após um jantar numa esplanada da Calle San Miguel, toca a conhecer a Movida Torremolina.

Chegamos à Avenida de Palma de Mallorca, a principal da cidade e onde se situam a maioria das discotecas, está infestada de estudantes e da belas raparigas que nos oferecem com um largo sorriso uns vouchers de desconto para discotecas. Quase escolhemos aonde ir pelas beleza das hospedeiras.

Vamos começar a primeira ronda da semana, Joy, Papillon, Gatsby, Borsalino, Eldorado, Tiffany’s, Jay-Alay, Palladium, Number One, Cleopatra, Boga-Boga (onde pela primeira vez vimos nevoeiro artificial), já não importa a quais fomos na primeira noite, foram muitas e continuámos nas outras noites, seleccionando-as e repetindo a visita às que gostámos.

Invariavelmente acabávamos na melhor de todas, o Piper’s Club.

Primeira noite, chego à porta do Piper’s e deparo-me de imediato com estudantes de Torres Vedras e com uma velha paixoneta, começamos bem, mesmo! Faz-me um sorriso enjoado e nem olhou mais para mim!

Adiante que a discoteca é grande e há mais gaivotas no ar (private joke!). Já aqui descrevi o Piper’s na crónica ‘’Poder en La Oscuridad’’ e o ambiente em Torremolinos em ‘’Durexes e Sais de Frutos’’ pelo que não me vou alongar muito nessa descrição.

Ficámos fascinados pela sua dimensão, pela sua decoração e pela tecnologia da segunda pista de dança que estava assente nuns hidráulicos o que lhe permitia subir e descer.

Faziam-se filas para ganhar um lugar numa cadeira baloiço gigante com lotação para oito pessoas e faziam-se filas no longo balcão cuja dimensão estava marcada pelo desenho da fita métrica que o decorava.

Rapidamente encontrámos um pouso certo para nos dedicarmos à ornitologia e ao birdwatching.

Como me poderia perder demasiado em detalhes irrelevantes, socorri-me a este ponto de um resumo cientifico da Spea – Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves sobre a nossa actividade enquanto permanecíamos no Piper’s.


COMO IDENTIFICAR AS AVES NOCTURNAS DA ANDALUCIA

A identificação de aves no campo constitui um desafio aliciante. Embora á primeira vista possa parecer algo relativamente fácil, a verdade é que pode ser uma tarefa bastante complexa e que exige alguma paciência. A tendência natural de quem está a dar os primeiros passos neste domínio é olhar para as aves como um todo. Deste modo podem perder-se muitos detalhes fundamentais para a identificação. Cada ordem de aves apresenta geralmente características próprias que as distinguem das demais. Assim, a primeira preocupação deverá ser aprender a olhar de uma forma selectiva para as aves. Há vários aspectos a ter em conta quando somos confrontados com uma espécie desconhecida:

Tamanho:

A correcta avaliação do tamanho de uma ave constitui o primeiro passo para a sua identificação. Sempre que possível, o tamanho deve ser calculado usando outras aves mais conhecidas como termo de comparação.

Cor:

A coloração geral da ave constitui um dos aspectos mais importantes a ter em conta. Convém notar que, sob luz desfavorável, as cores podem parecer diferentes daquilo que na realidade são.

Marcas particulares:

A maior parte das aves possui características particulares de plumagem que as distinguem das outras. Deve pois procurar-se qualquer marca que se saliente da plumagem. Se não existir, qualquer outra saliência evidente na silhueta produzirá o mesmo efeito.

Forma e silhueta:

A forma e a silhueta das aves constituem também boas características para auxiliar à identificação. A sua correcta avaliação permitirá, à partida, eliminar várias hipóteses.

Comportamento:

Muitas espécies de aves têm comportamentos característicos. A sua observação cuidada poderá constituir um bom indício para a identificação.

Cantos e chamamentos:

A maior parte das aves emite cantos e chamamentos distintivos. Escutar os sons produzidos pelas aves constitui uma das formas mais seguras de as identificar.

Em voo:

Muitas vezes apenas é possível observar as aves em voo. Normalmente, neste tipo de observações, tudo se passa muito depressa. A identificação tem de ser feita imediatamente pois, regra geral, não há segunda hipótese. O tipo de voo (planado ou batido, por exemplo) e a forma como se desenrola (em linha recta ou circular, por exemplo) constituem também elementos importantes.

Plumagens:

Em muitas espécies, as juvenis e imaturas têm plumagens diferentes das aves adultas e os machos têm plumagem diferente das fêmeas (excepto na Tailândia!). Para além disso, muitas espécies mudam de aparência consoante a época do ano, apresentado uma plumagem mais vistosa durante a época nupcial e ficando depois com um aspecto mais discreto durante o resto do ano (ou do casamento!)


O local escolhido foi então um patamar situado mesmo diante do bar e estrategicamente colocado junto ao famoso biombo translúcido.

Para os que andam por aqui a fazer turismo e não lêem as crónicas (agora temos um blog, sabiam? Podem aceder às crónicas e outros posts pelos títulos ou temas!) volto a descrever o famoso biombo e a sua finalidade.

Durante a noite várias dançarinas iam dançar à vez por trás de um biombo com painéis feitos num qualquer tecido translúcido o que permitia ver a silhueta da bailarina e os seus movimentos insinuantes.

Se no inicio o nosso interesse residia em ver as bailarinas ao vivo e a cores já que elas acediam às traseiras do biombo por uma porta aí situada e a sua passagem não era visível de outro ponto da discoteca, já ao fim de alguns dias o atrevimento era tal que nos permitia ir dançar com elas para trás do biombo quando não o deitávamos abaixo, com um ‘’ups, foi sem querer!’’ e um olhar rápido para os gorilas da segurança que nos marcaram logo muito cedo!


Voltaremos ao Piper’s numa outra noite.

Nessa mesma noite voltámos a pé para Benalmadena, fazendo ainda uma curta paragem numa ou outra discoteca situada pelo caminho. Sempre a beber um gin tónico para cobrir o consumo mínimo. Tivemos assim suficiente combustível para fazer os escassos 4 kms de marginal que mediavam entre as duas localidades.

Ao chegarmos ao Zodiaco fomos surpreendidos pela algazarra que vinha das zonas da piscina e como quem não quer a coisa fomos fazer uma patrulha para avaliar a situação.

A piscina estava com mais movimento que a piscina de S. Pedro de Muel num dia de Agosto! Dezenas de miúdas dentro de água e muitas sem se preocupar com o Dress Code apropriado!

Já esfregávamos as mãos … com o bronzeador, pensando em ir ao apartamento vestir um fato de banho, quando ouço alguém a chamar por mim de dentro da piscina. Olhei para o grupo de raparigas e não reconheci nenhuma, a menos que fosse alguma das que se escondiam por trás das outras ou que tinham submergido nesse momento. Decididamente era difícil passar anónimo na noite espanhola!

Aproximo-me da piscina e finalmente vejo quem me chamara. Uma bela morena de olhos verdes e uma estranha coloração branca nas pestanas. A Paula G. Tínhamos tido um curto namoro de Verão no ano anterior na Torralta do Alvor. Sem telemóveis ou net, acontecera o mesmo que aos outros namoricos de Verão fora da Foz. Adeus e até um dia!

Ela abre-me os braços com um enorme sorriso pretendendo-me abraçar e encharcar-me de alto a baixo. Tento não cair nessa mas agacho-me junto à beira da piscina para a beijar.

Quando dou por mim estou completamente debaixo de água, todo vestido e calçado!

O Filipe Monteiro do Pó, em excursão pela sua escola, o Colégio Manuel Bernardes, não encontrou melhor forma de me dar conta da sua presença e de como estava contente por me ver, senão dar-me um encontrão para dentro de água!

Ok. Ainda agora chegámos e já tinha meia Torremolinos a rir-se da minha situação!

Já não bastava a gaivota de Torres Vedras!


(continua)









M - Pop Musik 

terça-feira, 13 de julho de 2010

A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA - O FIM DA INFÂNCIA



Nos jardins das traseiras da casa do Pedro e do Ricardo Ferreira serpenteava encosta acima um carreiro em cimento ladeado por pequenos muros.

Não demorou muito para que verificássemos ser o local ideal para fazermos as nossas corridas de carros de rolamentos pois as ruas e becos da cidade que ofereciam alguma inclinação eram-nos vetados pelos nossos pais e só em zonas com menos trânsito da Encosta do Sol o poderíamos fazer.

Contudo alguns de nós, mais afoitos, ainda conseguimos algumas façanhas como descer uma vez a Rua do Diário de Noticias, de frente da casa dos Ballu Loureiros até ao Bocage e irmos bater de chapa contra o vidro deste café sem o partir.

Outras descidas famosas eram a que vai hoje do Bairro Azul (julgo que na altura ainda não existia e eram as traseiras da cerca e do palacete do meu amigo Francisco ‘’Pimpas’’ Ferrari Sobral) pelo silo até ao jardim-escola e a do outro lado do silo, junto ao posto da EDP e do outro jardim-escola até ao cruzamento que é hoje a rotunda perto do Centro da Juventude.

Claro que parávamos sempre antes dos cruzamentos!

E a mais longa das descidas conhecia duas versões. Ou começávamos onde é hoje o lar do Montepio nas traseiras da escola comercial e terminávamos junto à Garagem Caldas (a partir daí para a Praça de Touros já era perigoso!) ou iniciávamos o percurso na Rua Ramalho Ortigão, no cruzamento que dá para as traseiras da escola primária da Encosta do Sol, descíamos pela Rua da Olivença e depois retomávamos o percurso anterior da Rua Alm. Gago Coutinho, ao longo dos muros da Escola Comercial até à Garagem Caldas. Na altura não existia a Rua Leonel Sottomayor (a do CCC) e as zonas de controlo eram menores.

As corridas de carrinhos de rolamentos nos pomares dos Ferreira tornaram-se tão famosos que vinham garotos de outros bairros competir connosco. O Ricardo por ser o mais leve ganhava a maioria das corridas e alguns de nós eram tão competitivos que não faltavam reclamações de condução perigosa, cotovelos levantados, ‘’chegas p’ra lá’’, e outras faltas técnicas.

Examinávamos minuciosamente os rolamentos dos adversários e a estrutura de madeira de cada carrinho para tentar perceber as razões das nossas derrotas e havia sempre um factor de vantagem que encontrávamos nos vencedores para justificar as nossas ‘’coças’’.

Por essa altura o grupo alargara-se e também o Miguel Crespo, o Ricardo Ramos, o Diogo Sampaio de Guimarães competiam encarniçadamente nas corridas quase diárias que disputávamos.

O Pedro começou entretanto a comentar que o primo Ernesto Arroz lhe estava a preparar uma máquina que seria imbatível. Parecia o Mário Andretti a falar do novo Lotus 79! Mas o tempo ia passando e o Pedro mantinha a velha prancha de madeira.

Mas um dia o bólide apareceu mesmo. Uma estrutura tubular em aço com rodas de carrinho de bebé, julgo eu. Bem, aquilo já não era um carrinho de rolamentos, era tão legal como o Brabham ventoinha do Niki Lauda no campeonato de 78!

Levámos logo uma abada e o carrinho teve que ficar apenas para exibições não competitivas a bem do interesse da competição.

E assim, eu e todos os outros passámos uns dois anos ocupados a tentar ganhar os campeonatos – que eram organizados aos pontos ou por sistema de eliminatórias em competição aos pares – e a tentar não perder as corridas o que daria logo direito a ter de comer de uma assentada uma das laranjas amargas (não, amargas era apelido!) de uma laranjeira muito especial que ficava junto à curva dois!

Foram dias e dias , manhãs e tardes bem passadas, desfrutando daquele tempo em que tínhamos todo o tempo do mundo e que parecia que o dia de amanhã não seria muito diferente do dia de hoje como não o fora do dia de ontem.

Até que um dia, o Miguel chegou a correr com a novidade. O pai acabara de lhe oferecer uma pequena moto que por ter menos de 50cm₃ poderia ser conduzido com uma simples carta de velocípedes. Corremos para a rua e olhámos extasiados para a pequena mini-Casal e para o capacete que o Miguel orgulhosamente ostentava.

Fizemos fila para dar uma volta com o Miguel e depois ele despediu-se para ir dar uma volta de moto com a Nini Gouveia e com o Jorge Magalhães, seus vizinhos de bairro.

Voltámos um pouco cabisbaixos para o jardim retomando os pequenos carrinhos de rolamentos.

Durante mais uns dias fizemos novas corridas já sem o Miguel mas parecia que o entusiasmo se esmorecera.

Com a ausência do Miguel e por causa da sua nova mota, os carrinhos pareceram-nos então uma brincadeira de crianças, que nós éramos… que nós fôramos!

E percebemos então que nada seria como dantes. Que as brincadeiras no jardim estavam a acabar e que o inicio de um novo ano lectivo, já no liceu do parque, nos levaria a uma nova etapa das nossas vidas e que com isso uma outra terminara.


A nossa adolescência ia começar!
 
 
Terry Jacks - Seasons in the Sun

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A VOAR NAS ASAS DA AVENTURA

 As Famosas Sapatilhas que nos fizeram percorrer centenas de KM`s.............. :):)



Corria o ano de 1979 o Inverno não estava a ser muito frio. O primeiro período do Ano Lectivo na Rafael Bordalo Pinheiro estava a decorrer muito bem e o pós Escola estava a ser fabuloso. Treinava duas modalidades, Voleibol na casa do Benfica (Terça, Quinta e jogava aos Sábados) e Andebol no Sporting das Caldas (Segunda, Quarta e Sexta e jogava aos Domingos).

Naquela altura equipamento desportivo de topo não havia nas Caldas, todos nós continuávamos a saltar e a competir com as velhinhas Sanjo (sapatilhas) que com a sua palmilha ergonómica nos ia ou deformando os pés ou minorando os impactos com o solo.

É numa destas equipas (Sporting das Caldas) que me cruzo com o meu grande amigo Joca Pimenta, nessa altura éramos os mais novos dessa equipa de Andebol que o Nunes da pequena Papelaria entre a Tália e a Taiti da rua das Montras, teimava em manter em condições de competição, tais como o André, Pedro, Chico Carrilho, Nelson entre outros, todos eles mais velhos do que nós o que nos valeu uma época de calduços e beliscões nos treinos de ataque, defesa e permeabilidade do Pivot.

Foi decerto um ritual entre atletas que passámos com alguma irreverência e troca de mimos. Durante os treinos, também nos “esquecíamos” de vez em quando de parar o braço ou o joelho forçando o contacto físico possível com os mais velhos, fabricantes dos calduços.

Foi por essa altura que surgiram noticias desportivas a nível internacional, poderemos mesmo dizer uma enorme surpresa, a Selecção Nacional de Voleibol Cubana sagrou-se campeã Mundial, contrariamente ás expectativas, pois a média de alturas era de 1,73m, mas saltavam e tinham uma capacidade de impulsão inacreditável, que aliado ao baixo centro de gravidade produziu uma equipa de eleição.

A imprensa desportiva empolou esse fenómeno, já que as outras equipas tinham como média de altura 1,99m, esse caso não nos passou despercebido tanto a mim como ao Joca. O que nos motivou imensas horas de conversa, empoleirados nas nossas motorizadas à porta do Pavilhão Desportivo da Mata uma Sirla com motor Casal de 5 velocidades e uma Boss com motor Casal de 2 Velocidades, kitada com um cilindro de 5 velocidades.

É numa dessas conversas que chegamos à conclusão que todos os Jogadores Cubanos contrariamente às outras equipas utilizavam, umas sapatilhas da marca Tiger (o nome Asics, já aparecia na marca, mas num tamanho muitíssimo pequeno). Foi numa dessas secções de conversa de pós treino na Mata que o Joca propôs uma ida a Badajoz em busca de umas sapatilhas dessa marca e devidamente adaptadas ao andebol que nos poria a saltar muito mais que os mais velhos…

Após amadurecida a ideia, entre nós com a parte Logística devidamente planeada, decidimos pedir aos nossos Pais, e ai começam as primeiras chatices, pois o nosso pedido para fazer uma viagem de motorizada Caldas /Badajoz, não foi bem aceite, mas após alguns forcing´s da nossa parte, lá veio o despacho positivo da entidade Paternal.

A viagem só poderia ser feita nas férias escolares, tendo ficado decidido entre nós que a iríamos iniciar numa quarta-feira, na semana de férias antes do Natal.

Nesse dia levantamo-nos cedo de modo que começássemos a viagem por volta das 9h00 da manhã e foi, realmente isso que fizemos.

Tínhamos preparado as”máquinas” na véspera, com o saco de viagem amarrado com uns elásticos no sítio do pendura, depósito de combustível cheio, níveis de óleos e pressões de pneus, no top.

Às 9h20 começamos a viagem, passamos o quartel do exército, nessa altura ainda RI 5, iniciando de seguida a subida das Gaeiras é ai que a Casal Boss do Joca decide não colaborar e pára. Bom, ficamos incrédulos, mal tínhamos saído das Caldas e já tínhamos ficado apeados. Decidimos rapidamente voltar para trás em direcção ao Pina que na altura tinha uma oficina de bicicletas e motorizadas, na rua do Parque.

Tanto lhe moemos a cabeça que ele acedeu em retirar o motor e repara-lo, com o material que tinha em stock e assim o fez, mas a meio da reparação deparasse com um valader partido que não iria permitir seleccionar as duas mudanças, tendo o Joca decidido ficar só com a segunda mudança. Almoçamos por ali mesmo, tendo como ementa o lanche para a viagem.

Durante esse tempo de reparação da Boss nada dissemos aos nossos Pais, por volta das quatro da tarde finalmente a Boss do Joca estava a trabalhar, mas somente com uma mudança, e foi assim, que nos piramos para Badajoz.

Verificamos logo que nas subidas mais inclinadas a Boss não subia, o que valeu ao Joca voltar para trás varias vezes para ganhar uma velocidade que lhe permitisse voltar a subir, com sucesso aquele espaço. Com o decorrer da viagem, e passado a zona da Espinheira, Cercal, Alenquer, surgiram finalmente as rectas de Vila Franca que nos iriam, fazer descansar um pouco.

Quando passamos o Porto Alto já íamos de luz ligada, ou seja era essa a hora que tínhamos previsto chegar a Badajoz e ainda estávamos no Porto Alto. Era Inverno e essa noite estava a fazer jus à estação. Apesar de levarmos, uns casacos o frio estava ali a fazer-nos lembrar que teríamos de nos proteger ainda mais.

Continuamos a viagem sem mais paragens, em direcção a Pegões, eu ia à frente tipo batedor, pois a minha luz era mais eficiente que a da Boss que mais parecia um pirilampo irritado que não parava quieto sempre aos tremeliques

Até que de repente como que acordando de uma melancolia provocada pela recta, sempre apadrinhada pelos pinheiros mansos que ainda hoje continuam a fazer sombra à estrada, olhei para trás massssssssssssssss, o Joca não estava lá, não me seguia….voltei de imediato para trás e encontrei o Joca uns seis quilómetros atrás, com cara de poucos amigos, dizendo-me que tinha gritado e que eu não tinha ouvido…Existia então outro problema com a famosa Boss, tinha furado…a roda traseira.

Bom, para aquele problema a nossa logística tinha resposta e lá começamos a retirar a roda, só que o frio estava a marcar presença de uma forma que os nossos dedos não tinham capacidade de resposta e pouco tempo depois, deixamos a reparação do furo pois os dedos já não nos respondiam, estavam brancos….foi ai que começamos à procura de lenha para fazer uma fogueira para que conseguíssemos aquecer as mãos e aquela zona onde estávamos.

A lenha que conseguimos reunir estava molhada ou húmida e da maneira convencional com fósforos não conseguíamos fazer com que a combustão se mantivesse, foi preciso retirar o tubo de gasolina da minha Casal e canalizar alguma gasolina para cima da lenha para que finalmente a fogueira ganhasse chamas para nos aquecer, pois a hipotermia estava muito perto.

Ganha a batalha da temperatura, remendámos o furo à luz da fogueira, ficando à sua volta pelo menos meia hora, tempo suficiente para nos recompormos e secarmos a roupa molhada entretanto por um aguaceiro que nos brindou com a sua passagem.

Metemo-nos a caminho e a partir dali o Joca foi à frente, ficando eu na posição de seguidor. Foi dessa forma que seguimos por Pegões, Vendas Novas, Estremoz, Arraiolos, Terrugem (sitio onde o Pai do Joca nasceu), e finalmente chegamos a Elvas, à casa do tio do Joca, quase brancos de frio.

O tio do Joca alguns minutos depois, perguntou-nos como é que nós tínhamos ido. Explicamos ao Sr. que tínhamos ido de mota, ele ficou preocupadíssimo e desceu rapidamente, pelas escadas para nos ir guardar as famosas Bombas, mas para grande espanto nosso, voltou pouco depois, dizendo-nos” …bom naquelas bicicletas ninguém pega ….”Com a sua pronúncia alentejana.

Estávamos de tal maneira cansados que, mal nos deitámos, adormecemos tipo pedra do período jurássico. No dia seguinte, vestidinhos de novo, lá fomos fazer a famosa compra das sapatilhas Tiger, eu com um blazer e uma camisa cinzenta (completamente desajustado) o Joca de pulôver à pipi do ténis.

Nessa altura tínhamos de parar na Fronteira para mostrar os documentos, o Guarda fronteiriço que nos fez o check in, olhou para as tais “bicicletas” perguntando-nos em ar de gozo…”mas vocês vieram das Caldas da Rainha nisso?..” nós com um ar de inocência, rimos e respondemos com o capacete na cabeça, abanando-o no sentido de cima para baixo, confirmando a resposta da pergunta.

Chegados a Badajoz, era a minha primeira vez por terras do reino de Leão, descobrimos logo que não era preciso usar capacete para circular nas tais motorizadas, visitamos alguns centros comerciais que na altura achei extraordinário, mas ficamos algum tempo pelos Preciados deambulando por aqueles sectores de artigos todos eles muito mais baratos que nas Caldas. Mas de sapatilhas Tiger nada de nada….

Decidimos ir procurar nas Lojas da especialidade, começamos a nossa odisseia das lojas desportivas, até que finalmente deparamos com um representante das famosas TIGER, olhamos um para o outro com um sorriso cúmplice…finalmente elas estavam ali à mão de semear.

Entramos na Loja e remexemos em quase todos os modelos dessa marca, quase que me ia apaixonando também por umas Stan Smith, que estavam ao lado, mas como só tinha dinheiro para um par tive de manter o objectivo que já estava traçado, TIGER. Eu comprei umas Tiger de Desportos de Pavilhão Azuis e o Joca umas Tiger super leves cinzentas.

Finalmente todos inchados saímos da Loja pois tínhamos conseguido as tais Tiger que faziam, pensávamos nós os Cubanos saltar mais alto que todos os outros e além disso tínhamos conseguido o nosso objectivo.

O dinheiro nessa altura já era escasso, mas tínhamos fome, depois de sondar o mercado à volta deparamos com um carrinho de rua que vendia cachorros que eram aquecidos de uma maneira que nunca o tínhamos visto, eram introduzidos num ferro Inox bicudo, depois punham a salsicha dentro desse buraco, começamos a comer os tais cachorros, mas não tínhamos nada para beber fomos andando para baixo na rua em direcção ás “bicicletas” , quando passamos pelo Simago que na altura era Famoso pelos seus batidos, soubemos mais tarde.

Decidimos comprar 1 litro de batido de Morango para cada um que foi dificilmente bebido pelos dois, tal era a dose e a consistência do batido que misturado com o cachorro deu mais tarde muito que fazer.

Voltamos então para Portugal, onde fomos brindados com uma carga de água que nos fez ficar com a roupa toda molhada, mais parecia o festival da camisa molhada, com os bicos dos mamilos a gritarem por piedade, tendo o tal guarda da fronteira feito sinal para passarmos sem parar. O resto desse dia foi passado a adorar as sapatilhas e a secar a roupa que tínhamos toda molhada, bem com a preparar a vinda para as Caldas da Rainha pelo mesmo caminho.

Na manhã do dia seguinte começamos a viagem, sempre com o Joca à frente e agora de dia. Sempre que aparecia uma subida mais íngreme, eu esticava a perna apoiava o pé na parte de trás da Boss do Joca e empurrava-o até ao final da subida, fazendo com que chegássemos a Vila Franca mais cedo do que o previsto por nós, fazíamos 50 km/h o que nos valeu uma viagem de regresso sem percalços com umas paragens para beber agua em algumas das fontes que nessa altura ainda existiam junto às estradas

Com o aumento do trânsito, na estrada nacional que passava por Alenquer, passei num cruzamento à frente do Joca, quando cheguei à saída de Alenquer, olhei para trás e o Joca já não estava lá outra vez, esperei um pouco e lá vinha ele com a sua diabólica Boss, que fez Caldas/Badajoz e Badajoz/Caldas somente com a segunda velocidade…de facto uma resistente, tinha voltado a descer para ganhar balanço para subir a ultima parte da subida de Alenquer.

Até às Caldas, não mais perdi o Joca, tive muito trabalho pelas subidas da Espinheira e Cercal. A minha Casal passou o teste e ainda conseguimos ajudar, devagar é um facto, a Boss do Joca a suplantar as dificuldades das subidas.

As sapatilhas fizeram um furor na altura, aliás acho que somente as descalçava quando tinha que dormir …..mas a tal questão de ajudar a saltar mais alto ..”essa” infelizmente não nos serviu de muito.

Há alguns dias, em conversa com o Joca, verificamos que ainda temos na garagem as famosas “Bicicletas”…quem sabe se não nos iremos por a caminho outra vez, afinal de contas foi há trinta anos …..Como o tempo passa como se nada fosse ……e uma boa aventura é sempre boa de repetir. Bom o elenco está um pouco mais pesado ….e o guarda roupa já não existe….mas há a jovialidade de sorrirmos com isto outra vez ……


Lanço um desafio .....Deixem as vossas crias continuarem a voar............eu fartei-me de Voar nas Asas da aventura...

Equipa de Voleibol da Casa do Benfica

.Nesta foto: Pedro Vilaça, Vilaça, Rui Pedro, Buiça, Paulo Nascimento,
António J F Albano, Paulo Zelú, Adelino, Almeida, Zé Matias, Querido,
António Querido, Nelson, Nelson Verissimo
 
Equipa de Andebol do Sporting das Caldas

.Nesta foto: Manuel Nunes, André, Chico Carillho,
António J F Albano, Nelson, Pedro
 
(post do António José Albano)

POEMA À AMIZADE DE FERNANDO PESSOA



Um dia a maioria de nós irá separar-se.

Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,

das descobertas que fizemos,

dos sonhos que tivemos,

dos tantos risos e momentos que partilhamos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia,

das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...

Do companheirismo vivido.


Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou

por algum desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...

nas cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...


Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto

se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo....


Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias

e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?"

Diremos...que eram nossos amigos e......

Isso vai doer tanto!

-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes

novamente......


Quando o nosso grupo estiver incompleto...

Reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.

E, entre lágrima abraçar-nos-emos.

Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes

daquele dia em diante.


Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar

a viver a sua vida, isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo.....


Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:

não deixes que a vida passe em branco,

e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....

Eu poderia suportar, embora não sem dor,

que tivessem morrido todos os

Meus amores,

mas enlouqueceria se morressem todos

os meus amigos!"


Fernando Pessoa

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UM VINHO DO PORTO COM MAIS DE TRINTA ANOS




Estávamos em 1978 na primeira Feira da Fruta realizada no parque das Caldas (Parque D. Carlos I para os que não sabem!).

Foi uma grande experiência em termos profissionais e uma verdadeira festa em termos pessoais. Adorei todos os momentos daqueles 10 dias de Feira, os stands alinhados nas alamedas e veredas nobres do parque, da Casa da Cultura (antigo casino) ao Ténis, no Parque das Bicicletas e por trás do museu e daqui até ao roseiral, da esplanada ao longo do lago circundando-o até à Casa da Cultura.

Três palcos de variedades (dois junto ao roseiral e um terceiro na ilha do lago), Rao Kyao ao vivo a tocar o álbum Bambu…

Manhãs, tardes e noites de festa, com muita gente vindo de todos os cantos do país, aproveitando a praia, a Feira do 15 de Agosto, o Torneio de Ténis com o nome do meu avô Francisco e a saison das Touradas de Caldas e Nazaré.

Meio Liceu e meia Bordalo Pinheiro estavam presentes, trabalhando nos stands ou nos serviços de apoio, quase ninguém faltou e os que não arranjaram um emprego passavam por lá o dia confraternizando e provando os petiscos e amostras de cada stand.

Mas foi também um momento de novas amizades, algumas que perduraram até hoje.

Para muitos foi apenas o inicio de um reencontro anual que fazíamos com muitos que só nos visitavam por essa altura. Lembro-me do grupo da Covilhã da Cooperativa de Orjais (Alô Número Uno!) o grupo sensacional do Porto e Coimbra que apareciam com demonstrações das avós da Bimby, os electrodomésticos multi-usos Steca – ‘’o robot da cozinha’’ (Duarte, Zé Manel Moura Guedes, Chico Pavão) e que de tão divertidos juntavam autênticas multidões diante do seu stand enquanto decorriam as demonstrações de confecção de sopas, batidos e sobremesas!

Lembro-me também do Duarte do Pavilhão da Madeira que tinha um sotaque tão cerrado que mal se fazia entender. Um dia estávamos todos a contar anedotas e no meio da conversa o Duarte – que era bem mais velho do que nós – disse que não se podia estar a rir porque alguém que lhe era familiar acabara de morrer e começou a contar os pormenores do seu falecimento. A Paulinha Nascimento não estava a entender nada e pensou que ele estava a contar uma nova anedota, como no fim ninguém se rira ela sentiu-se na obrigação de ser solidária e deu umas gargalhadas forçadas perante o nosso espanto e gozo e o ar consternado do Duarte.

O stand onde trabalhava ficava mesmo diante da esplanada e um pouco mais abaixo, ao lado da esplanada ficava o stand do Instituto da Vinha e do Vinho. Era um dos stands mais concorridos pois faziam degustações de vinhos de mesa e de Vinho do Porto. Era uma autêntica azáfama para quem nele trabalhava, a Nela, a Guida ‘’Grande’’ e a Guida ‘’Pequena’’ (era assim que eu as nomeava para as distinguir).

As três primas eram giríssimas e amorosas e acabávamos as noites sempre no seu stand a fazer degustações de vinho do Porto e a receber miniaturas de garrafas de várias marcas do dito cujo.

Essa colecção que eu formei, guardei-a durou até há um ano data em que o meu sobrinho Manel me convenceu a doá-la (dizia ele que iniciara uma colecção!Pois!). Foi emborcada em duas noites pelo Manel e seus amigos!

Salvou-se uma pequena garrafa que ficara esquecida!

Nos olhos da Margarida Grande à la Elizabete Taylor podia-se ver o céu! Mas era a Margarida Pequena quem me atraía.

No último dia da Feira iniciou-se uma tradição que se estendeu até ao fim das feiras no parque. Após o encerramento da Feira, os expositores distribuíam tudo o que tinham nos stands pelos seus colegas dos outros stands e cada um fazia um cabaz de víveres que levava para casa. Antes disso, juntávamo-nos todos na ilha do lago e fazíamos uma grande festa de confraternização com música ao vivo e uma churrascada.

Nessa noite as primas brindaram-me com uma garrafa de Vinho do Porto e eu fui para a ilha com a Margarida Gaspar e os seus primos, o Fernando, o Pedro e o Armando Vila Verde e a garrafa por baixo do braço.

O pior foi que, na maluqueira dos nossos 15 anos, para me armar à frente da Margarida decidi abrir a garrafa e ir bebendo. Despejei a garrafa toda naquela noite!

Podem imaginar a bebedeira e o tamanho da ressaca. Acreditam que essa ressaca dura até hoje e não que consegui mais beber vinho do Porto?

Bem mas a minha amizade com aquelas meninas e os seus primos dura até aos dias de hoje, nem parece que foi há já trinta e dois anos!

Nem parece que foi há trinta anos que a mãe e a tia da Margarida nos punham aos dois a lavar os pratos sempre que eu ia jantar à sua casa de férias em S.Martinho. Era galhofa certa toda a noite e a louça demorava três horas a ser lavada!

Nem parece que foi há trinta anos que pus a Margarida sentada à amazona no quadro da minha bicicleta para irmos a casa do Tó e da Gúgú e nos espetámos contra a senhora que vendia bolacha americana na praia de S. Martinho e lhe partimos as bolachas todas!

Nem parece que foi há quase trinta anos que nos juntávamos, eu a Margarida, o Nuno Cardoso Lemos e o Diogo Alpoim, a Sofia Pinto Coelho, a Xú-Xú e a Paula Antunes, todos na Toyota Hiace da Sofia Fonseca para irmos ao Deck e ao 2001 ou ao Seagull!

Parece impossível pensar que foi ainda ontem que a Margarida vivia em casa dos seus pais na Rua de S. João Nepumeceno e que eu ainda hoje me lembre do seu número de telefone!

Uma amizade tão longa e e calorosa quanto um bom Vinho do Porto.

Hoje a Margarida faz anos (finalmente Margarida lembrei-me disso em tempo útil!) e como excepção, vou abrir a pequena garrafa de Vinho do Porto que me restou e bebê-la, fazendo um brinde à nossa antiga, genuína, doce, calorosa e especial amizade de trinta e tal anos.

Como um bom Vinho do Porto!

À nossa amizade Margarida. Feliz Aniversário!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA - O PRIMEIRO SOTÃO DO KIKO


No segundo prédio à esquerda de quem sobe a Rua do Parque, a que nós chamávamos naquele tempo a Rua dos Burros, devido ao elevado número de estrebarias que existiam nessa rua, em áreas agora ocupadas pelas lojas de Móveis Ferreira, ficava o primeiro sótão do Kiko.

Ao contrário do que muitos da minha geração supõem, o Kiko teve dois sótãos distintos, cada um num prédio da família.

A família materna do Kiko (Francisco Miguel) Pessoa e Costa, os Machado, tinha grandes raízes nas Caldas e era proprietária de vários prédios na Rua do Parque e na Rua de Camões, o nome da Pastelaria Machado deriva do facto de ter sido um seu familiar o primeiro proprietário da provavelmente mais conhecida pastelaria caldense.

O avô materno do Kiko, vivia na linda casa que existia então na esquina da Rua de Camões com a Rua do Parque, à entrada tinha um bonito portão de ferro que dava para um pequeno pátio onde cresciam seculares buganvílias roxas que davam uma cor pitoresca àquele ponto da rua, depois subia-se umas escadinhas de poucos degraus para a porta principal. Julgo que por altura do primeiro sótão, esta casa estava dividida em duas fracções vivendo no piso de baixo a avó materna da Bibú e da Vani Castro.

Seria nessa casa de esquina, onde mais tarde foi a sede do Partido Socialista, que o Kiko criou o segundo sótão por onde muitos passaram na sua adolescência.

Mas desse sótão nos ocuparemos numa outra crónica. Para esta o que interessa é contar as aventuras do primeiro sótão.

O Kiko vivia em Lisboa, na Rua Santana à Lapa, só mais tarde se mudou para Carcavelos, mas todos os fins de semana, fosse Inverno ou Verão, vinha para as Caldas com os seus pais e os seus dois irmãos mais velhos. Claro que as férias escolares também eram passadas nas Caldas.

À espera da família tinham a dedicada e amiga Amélia que tratava da lida da casa e muito ajudou na criação do Kiko. Recordo-me de ir almoçar e passar uma tarde na casa da Amélia, no Bairro da Ponte e ver o seu pai ou marido, não me recordo bem de qual, a utilizar um pequeno pião para fazer o Totobola. O pião tinha quatro faces, como um cubo com uma pequena pega em cima e um ponteiro em baixo, uma das faces estava em branco ou tinha um qualquer logótipo, mas a outras três faces tinham os três símbolos do Totobola, ou um 1 ou um X ou um 2. O senhor punha o pião a girar e conforme o lado que ficava para cima quando o pião tombava, era colocado o respectivo símbolo no boletim do Totobola. Não sei se o fazia para todos os jogos ou apenas para aqueles que lhe ofereciam dúvidas. Nós olhávamos maravilhados para aquele sistema que desconhecíamos e aguardávamos que nos fosse oferecida a possibilidade de fazer rodar por uma vez o pião. Era muito engraçado!

Eu julgo que foi desta convivência com a Amélia e das suas refeições e estadias em casa desta que nasceu a amizade do Kiko com aqueles rapazes do Bairro da Ponte que deram origem a uma renovada SAPEC-BX (esta já existia há muitas décadas constituída por outras gerações) e que culminou com a criação do segundo sótão que foi um local de convívio partilhado quer por estes seus novos amigos quer pelos seus amigos de infância do tempo do Casino e que criaram o Sotão dos Crespos.

Voltemos ao Sótão do Kiko. O prédio onde se situava o primeiro sótão, era como referi, o segundo do lado esquerdo de quem começa a subida da rua vindo do lado do parque. Na realidade era por aí que geralmente vínhamos, pois os encontros eram invariavelmente feitos no Casino e daí saíamos pelo primeiro portão à direita, mesmo diante da casa do seu avô.

É inútil procurarem hoje por esses dois prédios pois foram vendidos e demolidos em bloco para dar origem a um novo edifício. E com isso se perderam duas casas lindas e pitorescas que embelezariam as nossas Ruas de Camões e do Parque.

Na casa do Kiko entrava-se por uma estreita porta e deparava-se-nos de imediato umas escadas íngremes que davam para um corredor, as primeiras duas portas, à direita e à esquerda conduziam a salas.

Era por este corredor e nestas salas que eu e o Kiko fazíamos intermináveis corridas de automóveis em circuitos delineados com lápis de cor alinhados em fila indiana.

O Kiko tinha uma colecção de carrinhos bem melhor do que a minha, na sua maioria eram modelos da Norev (a Solido só apareceria uns tempos depois!) à escala 1/43 e comprados no Turita, enquanto os meus carros eram da Matchbox ou da Majorette à escala 1/72 comprados na Tália e na Átila. Recordo-me do meu orgulho quando apareci com os primeiros dois carros da Corgi Toys, então à escala 1/43, comprados naquela grande loja que vendia também kits de modelismo e aparelhos de pesca e que ficava diante da Farmácia Freitas, na Rua da Liberdade. Eram o Yardley-MacLaren M19 do Denny Hulme e o JPS-Lotus 72 do Emerson Fittipaldi, ambos do Campeonato do Mundo de F1 de 1971, mais tarde o João Gancho haveria de me dar o seu Oxo- Surtees TS9A do mesmo campeonato.


Os carros do Kiko eram mais pesados e rodavam menos que os meus levezinhos da Matchbox mas estes eram incontroláveis e invariavelmente despistavam-se nas curvas mais apertadas dos circuitos.

Estas corridas duravam dias e os carros tinham de ficar na mesma posição de um dia para o outro, fazendo com que toda a família tivesse que ter muito cuidado onde punham os pés enquanto caminhavam pela casa!

Então, a pedido da Zé, mãe do Kiko, passámos o nosso campeonato para o Sotão.

O já falado corredor desembocava na cozinha e à esquerda, dentro da cozinha, ao lado da grande chaminé do fogão, abria-se uma porta que dava para as estreitas escadas de madeira que conduziam ao sótão.

Este era esconso nas extremidades, embora sempre com um grande pé direito, tinha uma divisão junto às escadas mas de resto era amplo e recheado de mobílias e de quadros e retratos antigos. Um desses retratos iria servir-nos de inspiração mais tarde!

A nossa primeira utilização para o sótão foram as ditas corridas de carrinhos e alguns jogos que dariam origem mais tarde aos Jogos Olímpicos do Casino, organizados pelo Kiko e que consistiam em jogos de salão disputados no sotão, jogos de laranjinha e tiro com arco disputados no jardim do Casino, jogos de ténis e de ping-pong realizados no parque, corridas a pé na versão curta (do casino ao coreto, dando a volta e regressando), média (volta ao lago com partida e chegada no casino) e longa (volta ao parque com partida do casino pela aldeia dos macacos até ao ténis, correndo sempre junto aos muros em direcção ao parque de campismo, passando por trás do museu em direcção ao portão que dá para a Bordallo Pinheiro, tornando pelo palmeiral, por trás da casa dos guardas, passando o Salão Ibéria e seguindo em frente de novo em direcção ao Casino). Realizavam-se ainda corridas de bicicleta no recinto das bicicletas (onde se alugavam bicicletas que vinham daquela oficina que ficava na Rua de Camões) e mais umas provas na praia (prego, ring, badminton, etc. - Tudo menos natação porque o Kiko não sabia nadar e as provas eram sempre à sua medida!).

Com o passar do tempo haveríamos de dar um novo uso ao Sotão. Em 1969 os três irmãos Barreiros, do Porto, formaram com um amigo um conjunto chamado Mini-Pop. Actuaram em 1971 em Vilar de Mouros e em 1973 participaram no Festival da Canção. Tinham na altura da sua formação entre 7 e 11 anos. Gravaram dois singles e o seu maior sucesso foi uma versão de "A Casa" (Era Uma Casa Muito Engraçada), julgo que da Pandilla. Mais tarde, já crescidinhos haveriam de formar os Jáfumega!

Claro que ficámos fãs dos Mini-Pop e decidimos formar nós próprios um grupo musical. Os Mini-Glow, a verdade é que nos chamávamos Mini-Glo mas como isso não quer dizer nada, eu agora fiz a devida correcção! Era constituído, na maioria das vezes por mim, o Kiko, o Diogo, o João Gancho, o Ricardo Ramos (Geada ou Rato conforme as estações do ano!), o Jaime e no Verão pelo Pedro e o Miguel Calisto.

Não percebíamos nada de música nem tínhamos instrumentos mas há boa maneira de alguns grupos vocais que ouvíamos na rádio ou no programa Dó-Lá-Si aos sábados à tarde, tocávamos com as vozes.

Arranjámos alguns instrumentos para o karaoke. Eu tinha uma viola de brincar comprada ainda nos Armazéns do Chiado que ficavam ao fundo da Praça onde agora fica o Banco Millenium, arranjámos umas pandeiretas com desenhos de dançarina minhota numa loja da praça, umas gaitas compradas na feira da mata e construímos o nosso instrumento preferido, uma bateria! Era constituída por vários tambores de cartão de detergentes Skip e Renamatic e a fazer de pratos tínhamos umas latas de bolachas litografadas em latão!

O Kiko era simultaneamente baterista e vocalista (o microfone era o cabo de uma vassoura!), prerrogativas do dono da casa!

Passávamos as tardes a ensaiar e nos intervalos, entre refrescos Dawa e bolachas Maria, desfrutávamos da leitura das revistas Photo e (o mais ousado para a época) Oui! gamadas à socapa ao Zé Pedro e ao João Luis, irmãos do Kiko.

Cantávamos covers como o Closorais, versão de quem não sabe falar inglês do All My Loving dos Beatles! (ouçam-na e depois percebem porquê!), do My Bonnie e de outras músicas que ouvíamos então nas matines do casino cantadas pelos Xaranga Beat.

Contudo o cover mais tocado era o grande clássico:

São pipocas ao almoço
São pipocas ao jantar
Mas o raio das pipocas
Não há meio de acabar!

Algum tempo depois o nosso John Lennon/Ringo Starr apareceu com umas letras e finalmente começámos a ter alguns originais. Bem, meio originais já que a música vinha sempre de qualquer lado!

Ora experimentem este grande clássico dos Mini-Glo com a música do anúncio da Laranjina C que está algures por aí arquivado no nosso blog:

Uma pomba caiu do céu
Vinha a cantar e a dançar
Vinha a brincar com um papel
Um papel para embalar

A crítica social também não nos escapava e o objecto de todas as nossas partidas era o pobre do contínuo do Casino que teve de nos aturar durante anos a fio, o Sr. José Solteiro.

Solteiro mas casado
Pela terceira vez
Da primeira viúvo
Da segunda divorciado
Será que há terceira é de vez?


Algum tempo depois a música já não era bastante para nós e decidimo-nos a criar uma companhia de teatro. A propósito de um retrato de uma antepassada do Kiko que estava jogado a um canto do Sotão, criámos a peça ‘’O Espirito da Ti Jaquina’’, que metia uma fantasma e uma família e que conhecia uma nova versão todos os dias. Lembro-me que com o João Gancho e com o Jaime era completamente impossível de ensaiar e representar porque nos escangalhávamos a rir com as suas caretas e as suas deixas!

Por onde andará o Jaime? Estive anos sem o ver e de repente em 1998 olho para a televisão quando estava a passar uma reportagem da inauguração da Expo e reconheço-o vestido de Drag Queen cheio de lantejoulas e com um turbante com plumas roxas e violetas! Com aquele falar sissiado característico e agora com mais maneirismos, fazia uma peixeirada de todo o tamanho com a repórter, dizendo que tinha vindo de propósito da Suiça para fazer uma performance na Expo mas que estava tudo mal organizado e que assim o país não andava! Querido Jaime, antes este país de afectos que toda a organização da Suiça!

Quando enfim nos sentíamos preparados para o grande público fazíamos sessões para toda a troupe do Casino e lá vinham assistir , os primos Azevedo e Castro, a Ritinha, o Mário Filipe, a Filipa, a Mafalda e o Luis, os Calistos, a Luisa, a Ana Margarida, a Teresa e a Patricia que os outros eram muito pequenos, os titos, o Chico, o Toni e o João, a Mana Inês, os Moreiras, o João, o Marcos e a Isabel, a Carla Correia Mendes, a Guida Sousa, a Isabel Ramos Coelho, a Lúcia, o Zé Miguel, a Guida e a Graça, a Susana Ramos, a Kika Gancho e as minhas irmãs, e muitos outros, até a Debbie veio um dia, mas a Debbie e a família da Debbie dão uma outra crónica!

Foram tardes e tardes felizes e divertidas e o mais importante é que na grande maioria mantemos todos a amizade e o contacto.

Falta o Kiko que hoje pouco vem às Caldas…

e a Debbie…

e o Jaime!

Por onde andará o Jaime?! Drag Queen, Jaime?! Francamente, o que a Ti Jaquina diria?!!!



Ao Kiko, ao Jaime, ao Diogo e à Debbie, a todos os meus amigos de infância!


Kiko, Pedro Caiado, João Gancho, Paulo Caiado, Ruben Caiado

Joan Baez - Forever Young


OS MINI-POP



O conjunto Mini-Pop, composto por 4 elementos, de idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos de idade, formou-se no ano de 1969. O grupo dos irmãos Barreiros (Pedro, Mário e Eugénio)e do amigo Abílio foi dinamizado pelo Pai Mário Barreiros.

Gravaram dois singles para a editora Zip-Zip. O maior sucesso foi uma versão de "A Casa" (Era Uma Casa Muito Engraçada).

Ao vivo o repertório do grupo nunca foi tão comercial como em disco. Actuaram com bastante sucesso no Festival de Vilar de Mouros de 1971.

Passaram para a Movieplay onde gravaram um primeiro single com os temas "Delta Queen" e "Beggars Can't Be Choosers".

Participaram depois no Festival RTP da Canção de 1973 com "Menina de Luto".

Lançaram o single "Days Of Summer/Vaya Con Dios". Gravaram novo single, "My Holiday Girl", com temas de Paulo de Carvalho e Mike Britton.

Durante 10 anos de carreira gravaram sete singles e participaram em cerca de 300 espectáculos. Também tentaram entrar em Espanha como "Tanga", o nome escolhido para a internacionalização.

Após o fim do grupo transformaram-se nos Jafumega, uma das bandas que marcou a década de 80 em termos musicais.