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quarta-feira, 23 de junho de 2010

PROFESSOR COUTINHO E A BANDA DESENHADA


Ontem decidi sair um pouco à noite, apetecia-me espairecer, beber um copo mas... constactei que não há um sitio para se fazer tal a uma à 3ªf à noite em Caldas. Ja nao tenho amigos a quem telefonar (do telefone fixo preto e pesado (depois amarelo e de teclas)) a dizer: “podes telefonar para aqui a pedir à minha mãe para eu poder ir a rua das montras contigo??” Mas lá fui, com uma autonomia sem expressão apesar de conquistada a duras penas!Instalada, olho para a mesa em frente, e vejo o meu eterno professor de "Estudos Sociais" e depois de “ Historia de Protuga”. O SR Prof Coutinho, ilustre mestre de artes marciais que mantem a sua popa à Elvis e a camisa preta de mangas curtas arregaçadas à altura dos bíceps... " Palito de Chacha" (degeneração do original "paleio de Chacha")

De imediato a memoria chegou-me:

Era inverno, aulas chatas nos Pavilhoes pré-fabricados onde fucionava o ciclo naquela altura. O sr prof nao resistia a uma revistinha de banda desenhada da Disney (almaques, tanto melhor), e enqto nós faziamos as fichas dos livros, o amigo prof entretinha-se, mas não deixava de nos vigiar pelo canto olho... resultado?!?? Os afoites na arte do bichanar eram brindados com o apagador de giz no “alto da pinha”... e os menos afortunados experiementavam o temivel carolo.

Numa dessas "acções de represalia" sobre bichanadores e passadores de bilhetinhos, a Elsinha Bispo - bem comportada e direitinha menina - é brindada, com um belo carolo mm em cima daquele altinho que tinha mesmo em cima da cabeça, enfim um quisto. A cena rendeu baba e ranho, uma mão a apaziguar as dores enqto chorando, dizia: ai o meu quisto!

E foi assim que de E. Bispo passou para sempre A E. Quisto

Maldades!!

Onde andará a menina Elsa Bispo que morava com a avó na Rua do Jardim e a quem eu invejava aquela samarra de pêlo verdadeiro (ganhei uma no Natal seguinte eheheheh)

(post da Lena Mendes)


quinta-feira, 10 de junho de 2010

A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA - A OESTE DO OESTE DA EUROPA


Lembro-me de sair de casa, na Rua do Jardim e ver o Chico Cera a namorar da rua a Anabela que só podia ir à janela para namorar e dos Bonécios, o João e a Fátinha a saírem desse prédio. Lembro-me do sapateiro no fim da rua, gordo e forte como um touro, que um dia doara sangue para a minha mãe. Lembro-me da drogaria à frente do meu prédio e da alegria da proprietária quando o filho regressou da Guiné. Lembro-me dos Rolins a namorarem ao cimo da rua e da empregada de farda a sair da pensão com as lancheiras empilhadas num portador ao domicilio.
Lembro-me da escola da D. Perpétua, na Rua do Jardim e do temível quarto escuro. Lembro-me que ao lado ficava a casa dos irmãos Albuquerque, já idosos e de quem se dizia serem descendentes do famoso Mabilio de Albuquerque. Lembro-me da taberna a meio da rua com as portas de batente e as pipas por trás do balcão.
Lembro-me de ir pela Leão Azedo, passar em frente da casa dos Costa, do Zé e da Anita com os seus 8 filhos, Ana Maria, Ião, Manuela , Filipe, Lóló, Bébé, Miguel e Kika. Lembro-me de acenar ao Paulo Bastos e de ir brincar com o Pedro Pires usando os chapéus da farda de gala do seu pai, comandante da GNR.
Lembro-me de levar uma maçã do expositor da ZáZá uma frutaria que ficava na esquina em frente ao Montepio. Lembro-me de entrar na loja Albino das Solas e perguntar pela Bibú para irmos juntos para a escola. De dizer-me que a Bibú estava com a Bé, sua mãe, na sua Boutique Camaroeiro, na Filipe de Sousa. Lembro-me de passar junto ao muro que dava para o pátio e pomares das traseiras da minha avó Mimi onde brincava com as Canela Lopes, a Isabel, a Luisa e a LaiLai, com o Zé Manel Mota. O iate de madeira, um vaurien azul escuro, ainda lá estava, a apodrecer no pátio. Lembro-me de me encontrar com a Bibú e de aparecer o Jorge Humberto, um ano mais velho, que nos fez companhia até à escola.
Lembro-me de passar as recauchutagens, de cumprimentar o Sr. Faustino e o pai do João Carlos Marques.
Lembro-me de entrar na Escola.
E de que te lembras tu?

Foi o tempo de amizades que desapareceram no tempo, o Eduardo Mago dos Reis e o Zé Paulo, o seu irmão, a Marina, a Isabel Prego, a Anita Antunes, o Jesuino, o Madruga, o Botas, o Sancho, o João Paulo e a Teresa Ascenso, a Leonor Raposo e a irmã - que ainda me acompanharam na adolescência - e tantas outras caras de que me recordo e cujo nome perdi. Foi o tempo das batas brancas e das fitas no cabelo.
Lembras-te das aulas de Matemática do Prof. Lalanda e do Prof. Baptista? Da exigência em Português do Prof. Saraiva e da nossa expressão de alivio ‘’Alimpa-te Saraiva!’’. Um professor a que devemos agradecer a formação que nos deu? Lembras-te da doçura da Profª. Antonieta de História, e da seriedade da Prof. Maria José de Ciências Naturais?
Lembras-te da mãe do João Paulo Ascenso a dar aulas de Desenho e do Prof. Mateus e da Ana Maria Vieira Lino (que linda que era!) a ensinar-nos a fazer fantoches com pasta de papel?
Lembras-te do Je Commence? Do Mr. e Mme. Dupont? do Je suis Nicole, Je suis Robert. C'est Papatapouf, Patapouf est un chien?
Lembras-te do Mestre Mamede e do Padre Zé Maria?
De que te lembras tu?

Lembras-te de colocarmos umas batatas a entupir os escapes dos carros dos professores do Conselho Directivo?
Lembro-me da minha timidez com a Profª. Aurilia nas aulas de francês por ser mãe da Teresa, mas nunca a deixar de a cumprimentar, na escola, na rua e em sua casa, com um ‘’Bonjour Madame!’’ fosse de manhã, à tarde ou à noite!
Lembro-me desta nos deixar de dar aulas no 2º ano do ciclo porque a sua filha Teresa transferira-se para a nossa turma e considerar que seria pouco ético ser professora e avaliar a sua própria filha!
Lembro-me das tardes passadas em casa da Margarida Arroz com a Júlia (Ó Júlia Florista!) e das tardes passadas em casa da Teresa com a sua empregada e de metermo-nos com esta por causa das suas fotonovelas Capricho, Ilusão e radionovela Simplesmente Maria. (e de lermos aquele livro, lembras-te Teresa?)
Lembro-me de pagar 5 tostões ao Jorge Bandeira Duarte para acompanhar a casa a Margarida Arroz, minha namorada do 2º ano, porque lhe ficava em caminho na Encosta do Sol.
Lembro-me do Paulo e do Manel Tuna , do Quintino e dos Marques, do Gamela, da Ana Paula e do Fernando Paulo Duarte do grupo que vivia na encosta do Sol. Do Miguel, da Isabel e da Patricia Ballu Loureiro.
Lembro-me de ter feito um trabalho ‘’jornalistico’’ com o Quim Franco sobre a remoção da estátua do Marechal Carmona em que andámos dias a fotografar a estátua de vários ângulos, incluindo do cimo da torre da igreja no momento em que os sinos começaram a tocar e por isso ter ficado surdo por um dia! De ir de gravador a tiracolo e microfone na mão, entrevistar os soldados que faziam guarda à estátua enquanto se discutia a sua remoção e ter aprendido tudo sobre o manuseamento de uma G3.
E tu, de que te lembras?

Lembras-te de jogar à barra e gritarmos ‘’Fogo’’ só para ver todos a correrem de uma vez e tentarem apanhar o lenço.
De jogarmos ao ‘’Aqui vai alho!’’ com oito ou dez dos nossos?
Lembras-te de fazermos uma roda, sentados no chão, rapazes entre raparigas, enquanto uma corria em volta com um lenço na mão, cantando:

No alto daquela serra
no alto daquela serra
está um lenço
está um lenço a acenar

Está dizendo viva viva
está dizendo viva viva
morra quem
morra quem não sabe amar

Do outro lado do monte
do outro lado do monte
tem meu pai
tem meu pai um castanheiro

Dá castanhas em Outubro
dá castanhas em Outubro
uvas brancas
uvas brancas em Janeiro’’

Lembras-te de um dia de chuva intensa e de enchentes e de termos que arranjar forma de trocar de roupa, encharcada pela travessia com água pela cintura, junto à Garagem Caldas?
Lembras-te do aluno que morreu ao cair de um dos telheiros com painéis de acrílico que ficavam junto ao ginásio e à sala de aulas de Coral e da angústia da sua irmã e do nosso desespero por nada podermos fazer? O sermos confrontados com o fim de uma vida pela primeira vez?
Lembro-me do Botas a dar 80 voltas ao circuito de atletismo e da minha equipa de basquetebol ‘’Os Invenciveis’’ da Turma A vencer os ‘’Dragões Vermelhos’’ da Turma B capitaneados pelo Eduardo Mago dos Reis.
Lembro-me do Dia da Espiga e das primeiras eleições para a Assembleia Constituinte com as urnas instaladas na escola. Lembro-me do pai da Nini Velhinho ser o primeiro Presidente da Câmara após o 25 de Abril, de forma provisória, antes das primeiras autárquicas .
De que te lembras tu?

Lembras-te do bar no rés do chão, num canto do hall situado a seguir ao vestuário? Lembras-te do sabor das arrufadas de coco que comiamos no intervalo grande?
Lembras-te de comermos em self-service no ginásio ao almoço?
Lembras-te da construção dos pavilhões e dos murais que pintámos no 1º aniversário do 25 de Abril?
Lembro-me do Mini do Té e do BMW artilhado de uma professora que era linda e loura como a outra professora, Clara de nome.
Lembro-me da primeira RGA no 2º ano e de nem perceber ao que ia.
Lembro-me sobretudo da confusão que me fazia ter uma aula em cada sala após anos na mesma sala do Colégio.
E tu, de que te lembras?

Lembras-te da velha professora de Canto Coral a ensinar-nos solfejo e hinos nacionalistas e da Mocidade Portuguesa antes do 25 de Abril?
Lembro-me da letra de um desses hinos e da quadra inicial de um outro:

A oeste da Europa
Mesmo junto ao oceano
Fica o nosso Portugal
Lindo Torrão Lusitano

É pequeno em continente
Em domínios o terceiro
O mais valente na guerra
Em descobrir o primeiro

Dos portugueses valentes
Reza a velha história
Contra mouros e castelhanos
Alcançam sempre a vitória

Nos mares abrem caminhos
Em todas as direcções
Mostrando novos rumos
Às conhecidas nações

Sinto orgulho de ser filho
De tão formosa nação
Tão bonita, tão bonita
Que a trago no coração

Sinto orgulho na minha pátria
Mas não por causa mesquinha
Sinto orgulho na minha pátria
Porque é minha, muito minha!

Ou ainda:

Minhas botas velhas cardadas
Palmilhando léguas sem fim
Quanto mais velhinhas e estragadas
Quanto mais vigor sinto em mim…

Sabiamos lá nós com dez anos de idade o que era a Mocidade ou o Estado Novo!

De que nos lembramos nós?


Lembram-se?

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

Lembram-se de tudo o que se passou depois? Como fomos atirados para a nossa adolescência?


Mas lembro-me sobretudo de não perceber depois o que se estava a passar. De não perceber porque tudo era tão importante que levava famílias a separem-se, casais a divorciarem-se, irmãos de costas voltadas, amizades de uma vida a terminar. Porque é que quando o desejo de liberdade de cada um era genuíno e solidário, se criava uma tremenda muralha de ódio apenas porque se divergia no caminho a seguir.
Lembram-se da beleza das palavras e da melodia?

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo cualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.



Hoje, olhando para trás e vendo os anos que se perderam de inimizades, de rupturas de famílias e perdas de amigos e agora que vivemos num clima de maior compreensão pela opinião dos outros e em que o valor da família, da amizade, do humanismo e das causas sociais se sobrepõem às divergências politicas, pergunto-me se terá valido a pena essa cisão que durou anos. Se para alcançarmos aquilo que somos hoje teríamos que passar pelo purgatório da intolerância.
Eu sei que não, a importância da família e dos amigos é demasiada para poder perder um dia que seja da minha vida sem eles.

E disso eu não vou nunca me esquecer!


Dedicado a todos os que viram mais além.


Paulo de Carvalho - E Depois Do Adeus



A Gaivota - Ermelinda Duarte




Randy Crawford - Imagine

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A MINHA PRIMEIRA ESCOLA FOI NA PRAÇA DO PEIXE .........



Desde que li o manifesto do Paulo fiquei, de tal modo agradado que conseguiram fazer-me deslizar para tempos, onde decididamente tínhamos o privilégio de brincar e traquinar na rua, onde hoje o meu filho não o pode fazer nem o quer fazer, em que um simples autocolante dos Rollings Stones era sucesso garantido entre o grupo que cresceu comigo (na rua do jardim).

Também eu cresci na rua do jardim, onde havia um Tó-zé grande (eu), o Tó-zé Pequeno, o Rui da Sapataria América e o irmão Carlos, o Berto, o Paulo do Antero e o Badaró. Todos nós jogamos á bola tendo como balizas as sarjetas, da rua Leão Azedo e o Portão do Serrano no beco do Borralho (Antero), não me esqueço do olhar triste do Ricardo Pimenta por não poder fazer o mesmo, pois os avós não o deixavam jogar na rua, ficando na janela a ver-nos.

Passamos tardes e tardes a ler o Nody, a jogar Monopoly e Bolsa, enfim fomos crescendo e fomos nos separando, cada um para a sua escola a mim coube-me em sorte a escola da praça do peixe, onde tive o Prof. Norte como primeiro professor, Prof. Martinho e a Prof. Josélia sem dúvida daquelas personagens que não me irei esquecer, tal como o meu colega de turma com 15 anos que continuava na 1ªClasse, em grande guerra na captura das letras que para os outros era facílimo, mas que para ele era uma tortura.

Recordo-me com um sorriso da chegada do intervalo onde saltávamos pelas escadas em direcção á praça do peixe, apesar dos gritos da Continua Hermínia, que nos mandava descer devagar, tentativa diária vã, tal a velocidade de descida de todos nós. Com duas únicas ideias, comprar uma bola de plástico na loja onde hoje é uma agencia de viagens por 1$50 (em que todos entravamos com os nossos tostões de momento) ou tentar convencer um vendedor de enguias da lagoa (Às segundas feiras era o mote mais pedido entre os meus colegas) a oferecer-nos uma, para a fazermos deslizar pelas aguas que deslizavam da plataforma da praça para as pequenas valas de canalização de aguas excedentes da lavagem dos peixes em direcção às sarjetas adjacentes.

Acreditem, não havia campainha e nem todos tínhamos relógio….mas de bata branca vestida, lá estávamos 45 minutos depois, sentados nas famosas carteiras de barras verticais de ferro fundido com o buraco para o tinteiro a desafiar-nos para introduzirmos os lápis e canetas que rapidamente o Professor nos punha, em “su sitio”.

Alguns meses mais tarde e por razões profissionais da minha mãe, tive de ir para o colégio de Porto de Mós, Colégio incrível para aquela altura. A sala de desenho no último andar abria o tecto para que a luz natural fosse a eleita para que todos trabalhassem nos seus desenhos, foi sem duvida uma das coisas que me deixou de boca aberta nas primeiras aulas de desenho que tinha com o Libelinha e o João Manuel ao meu lado, foi ai que me cruzei com o professor Perpétua, na altura director do colégio (penso que mais tarde viria a ser professor no Liceu e de muitos de vocês) bem como a sua mulher Sr.ª Esmeralda, conheci também Tó Freitas, o irmão Pedro Freitas bem como o Lucinio médico nas Caldas e o Arnaldo Santos.

Após o terminus da minha passagem por Porto de Mós, vim então de novo para as Caldas e é aí que conheço alguns de vocês, na Turma do Ciclo Preparatório no 1º A, lembro-me ainda de algumas pessoas. Foram tempos em que tínhamos de ficar formados á frente da porta da sala, miúdos de um lado e miúdas do outro, antes de o professor chegar, vou tentar recordar-me: (Peço desculpa por não me lembrar de todos) Ana Monroy, Teresa Lamy e Marina (2º ano), Nini Velhinho, Cristina, Margarida Arroz, Luísa Branco, Leonor, Luísa Caiado, Cristina Maduro, Helena, Mário Fialho, Paulo Caiado, Paulo Lemos, António Albano, Cristina Aleixo, Jorge Bandeira, João Ascenso, Bebé Gomes, Luís Sancho, Tó Zé, Quim Franco, João Paulo Feliciano, Buiça…

Há algumas coisas que me lembro desses tempos no pós escola, as inúmeras tardes que passávamos a desenhar aviões e guerras em folhas de papel A4 na casa do Paulo Lemos, em que o nosso imaginário fluía para guerras e combates intermináveis, das tardes a jogar futebol no jardim do Jorge Bandeira que nos deixava de rastos.

Não tendo a certeza no tempo, mas penso que foi na altura no 2º Ano Ciclo que o Té Mil Homens na altura Professor de educação física, nos encaminhou para o inicio do núcleo de rugby da escola tendo decidido que o sítio do futuro campo seria onde viria a ser a Escola do Ciclo Preparatório agora Escola do segundo ciclo, e ai começamos a arrancar as plantas e ervas alta que naquele terreno existiam, tendo conseguido “desmatar” o terreno e iniciar os treinos e os jogos do então núcleo de rugby da escola que nos iria permitir ir a Coimbra defrontar outras escolas, onde o barulho dos pitons das outras equipas me surpreendeu a mim e aos outros da equipa pois nenhum de nós possuía na altura tal tipo de equipamento desportivo, aquando da saída dos balneários, claro está que levamos uma coça magistral, tal era a nossa inexperiência•.

Outro dos assuntos de escárnio e gozação nos intervalos tinha como alvo uma contínua pequenina que trabalhava nos balneários femininos de qual não me recordo o seu nome verdadeiro, tal a força da alcunha com que a brindamos. A sua alcunha era TéTé, como se não fosse suficiente usávamos uma pseudo - conjugação do verbo,” …il y a TéTé, il y a Ovo, il y a Galinhas,…” o que a deixava furibunda da vida. Essa irrequietude valeu-nos algumas corridas mais longas á frente dela de maneira que não apanhássemos com a vassoura que certeiramente tentava sempre lançar, mas sempre foi guerreira e nunca nos levou ao Director da Escola…..

Passei pelo 16 de Março sem ter a noção do que se estava a passar a não ser que algo se estava a decorrer fora do normal, que motivou a saída dos militares e o cerco da altura do RI5. Para mim foi um agora chamado ATL magnífico, pois passeei-me por entre as trincheiras exteriores que hoje algumas ainda existem escondidas, tapadas pelos tojos no pinhal circundante á agora Escola de Sargentos do Exercito, tendo mantido amena cavaqueira com os militares que ali estavam há mais de 24h e que acharam piada á minha insistência de estar por ali tanto tempo tendo – me deixado mexer nas armas de que disponham na altura, o que para mim foi algo inimaginável para um miúdo de 12 anos.

Umas semanas mais tarde, viria a acontecer o 25 de Abril, tendo-me ficado gravado muito bem de como, local e momento em que tive contacto com a noticia. Tínhamos aulas às 8h30 e estava a subir a escadas para a sala 5A, quando me cruzo com a Teresa Lamy que entretanto vinha a descer as escadas e me disse ….” Não há aulas ouve umas confusões em Lisboa com os Militares e hoje não há aulas ”……bem….foi um dia bestial de divertimento e jogos tendo ido para casa ao almoço sem nada entender do que se estava a passar…Mas que foi um dia de longa brincadeira essa lembro-me e muitíssimo bem.

Outras das recordações do ciclo são os jogos, do fogo, e de uma roda enorme que corríamos por fora da roda com um lenço, deixando cair normalmente atrás de quem gostávamos, era de certo nesses jogos que naturalmente estávamos a descobrir toda a magnitude da pré puberdade, lembro-me curiosamente de algumas meninas bonitas e que hoje continuam, umas mais doces, outras mais endiabradas, não me vou adiantar neste assunto, mas que houve …love in the air… foi uma verdade J.Eu pelo menos sempre me senti muito mais atraído por Arroz do que por Massa …é um facto.

Alguns dos professores ficaram gravados, uns pelo lado positivo outros pelo lado negativo. Quem não se lembra dos gritos do Professor Saraiva a português? Da Professora de Ciências Manuela, que nos demonstrava aquelas experiencias básicas de coloração de líquidos com anilinas naquele anfiteatro.

Quem não se lembra das aulas de canto coral e do ritmo seguido com o bater dos pés no soalho da sala bem como do chiar do pedal do órgão que a professora teimosamente empurrava para baixo, do professor de matemática do qual não me lembro o nome mas que nos levava pelo reino dos números de um modo sereno e sem barulho com a sua fina figura de magrizela.

Do Professor Vendas que nos deu educação física, da Mãe da Teresa Lamy, Professora Aurília que nos levou até ao reino “Bonjour Paris”. Enfimmmmm, tempos que tivemos a sorte de brincar na rua, de sair da escola e vir para casa sozinhos, a correr para não perder a serie dos Pequenos Vagabundos ……

(post do António José Albano)


Supertramp - School