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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O FERRO VELHO



A história do Ferro Velho começa quando Jorge Sales, aos 35 anos, abriu o espaço no dia 24 de Abril de 1972, com o seu amigo Pedro Félix, que era também colega de trabalho no aeroporto, no sector do turismo.


“Em conversas achámos engraçado abrir uma discoteca. Tivemos várias hipóteses desde a construção de uma de raiz ou alugar um espaço. Acabámos por escolher o Ferro Velho, em detrimento do Inferno da Azenha. Naquela altura funcionavam ambas como discoteca particulares”, recordou.


Jorge Sales revelou que a sua escolha se deveu ao facto de na altura já o Ferro Velho ter funcionado como discoteca e por ter mais condições, uma vez que já tinha uma casa de banho.


Também o facto do Ferro Velho ter aberto oficialmente em 1968 com festas, pelo seu proprietário Vasco Luís, foi outra das razões que o levaram a optar por esta escolha, uma vez que tinha licença da Direcção Geral de Espectáculos.


O primeiro dono do Ferro Velho foi assim Vasco Luís, proprietário da Quinta do Avenal e que abria particularmente o espaço. Mesmo assim, problemas com directores do Casino, situado no Parque D. Carlos I, que fizeram queixa à Direcção Geral de Espectáculos, pelo que veio a obter a licença em 1968.




O Ferro Velho, pela mão de Jorge Sales e Pedro Félix, abria ao fim-de-semana e em Agosto todos os dias e centenas de pessoas rumavam ao local, uma vez que não havia discotecas num raio de 50 quilómetros.


“Discotecas só em Lisboa, ou em Torres, o Túnel. De resto não havia mais nada”, lembrou Jorge Sales.


A sociedade destes dois amigos terminou um ano depois, tendo Jorge Sales e a sua mulher Alice seguido o negócio até 1983, altura em que foi vendido. Na década de 90 encerraria as portas.


O Ferro Velho contribuiu para o crescimento da cidade das Caldas, não só pelos namoros e alguns casamentos que proporcionou, mas porque muitas pessoas de fora da região se deslocavam à casa da moda, uma vez que pela sua profissão no aeroporto de Lisboa, Jorge Sales conseguia ter música actual.


“Antes um álbum chegava ao nosso país um ano depois de ter saído nos Estados Unidos, mas como tinha acesso em viagens aos Estados Unidos, comprava muitos discos, que duravam mais de um ano. Na altura era uma grande novidade, agora as músicas saem às 10 horas em Nova Iorque e cerca de meia hora depois está em todo o Mundo”, declarou.


in Jornal das Caldas. Edição On-line 22 Abril 2009
















Bob Seger - Still The Same (1978)



Bob Seger - Rare Against The Wind Live



Bob Seger - We've got tonight (1978)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

PLIÉS E BABYGROWS



Na minha adolescência, os meus pais sempre arranjaram forma de me tramar as tardes de fim de semana. Ainda antes dos tempos da natação, puseram a minha irmã Xinha no Ballet.

E eu lá ia como irmão mais velho protector, acompanhá-la ao ginásio do Ramalho Ortigão onde uma prestigiada professora e antiga bailarina, a D.Isabel Affonseca dava as suas aulas. Todas as santas tardes de sábado.

Isabel Affonseca tinha sido uma das mais famosas bailarinas portuguesas e era agora uma emérita professora de ballet. Como podem imaginar estas aulas eram uma completa seca para mim.

A senhora, que nessa altura já não ia para nova, vestia invariavelmente umas calças à la Audrey Hepburn e arregaçava os canos das calças, dobrando-os por aí a cima até ficar com os tornozelos bem à mostra. Calçava também umas sabrinas ou umas sapatilhas de meia ponta e munia-se sempre de uma pesada e grossa bengala com que marcava os ritmos dando constantes ferroadas no chão.

Acompanhava-a uma outra senhora ainda mais velha que martelava gentilmente um provecto piano.

Estou a recordar a Profª Affonseca, de costas para o palco e de frente para as alunas, muito hirta de pernas meias abertas e pés firmes no chão, de bengala na mão esquerda, a dar as suas instruções com voz grave e ar sempre zangado.

Ao fim de umas tardes fastidiosas lá descobri uma forma de aligeirar o programa e assim colocava-me em pleno palco do Ginásio (que servia igualmente de recitório), por trás da professora imitando-lhe todos os gestos perante o riso das alunas. E cada vez que a senhora olhava para trás com ar zangado e desconfiado eu fazia a pose mais angélica que poderiam esperar.

O meu único ponto de interesse naquelas aulas residia numa aluna de Alcobaça amiga da minha irmã, a Sofia Raposo Magalhães, era loura e de pele muito branca. Infelizmente considerou que eu era baixo demais para ela e afastou-me das suas atenções!

Apesar disso eu acompanhava com especial resistência e sentido altruísta aquelas lições de En l’Air! Plié! Relevé! Ronds de Jambe!Soutenu! Degagé! E por aí fora (o que eu sei, Mon Dieux!).

No final de cada ano acontecia a prova máxima. O Sarau no Teatro Tivoli em Lisboa onde todas as classes da Profª Isabel Affonseca (que dava aulas em várias localidades) se apresentavam perante uma assistência de familiares, amigos, apreciadores e outros desgraçados que tinham de gramar mais uma manhã intensa de jeitosos com malhas e esqueléticas sem peito.

A única parte aceitável do programa era o cerimonial da troca de vestuário que era feito no primeiro andar do quartel de Bombeiros que ficava nas imediações do Tivoli. Nessa altura eu misturava-me com a plebe e lá ia tendo um momento de lazer que antecipava as quatro horas de tortura porque iria passar!

Certa vez, decorria um Pas de Deux intitulado Au Claire de La Lune ( as coisas de que eu me lembro, caramba! ) e que consistia num número de dança efectuada a dois por uma elegante anoréctica e um rapazinho com baixos níveis de testosterona , quando a Prof. Affonseca verificou que lhe faltava um figurante para o número seguinte. E eis que ela crava os olhos à matador em mim, cerra os olhos e aponta-me a bengala.

–Moi?!- Pensei eu para os meus botões. - O que é que terei feito agora que estou aqui tão quietinho a contar as horas para voltar para as Caldas?!

- Tu aí, ó Caiado! – gritou a Margot Fontaine cá do burgo. – Anda cá que preciso de ti!

Bom - pensei eu no meu espírito altruísta – deve querer que faça companhia a uma das donzelas que vieram sozinhas! E lá fui eu, inocente como um cordeiro para a degola.

- Preciso que vistas uns costumes e vás para o palco fazer de figurante. – quase vociferou a senhora – Não precisas de fazer nada! Apenas fica ali até a cortina baixar! E vê se te aguentas sem te rir! – ralhou ela.

- De malhas não! – Logo fui avisando, temendo o pior!

- Porquê?!- gritou ela! – Tens medo de gostar?!

Eu ia começar um tratado sobre o meu gosto pelas malhas dos pullovers da Sidney e pelo jogo da malha que jogava na beco da taberna do Antero, pai do Paulo, mas a senhora agarrou-me firmemente por um braço e deixou-me nas mãos de uma costureira.

Foi uma experiência que escondi no mais ermo local da minha memória e que faço por não lembrar.

Pode ter sido apenas a minha imaginação mas eu iria jurar que durante o tempo que estive no palco senti os meus órgãos genitais a shrinkar… a shrinkar. Se calhar aconteceu apenas porque as calças eram muito apertadas ou porque o tempo de exposição à radioctividade, digo, ao ambiente, foi pouco, pois logo depois de tirar o traje senti-me a melhorar.

Uns tempos mais tarde o diabo da senhora decidiu fazer um novo recital, desta vez num palco improvisado no parque das bicicletas do parque. Desta vez tinha espaço suficiente para ir cirandar para longe, por exemplo… até aos prédios dos Violas!

Mas não, a minha mãe achou que era uma vergonha eu não assistir à fantástica exibição da minha irmã e insistiu que eu ficasse por ali.

Estava eu a apreciar os diversos encantos das bailarinas, quando ouço um remake do Exorcista:

– Ó Caiado, anda aqui para dar uma ajuda!

Então não é que a senhora me detectou no meio da multidão e queria que eu voltasse a repetir a gracinha do Tivoli? Só que agora parece que eu teria mesmo que vestir umas caneleiras de malha sobre um babygrow azul celeste que daria cabo da minha reputação em menos tempo que levou a Samy Figueiredo Lopes a dar-me uma chapada quando lhe beijei a cara, uma tarde no Casino.

Desatei a fugir pelas escadas que dão para o ténis, sai pelo portão do Lisbonense, passei a Rainha e só parei na Praça do Peixe.

Durante meses tive pesadelos com a senhora a apontar-me a bengala e a gritar:

- Tu aí ó Caiado! Plié! Cabrolié!Elancé! Saut d’Ange!Tour en l’air! Et maintenant triplo mortal encarpado, com uma mouche sobre a multidão!!!

E eu acho que ainda hoje tenho que olhar por trás do ombro para ver se não me apanham!


Isabel Affonseca faleceu em Abril de 2007. As suas antigas alunas recordam-na com saudade pela sua alegria e boa–disposição mas também pelo seu rigor e disciplina que fez delas melhores alunas e melhores performers. A sua contribuição para o ensino do bailado nas Caldas não foi reconhecido em devido tempo.

Não deixemos que isso volte a acontecer com quem ainda pode receber esse carinho.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

SARDINHADAS COM AZEITE



Os Crespos costumavam organizar umas sardinhadas valentes no casal que tinham na Lagoa Parceira.

Estas sardinhadas duravam um fim de semana e como só havia um quarto dormíamos todos espalhados pelo chão da sala com um tronco de madeira a fazer de almofada.

Éramos mesmo muitos e de manhã íamos à Praça do Peixe às sardinhas e à praça comprar o tomate e os pimentos. A alface e as batatas vinham do casal.

Partíamos quase todos de bicicleta, salvo alguns que já tinham umas pequenas motas.

Ao fim da tarde o Miguel pegava num velho Goldoni e íamos todos no atrelado do tractor ao café da aldeia e os mais afoitos tomavam á noite e sempre a pé o caminho das Caldas para ir ao Camaroeiro ou mesmo ao Ferro Velho.

Faziam-se autênticos campeonatos de comezaima e alguns alarves chegavam a comer quatro dúzias de sardinhas - e não comiam mais porque não os deixavam!

Lembro-me de um que se gabou de ter comida seis dúzias e de alguém ter dito:

- E hoje quando fui à praça disse-me um pescador que tinha pescado um candeeiro aceso!

- Eia que exagero! – replicou o alarve.

- Tá bem – respondeu o outro – Tu tiras três dúzias à tua contagem e o homem faz o favor de apagar o candeeiro!

Eram tempos de completa aventura num misto de Pequenos Vagabundos e Verão Azul. Fazíamos passeios pelos pinhais e provas de ciclocross.

Uma tarde eu e o João Gancho decidimo-nos pendurar numa nespereira e comer todas as nêsperas que ficaram ao nosso alcance. Ficámos dois dias agarrados às calças!

Como disse a sardinhada durava todo o fim de semana e na tarde de Domingo alguns pais costumavam aparecer e era aí que se dava a desgraça.

As sardinhadas eram muito bem regadas de água-pé e de tinto dos pipos da quinta e invariavelmente havia quem apanhasse grandes pielas.

Ao aproximar da hora em que os pais poderiam aparecer aumentava a aflição dos que ainda tinham um pingo de consciência perante a completa bebedeira de alguns.

Era nesta altura que o Pedro Cardoso intervinha com a sua solução mágica. A Fatocas agarrava-os firmemente e o Pedro toca de lhes enfiar um copo de azeite pelas goelas abaixo!

Era remédio santo, ao fim de uma hora estavam sãos como um pêro.

A Zairinha e a Magalhulha que o digam!




Ao Pedro


Ville Valo & Natalia Avelon Summer Wine

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A MINHA PRIMEIRA ESCOLA FOI NA PRAÇA DO PEIXE .........



Desde que li o manifesto do Paulo fiquei, de tal modo agradado que conseguiram fazer-me deslizar para tempos, onde decididamente tínhamos o privilégio de brincar e traquinar na rua, onde hoje o meu filho não o pode fazer nem o quer fazer, em que um simples autocolante dos Rollings Stones era sucesso garantido entre o grupo que cresceu comigo (na rua do jardim).

Também eu cresci na rua do jardim, onde havia um Tó-zé grande (eu), o Tó-zé Pequeno, o Rui da Sapataria América e o irmão Carlos, o Berto, o Paulo do Antero e o Badaró. Todos nós jogamos á bola tendo como balizas as sarjetas, da rua Leão Azedo e o Portão do Serrano no beco do Borralho (Antero), não me esqueço do olhar triste do Ricardo Pimenta por não poder fazer o mesmo, pois os avós não o deixavam jogar na rua, ficando na janela a ver-nos.

Passamos tardes e tardes a ler o Nody, a jogar Monopoly e Bolsa, enfim fomos crescendo e fomos nos separando, cada um para a sua escola a mim coube-me em sorte a escola da praça do peixe, onde tive o Prof. Norte como primeiro professor, Prof. Martinho e a Prof. Josélia sem dúvida daquelas personagens que não me irei esquecer, tal como o meu colega de turma com 15 anos que continuava na 1ªClasse, em grande guerra na captura das letras que para os outros era facílimo, mas que para ele era uma tortura.

Recordo-me com um sorriso da chegada do intervalo onde saltávamos pelas escadas em direcção á praça do peixe, apesar dos gritos da Continua Hermínia, que nos mandava descer devagar, tentativa diária vã, tal a velocidade de descida de todos nós. Com duas únicas ideias, comprar uma bola de plástico na loja onde hoje é uma agencia de viagens por 1$50 (em que todos entravamos com os nossos tostões de momento) ou tentar convencer um vendedor de enguias da lagoa (Às segundas feiras era o mote mais pedido entre os meus colegas) a oferecer-nos uma, para a fazermos deslizar pelas aguas que deslizavam da plataforma da praça para as pequenas valas de canalização de aguas excedentes da lavagem dos peixes em direcção às sarjetas adjacentes.

Acreditem, não havia campainha e nem todos tínhamos relógio….mas de bata branca vestida, lá estávamos 45 minutos depois, sentados nas famosas carteiras de barras verticais de ferro fundido com o buraco para o tinteiro a desafiar-nos para introduzirmos os lápis e canetas que rapidamente o Professor nos punha, em “su sitio”.

Alguns meses mais tarde e por razões profissionais da minha mãe, tive de ir para o colégio de Porto de Mós, Colégio incrível para aquela altura. A sala de desenho no último andar abria o tecto para que a luz natural fosse a eleita para que todos trabalhassem nos seus desenhos, foi sem duvida uma das coisas que me deixou de boca aberta nas primeiras aulas de desenho que tinha com o Libelinha e o João Manuel ao meu lado, foi ai que me cruzei com o professor Perpétua, na altura director do colégio (penso que mais tarde viria a ser professor no Liceu e de muitos de vocês) bem como a sua mulher Sr.ª Esmeralda, conheci também Tó Freitas, o irmão Pedro Freitas bem como o Lucinio médico nas Caldas e o Arnaldo Santos.

Após o terminus da minha passagem por Porto de Mós, vim então de novo para as Caldas e é aí que conheço alguns de vocês, na Turma do Ciclo Preparatório no 1º A, lembro-me ainda de algumas pessoas. Foram tempos em que tínhamos de ficar formados á frente da porta da sala, miúdos de um lado e miúdas do outro, antes de o professor chegar, vou tentar recordar-me: (Peço desculpa por não me lembrar de todos) Ana Monroy, Teresa Lamy e Marina (2º ano), Nini Velhinho, Cristina, Margarida Arroz, Luísa Branco, Leonor, Luísa Caiado, Cristina Maduro, Helena, Mário Fialho, Paulo Caiado, Paulo Lemos, António Albano, Cristina Aleixo, Jorge Bandeira, João Ascenso, Bebé Gomes, Luís Sancho, Tó Zé, Quim Franco, João Paulo Feliciano, Buiça…

Há algumas coisas que me lembro desses tempos no pós escola, as inúmeras tardes que passávamos a desenhar aviões e guerras em folhas de papel A4 na casa do Paulo Lemos, em que o nosso imaginário fluía para guerras e combates intermináveis, das tardes a jogar futebol no jardim do Jorge Bandeira que nos deixava de rastos.

Não tendo a certeza no tempo, mas penso que foi na altura no 2º Ano Ciclo que o Té Mil Homens na altura Professor de educação física, nos encaminhou para o inicio do núcleo de rugby da escola tendo decidido que o sítio do futuro campo seria onde viria a ser a Escola do Ciclo Preparatório agora Escola do segundo ciclo, e ai começamos a arrancar as plantas e ervas alta que naquele terreno existiam, tendo conseguido “desmatar” o terreno e iniciar os treinos e os jogos do então núcleo de rugby da escola que nos iria permitir ir a Coimbra defrontar outras escolas, onde o barulho dos pitons das outras equipas me surpreendeu a mim e aos outros da equipa pois nenhum de nós possuía na altura tal tipo de equipamento desportivo, aquando da saída dos balneários, claro está que levamos uma coça magistral, tal era a nossa inexperiência•.

Outro dos assuntos de escárnio e gozação nos intervalos tinha como alvo uma contínua pequenina que trabalhava nos balneários femininos de qual não me recordo o seu nome verdadeiro, tal a força da alcunha com que a brindamos. A sua alcunha era TéTé, como se não fosse suficiente usávamos uma pseudo - conjugação do verbo,” …il y a TéTé, il y a Ovo, il y a Galinhas,…” o que a deixava furibunda da vida. Essa irrequietude valeu-nos algumas corridas mais longas á frente dela de maneira que não apanhássemos com a vassoura que certeiramente tentava sempre lançar, mas sempre foi guerreira e nunca nos levou ao Director da Escola…..

Passei pelo 16 de Março sem ter a noção do que se estava a passar a não ser que algo se estava a decorrer fora do normal, que motivou a saída dos militares e o cerco da altura do RI5. Para mim foi um agora chamado ATL magnífico, pois passeei-me por entre as trincheiras exteriores que hoje algumas ainda existem escondidas, tapadas pelos tojos no pinhal circundante á agora Escola de Sargentos do Exercito, tendo mantido amena cavaqueira com os militares que ali estavam há mais de 24h e que acharam piada á minha insistência de estar por ali tanto tempo tendo – me deixado mexer nas armas de que disponham na altura, o que para mim foi algo inimaginável para um miúdo de 12 anos.

Umas semanas mais tarde, viria a acontecer o 25 de Abril, tendo-me ficado gravado muito bem de como, local e momento em que tive contacto com a noticia. Tínhamos aulas às 8h30 e estava a subir a escadas para a sala 5A, quando me cruzo com a Teresa Lamy que entretanto vinha a descer as escadas e me disse ….” Não há aulas ouve umas confusões em Lisboa com os Militares e hoje não há aulas ”……bem….foi um dia bestial de divertimento e jogos tendo ido para casa ao almoço sem nada entender do que se estava a passar…Mas que foi um dia de longa brincadeira essa lembro-me e muitíssimo bem.

Outras das recordações do ciclo são os jogos, do fogo, e de uma roda enorme que corríamos por fora da roda com um lenço, deixando cair normalmente atrás de quem gostávamos, era de certo nesses jogos que naturalmente estávamos a descobrir toda a magnitude da pré puberdade, lembro-me curiosamente de algumas meninas bonitas e que hoje continuam, umas mais doces, outras mais endiabradas, não me vou adiantar neste assunto, mas que houve …love in the air… foi uma verdade J.Eu pelo menos sempre me senti muito mais atraído por Arroz do que por Massa …é um facto.

Alguns dos professores ficaram gravados, uns pelo lado positivo outros pelo lado negativo. Quem não se lembra dos gritos do Professor Saraiva a português? Da Professora de Ciências Manuela, que nos demonstrava aquelas experiencias básicas de coloração de líquidos com anilinas naquele anfiteatro.

Quem não se lembra das aulas de canto coral e do ritmo seguido com o bater dos pés no soalho da sala bem como do chiar do pedal do órgão que a professora teimosamente empurrava para baixo, do professor de matemática do qual não me lembro o nome mas que nos levava pelo reino dos números de um modo sereno e sem barulho com a sua fina figura de magrizela.

Do Professor Vendas que nos deu educação física, da Mãe da Teresa Lamy, Professora Aurília que nos levou até ao reino “Bonjour Paris”. Enfimmmmm, tempos que tivemos a sorte de brincar na rua, de sair da escola e vir para casa sozinhos, a correr para não perder a serie dos Pequenos Vagabundos ……

(post do António José Albano)


Supertramp - School

sábado, 8 de maio de 2010

CRUZANDO OS ANOS EM POUCOS DIAS - DIÁRIO DE UM ESTUDANTE


É Domingo.

Acordo com a rádio e com as vozes do Carlos Cruz e do Rolo Duarte no Pão com Manteiga. Levanto-me para ir para o ténis. Como um pão com Tulicreme e abalo para o parque.
Encontro-me com o Zé Manel Cabaços, o Senra, o Roxo, o Leonel e o Zé Ricardo e jogamos durante duas horas. No outro court estão a jogar o Henrique Mineiro com o José Augusto.
Volto para casa e tomo banho para ir almoçar com os meus pais à Pensão Cristina.

À tarde arranco para o sotão. Chego atrasado e a festa já começou. Cruzo-me nas escadas com a Elza, a Milai, a Ju, a Gracinha, a Lena e a Elsinha Magalhães. A entrar já está a Paula da Malveira e a irmã. Quando entro vejo que temos muita gente de fora. A Guida Sousa, a Isabel de Cascais e uma amiga chamada Bárbara que conquista logo a atenção dos rapazes. Dou um beijo à Susana e uma palmada no Ricardo. Trato-o por Rato e ele manda-me dar uma volta. Chega o Pedro Cardoso com os primos Moreira, o João, o Marco e a Isabel, vem o Peliculas e todos os Calisto incluindo os três Titos, o Xico, o Tony e o João. Vêm depois o João Paulo Ascenço, a Teresa e a Leonor Raposo. Atrás chega o Luis Jardim com a Mana Inês.

Ao fim da tarde tenho que sair antes de todos para ir à missa das seis. Quase que adormeço na homilia do Padre Guerra. À saida vejo a Graça, o Saloio, a Fátima e o Camané. Reencontro o Mário Rui que veio do seminário. Cumprimento o Dr. Fernando Palma que fala com o Dr. José Mota.
– Entã Compadre? – sauda-me este como sempre o faz.
O meu pai conversa em tertúlia no passeio á frente da casa com o Zé Lamy e com o David Duarte Ribeiro e o José Monroy.

À noite fico-me por casa a ver o Colombo.


Segunda-feira.

Saio de casa ao mesmo tempo do Jorge e do Cá-Jó, juntam-se a Paula Melo e a Cristina Caramelo da nossa rua e vamos juntos para o liceu.
Começo bem o dia com a aula de Sociologia do Frederico Costa, o meu professor preferido. Ele chega ao mesmo tempo e já está a estacionar o seu carocha laranja no largo do hospital.
Então? – pergunto-lhe eu – Continua comunista?
Comunista não, UDP! – responde-me ele com um largo sorriso – E tu? Continuas fascista? - Eu devolvo-lhe o sorriso e entramos juntos no liceu enquanto ele me conta como passou a noite a fazer vaporizações para a filha que estava com gripe.
Entro no Liceu ao mesmo tempo que o Manta e a São Teles. O Alexandre e o Pedro Gonçalves cumprimentam-me no hall. De súbito lembro-me que me esqueci de alguns livros na sala da associação. O costume! Viro à direita e subo pelas escadas de pedra cumprimentando a Sara e o Clemente que vêm a descer. Viro à esquerda, passo a correr pela sala dos professores, viro à direita e passo diante do bar onde está a Vanda Nogueira a conversar com a Guida Nascimento e os mais novos, o Mário Filipe, a Nucha e o primo Zé Miguel com a namorada. Digo-lhes adeus e atravesso o hall do 1º andar, felizmente a Teresa Requeijo e a Susana estão na associação. Quando entro a correr para apanhar os livros elas abanam a cabeça sorrindo e num gesto de reprovação. Sou um caso perdido! Desço agora pelas escadas de madeira e cruzo-me com a Rosa e a Paula da Columbeira, corro de novo pelo corredor vira na segunda à esquerda e entro pela última porta à direita. Estou finalmente na sala!
No intervalo grande, passo pelos três Baltasares que estão com o Manel, a Ana Monroy e a Bébé a recordar o fim de semana no Baleal com o Ivo e o Vasconcelos e Sá. A Xinha mostra uma cassete do Jackson Browne que lhe gravara o Jean-Jacques no Verão.
Entro de novo na sala de aulas com o João Buiça, a Manuela, a Anisabel e a Anabela, altas e lindas.

À hora de almoço, a caminho de casa, cruzo-me na rua com uns amigos do meu pai. O Vasconcelos a meter-se com o Juca, o Cap. Pires e o Rogério Matias. Páro para cumprimentá-los.
- Olá Paulo Rogério! – sauda-me o Cap. Pires utilizando o meu segundo nome como só ele o faz.
- Estás bom Tempero!? – cumprimenta-me o Rogério Matias utilizando uma private joke.
Desvio-me na Cova da Onça, cumprimento o funileiro e vou ao Caldinho dar um beijo aos meus avós que chegaram de Lisboa. Dou um beijo à Lila e cumprimento o Rui Aniceto. Os filhos, Rui e Nuno, o Parrila, chegam atrás de mim.
Sigo para casa a reboque do Pedro Miguel do Rosário, da Sandrinha e dos Morgados que fazem o mesmo percurso. Meto-me com o Nuno pelo seu recente namoro com a Vanda.

À tarde volto para o Liceu. Entro no átrio e vejo a minha irmã Teresa a trocar segredos com a João Horta e a Isabel Thiran. Os irmãos Valente passam por mim, também a Sara e o Clemente. A Xinha conversa com a Manuela Ferreira, a Bibú e a Vani e o Pedro Ferreira. A Xana deverá andar por aí com a Cristina Machado, a Alexandra Palma e o Inho.


O Gil passa por mim no corredor e espeta-me um carolo enquanto o Isidro olha-me com cara de gozo. Boa! Esta tarde começa bem. Ao fim do dia passo à biblioteca da Gulbenkian e devolvo o livro que levara para o fim de semana. Saio e cai-me caca de pombo no meu ombro. Merda! Este não é o meu dia! Olho com tristeza para o edificio entaipado da Casa da Cultura recordando os tempos do Casino. Volto ao liceu para me limpar e depois vou com a malta do Bombarral comer umas chamuças á Colher de Pau antes de apanharem o comboio.

Ao jantar juntam-se a Cristina Machado e a Kika Costa, já quase residentes da casa. Depois é hora da telenovela mas eu já estou farto de Gabrielas, Escravas Isauras, Casarões, Dancing Days e Astros. Vou para o meu quarto ler banda desenhada e ouvir o ‘’Quando o telefone toca’’ do Matos Maia. Não sei como esta gente gosta tanto do Tony de Matos! Decido-me pelo Jackson Browne.


Terça-feira.

Acordo com o Diário Rural e o anúncio ao Piquenicão. O Cá-Zé e a Cami descem comigo no elevador e paramos no 1º andar para apanhar o Rui e a Nica.
Paro no Nutripol para comprar pastilhas Pirata e vou com a Kika Gancho até ao liceu. À chegada faço as entregas do dia, devolvo o livro da Christiane F. à Margarida Arroz e um album dos Yes à Teresa Lamy e começo as aulas.

À tarde vou comprar umas sapatilhas John Smith ou All Star à Macadi e converso com a Mizá e com o Graciano. Depois apanho a Cristina Aleixo à saída da Drogaria e vamos juntos para o liceu. Cruzo-me com as quatro da vida airada, a Vanda, a Tita, a Ana e a Paula. À porta do Falcão estão a Cristina e a Rita a falar com a Leonor Vaz Pato e a Orlanda. O dia decorre lentamente até à hora de jantar. O Pedro Furriel dá-me uma boleia de mota até casa.

À noite vou à Zaira e tomo um café na mesa de entrada com a Libânia, a Cristina Romão e a Rosa Amélia. Encontro casualmente a Teresa Fialho do Bombarral e ficamos a falar até serem onze. Passam por mim os três primos Horta, a Cristina Coutinho, o Luis e a Estela. É hora de ir para casa.


É quarta-feira.

Hoje só tenho aulas de manhã. Acordo ao som da rádio como habitualmente. Vou num ápice para o Liceu. No hall cruzo-me com o Dr. Lalanda e a sua mulher Leonor, mais à frente o Prof. Serafim e o Padre Naia. A primeira aula do dia é de História com a Sotora Fernanda Bernardes, segue-se Inglês com o Daniel Filipe e Filosofia com o Prof. Vasco a que carinhosamente tratamos por ‘’abajour’’ devido ao seu excêntrico penteado.
No intervalo grande, subo ao átrio do segundo andar pelas escadas de madeira no fundo do liceu. A meio patamar saem uns miúdos disparados da sala de Trabalhos Oficais e quase caiem pelos degraus. Viro à direita e entro na casinha da Associação. O Paulo, o Anibal e a Susana, o Dadinho e o Brasuca, a Luisa Branco, a Nônô e o João Paulo atropelam-se naquele pequeno espaço tão entretidos estão com o stencil para o jornal.
O hall está uma confusão, com a Margarida Palma e uma colega a jogarem badminton no meio de toda a gente. O Foca, o Zé da Burra e o Cá-Zé, conferenciam a um canto com ar de gozo. A Minô, a Filó e as Ferreira entopem o bar.


A porta da rua está aberta e a Teresa, a Ana Margarida, a Nini Velhinho, o Cabaços, o João Librax, o Artur, o Tó Zé Faustino, a Paula Couto, a Zita, a Ivone Mil-Homens e o Jose Luis do Bombarral, as Carmitas, a Élia com o Paulo Renato e a Paula Ribas entopem a saída. À parte de trás chega o grupo das motos, o Miguel Crespo com a sua mini-Casal, o Zé Vargas e o Bairradas com as suas Casal Trial, o Jorge Magalhães e a Nini Gouveia com as suas Suzuki e Yamaha, o Cavim com a Gilera, o seu irmão Jô com a Nicha atrás, o Pêpê e o Rui Bento do O. A Orlanda, a Paqui e a Cristina chamam pela Nini para irem treinar voley.
Cravo o terceiro cigarro da manhã à Mila Ferreira - hoje vale tudo, é SG Filtro, Ritz ou Português Suave - e subo para a aula de 2 horas de Educação Física. No andar de cima está o grupo do Cadaval, a Paula, o Luis, o João e o Duarte. O João Miguel conversa com a Di.

Hoje estou por minha conta. Saio do liceu e vou comer uma crise ao Tric. Depois de almoço subo ao Camaroeiro Real para ir jogar flippers. São quase três da tarde.


Passo à Taiti e subo ao primeiro andar. Já lá estão todos. Peço ao Sr. Saul um café e um pampilho e cravo um novo cigarro à Anabela Elias e mando uma boca ao Joca e à Paula. Às quatro da tarde rumamos ao Queens para aproveitar a matiné de quarta-feira, único dia em que abre à tarde durante a semana. Nem nós nem os da Escola Comercial têm aulas à quarta à tarde!
Dou um beijo à Paula Lopes e à Cristina que vêm da Académica, os seus grandes olhos sobressaem carregados de rímel e de lápis. Juntamo-nos todos nas traseiras do Montepio antes de entrar.
Grande tarde! A Joana não me ligou nenhuma mas isso também já é habitual! Há mais peixe no mar!
Após o fecho, às sete, vamos um grupo ao beco dos Teixeiras, à fábrica de bolos. A mesa de matraquilhos está ocupada e decidimo-nos por ir à Floresta. Entramos pelo longo corredor. Amofino o papagaio como habitualmente e delicio-me a ver as sandes de salada de polvo e de coentrinhos de orelha de vaca que nunca como! Um grupo de veteranos está a jogar à laranjinha e nós escapulimo-nos para o pomar das traseiras. As mesas estão livres mas cobertas de caca de pombo. As bolas estão todas picadas pelos pássaros e a mesa empenada, mas é o que há!
Às oito regresso finalmente a casa para jantar. Cruzo-me com a Anabela Venâncio que me pergunta pelo Tó-Zé Lemos e pela Paula de Alvorninha do nosso tempo do 7º ano. Trabalhos de casa e passagem rápida pela Zaira. O João e o Romão estão de serviço e eu pago um café que fiquei a dever ao Jorge no dia anterior.

Acabo o dia a ouvir a 24ª Hora na Rádio Comercial. No meu quarto só se ouve Rádio Comercial em FM.


Quinta-feira.

Hoje só tenho aulas mais tarde. De manhã ainda ouço o TNT- Todos no Top (com o patrocínio dos Shampoos Timothey!) com o Jorge Pego e a Manuela Moura Guedes. Passo à MagicSom para ver o que saíu e sigo para o Liceu. Tenho Alemão com a S’tora Alice Grilo, Moral e Religião com o Padre Eduardo e mais uma catrefada de aulas.

No intervalo do almoço venho a casa e passo nas escadas da Traviata para comprar o Falcão e o Mundo de Aventuras. Começo a contar os tostões para ver se ainda dá para ir ao Diário de Noticias comprar o Motor ou o Automundo, a semanada vai acabar-se num ápice.
No intervalo da tarde temos reunião na Associação, estamos a tratar dos contactos com a Touricoop e com a Top Tours para ver quem faz o melhor preço para a excursão, ainda me cruzo pelo caminho com o Albano e a Xana, as minhas irmãs conversam em grupo com a Blica, as Palma, as Vaz Pato e a Isabel Nunes, a Ritinha e a Cláudia.


Ao fim da tarde vou ao Machado comer um russo com uns amigos e as colegas nazarenas, a Teresa, a Maria João e a Luisa. Desafiam-me para ir aos matraquilhos do café ao lado mas prefiro ir jogar bilhar com o João Gancho para a cave do Central. Passo mais tarde pelo Carlos e a Elsa na Duarte Pacheco e entro no Franco para tomar uma imperial com o Quim, o Tó-Zé e o Luis Rebelo ‘’Sancho’’ e vou para casa jantar.

À noite fico a ver Os Anjos de Charlie e a ouvir o Morrison Hotel do Rui Morrison.


Thanks God it’s Friday!

Tenho duas horas de Educação Física sempre a jogar Voley com o Paulo Mateus e o Paulo Jorge, o Pedro Sebastião e o marrão do Alcides. Depois uma sucessão de aulas até ao almoço. O Sr. Hermínio vem-me azucrinar por deixar sempre os livros no liceu. Vou tomar um café ao Gato Preto e sigo para casa na companhia do Joca e do Toni que vão pelo mesmo caminho. Tenho que fazer um TPC. Ligo a Rádio e os meus programas preferidos vão passando com as horas. O Vapor com o José La Féria, a Discoteca com o Adelino Gonçalves e as crónicas de Londres do Corte-Real, o Rock em Stock com o Luis Filipe Barros e a Ana Bola.

É dia de semanada. Vou comer um prego ao Convivio onde encontro a Zé, a Clara e o Paulo Gaspar e vou tomar café à Zaira. Juntamo-nos alguns para ir à Cave do Vale e depois à festa da Azenha.
Vou no Fiat 850 do Norberto com a Maria João e o Sérgio. Desço as escadas e cumprimento o Sr. Montês e a D. Maria pedindo um Toupeiro. Brinco pela milésima vez com a cera das velas e juntam-se ao grupo o Manel Luis, o Manel Zé e o João Manel e ainda a Paulinha, a Rosarinho e a Guida. Um grupo de Óbidos na sala das vergas está particularmente ruidoso, o Paulo Cardoso, o Banana e a Carmita, o José António, o Oscar, a Teresa e a Rosário, o David e a namorada . Chegam depois as Alpoim Calvão. O Octávio eo Zé Mineiro estão na mesa ao lado da minha com duas holandesas. O costume!
Enquanto o grupo com quem fui segue para a Usseira, vou com os Maneis para a Azenha. A nós ainda se juntam o Quim Maria, o Carlos João e o Fernando Berardo. Sou o mais novo do grupo, o que já se torna habitual.
Está o Jorge na entrada. No bar estão hoje o Henrique, o Rui e o Helder. Encontramos um grupo grande de amigos e pedimos Cuba Libre e whiskys. A música é boa mas tive azar de entrar ao som do Voulez-Vous dos Abba. As miúdas adoram e vão para a pista de dança. Fazem muito bem! No piso de baixo só me apanham se for para ir namorar para as mesas debaixo da cabine.
Estão lá o Luis Faria, o Hernani, a Rosa de Portalegre e a prima Guida das Gaeiras.
O Rui aparece com o Paulo e o Pedro Maluco mas vão cedo para outras paragens.
Aparecem milhentas caras conhecidas. Revejo os irmãos ‘’Torralta’’, a Sónia, o Luis e o Paulo Rua que aparecem nessa noite vindos de Lisboa. Vêm também de Lisboa a Gisela e o Teorias. Chega um grande grupo da Foz com o Salomão, o Batata, os Batalha Reis e os Araújo, o Zé, o Fernando e a Marina, os Picaretas, o Cristiano abraçado ao Manel Severino e os Sottomayor com as Hermanas. Chegam os Pessoa de Carvalho com alguns do grupo de forcados, o Hazakis, o Lameiras, o Vasco, o Camané Sequeira e o Luis Valério. Reencontro as manas Vazão, envaideço-me com a Xuxu, minha primeira namorada dos tempos da primária e vejo como a Paula está cada vez mais bonita, a Teresa olha-me com timidez. Mais gente que vem de Lisboa, o grupo da Rua Raul Proença traz o Carlos ‘’Caralhete’’ e mais umas caras desconhecidas. Chegam os do Cartaxo, o Paulo Vieira Dias com a São e a Sameirinho, o Pira e o Miguel, o João Paulo e o Rui Paulo, a Xana e a Bébé Rocha Homem. Chegaram os do Bombarral, os Figueiras com o Titico, de Almeirim veio o Nozes, o Sérgio, o Zé e o Mário Dinis Lucas. Chegaram também os de Torres Vedras com o Zé Manel Bota Fora à cabeça. Que festa!
Passam-se as horas. Muitos começam a partir. Tenho uma porcaria de uma paragem de digestão e começo a ficar enjoado. Ninguém está para me levar a casa e não me apetece regressar sozinho a pé. É o Zé Godinho que me traz na Peugeot mas não sem parar primeiro no Oasis para comer um pão quente, e eu enjoado no carro. Longas são as noites!


Finalmente chega o Sábado, o meu dia preferido.

Começo com um pequeno-almoço de duas vianinhas quentes e uma arrufada dos Teixeira. Na rádio passa a Grafonola Ideal com o Júlio Isidro. Vou à Goia para comprar uns jeans e sigo para a Zaira. Tenho de dar um beijo a centena e meia de amigas da minha mãe e da minha avó, opto por uma cumprimento rápido e apenas beijo a D. Leonarda, a minha avó, a Maria da Natividade, a Cristina e a Maria Helena Jales que estão na primeira mesa. A outras que se considerem cumprimentadas. Fujo para a mesa dos meus amigos, como habitualmente ao fundo da sala, à esquerda por trás do arco.


Damos umas passas meio às escondidas enquanto tomamos o café. Os meus pais hoje vão almoçar uma caldeirada com as minhas irmãs ao Félix mas nem a ideia de comer a Montanha Russa me seduz. Decidimos ir depois de almoço a S. Martinho, ao Feelings. Mas antes ainda vou jogar uma hora de ténis com o Diogo e o Kiko que chegaram de Lisboa.

Tomamos café no Pão de Ló de Alfeizerão e eu ironizo com algumas das músicas da Juke Box (Adamo, Silvie Vartan, James Last, Claude François, Sérgio e Madi, Duo Ouro Negro,…). Passamos à Viamar mas está fechada aos sábados e seguimos para S. Martinho.
Quando descemos à cave já os acordes do Born To Be Alive se fazem ouvir. A malta que tem casa de férias em S. Martinho, os Palma, os Gomes, as Gama, já lá está toda e acabamos por formar um grupo de trinta. Terminamos a comer pastéis de nata junto aos Bombeiros.

Nova noite, nova corrida. Hoje o programa inclui chouriço assado na Biquinha e depois Ferro Velho.
Sr. Zé diga aos Morenos para irem abrindo a porta que estamos para chegar!


A todos os que viveram comigo a adolescência
A todos os amigos
A todos os que já partiram mas que ainda vivem
Em mim!





Terry Jacks - Seasons in the sun 1974


quinta-feira, 6 de maio de 2010

O PIOLHO E AS REPRISES


Durante os anos setenta os dois únicos cinemas nas Caldas eram o Cine-Teatro Pinheiro Chagas na Praça do Peixe (5 de Outubro) e o Salão Ibéria no Parque, ao lado dos pavilhões do Liceu.

As noites de estreia do Pinheiro Chagas (estreia é um eufemismo já que os filmes estreavam-se meses depois de Lisboa!), eram muito concorridas, sobretudo as dirigidas ao público infantil ou juvenil. Lembro-me de já nessa altura irmos em grupo adquirir os bilhetes aos 15 e 20 e tomarmos posse de uma fila inteira!

As sessões durante o Carnaval eram memoráveis com todo o público mascarado e confetes e serpentinas a voarem pelos ares!

Nessas sessões viradas para toda a família como os filmes do Herbie, o ‘’Hello Dolly’’ e o ‘’Dr. Doolitle’’, ‘’A Canção da Noruega’’ ou ‘’Música no Coração’’, sentávamo-nos na plateia ou nos camarotes familiares sendo que um dos camarotes centrais eram ocupados invariavelmente por duas amigas de sempre com os seus pais. Não sei quem era mais invejado, se elas por ficarem nos melhores lugares se nós por podermos estar entre os amigos no forrobodó da plateia!

Nas tardes sossegadas de fim de semana, invariavelmente o meu grupo do ténis voltava dos courts do parque e subíamos à Praça do Peixe contando os tostões. Com 5 escudos conseguíamos um bilhete para a Geral, conhecido como o Piolho, para ver as reprises das sessões da tarde.

O Piolho era o último piso, por cima dos camarotes, onde se sentava o público de menores posses. Um segregacionismo que felizmente damos como acabado!

Algum tempo depois o Pinheiro Chagas faliu e foi votado ao abandono até à sua demolição.Contudo, o nosso cinema preferido era o Salão Ibéria, sobretudo por ficar no parque.Durante anos, nas matinés e nas soirées, como se costumava dizer, frequentámos este cinema e muitos dos nossos namoros começaram aí, nos tempos em que se podia fumar na sala e não havia pipocas nem Coca-Cola.

Algumas estórias deste cinema ficaram célebres como aquela do homem que quando viu rugir o leão da Metro Goldwin Meyer exclamou – ‘’Vamos embora Maria que já vi este filme!’’ ou quando o arrumador, já após o inicio da sessão, se aproximou com a sua lanterna para indicar o lugar a algum grupo de retardatários e se ouviu gritar – ‘’Foge Márinho que vem aí uma bicicleta!’’.

Este cinema foi testemunha da nossa adolescência e aí tivemos as primeiras paixões cinematográficas. Filmes como os ‘’Amigos’’ e a sua sequela ‘’Paul et Michèle – Amigos e Amantes’’ levaram-nos pela primeira vez a repetir uma sessão. Mais tarde ‘’Paul and Virginia’’ e ‘’Jesus Christ Superstar’’ e ainda ‘’Saturday Night Fever’’ e ‘’Grease’’ tiveram o mesmo efeito.

Muitas noites após convencermos o porteiro, de que admirávamos a sua Java 350, entrávamos de borla após o inicio da sessão ou no primeiro intervalo. Nessa altura uma sessão de cinema era constituída por desenhos animados, uma curta-metragem e as apresentações de futuras estreias após o que se fazia um pequeno intervalo antes de começar o filme principal.

Estas apresentações de futuras exibições constituíam o prato do dia pois muitas vezes os filmes apresentados não pertenciam ao mesmo escalão etário do filme principal. Certa tarde o projeccionista enganou-se e trocou uma apresentação de um Western Spaghetti do Clint Eastwood pela apresentação do filme Western Porn. Aqueles 3 minutos de película, apresentando os melhores momentos (incluindo cenas subaquáticas que no Oeste também havia ribeiros!) revelou-se ser a nossa primeira verdadeira aula de educação sexual!

O Salão Ibéria passava sobretudo reprises de filmes dos anos 60 e 70, estreando um filme de quando em vez. Nas tardes de fim de semana as películas eram invariavelmente de ‘’caubois’’, o Western Spagetti ou seja filmes feitos por italianos com nomes artísticos americanos e realizados no deserto de Mérida em Espanha (Trinitá, Django, Sartana, Sabata, Ringo) ou épicos feitos em Itália, o famoso Peplum italiano (Hércules, Sansão, Maciste, Ursus). Do lado americano víamos os filmes do Tarzan com Johnny Weissmuller e os épicos como ‘’Spartacus’’, ‘’Quo Vadis’’, ‘’Ben-Hur’’, ‘’A Túnica’’, ‘’Os 10 Mandamentos’’ e ‘’A Biblia’’ enquanto de Hong Kong chegava a grande novidade da época, os filmes de Kung-Fu, com ou sem Bruce Lee.

Na sua maioria estas sessões de aventuras ou as comédias italianas ‘’picantes’’ com a Gloria Guida e a Edwige Fenech eram exclusivas dos rapazes mas quando convencíamos as raparigas a alinhar íamos ver filmes sobre as aventuras de adolescentes como os já referidos ou as comédias ‘’La Boum – A Primeira Festa’’, ‘’Gelado de Limão’’ ou ‘’Porky’s’’ e a comédia pura dos Charlots (os Malucos no Circo, no Supermercado, na Guerra, etc,) de Marty Feldman, Mel Brooks e Louis de Funes.

Mas o Salão Ibéria também teve grandes estreias ( seis meses depois de Lisboa!) como ‘’A Torre do Inferno’’, ‘’A Aventura do Poseidon’’, ‘’Papillon’’, ‘’Tubarão’’ e ‘’Aeroporto 1975’’.

Numa tarde de chuva de inverno, estava eu numa aula de alemão do 10º ano com a Profª Alice Grilo a dizer-me pela enésima vez ‘’Paulo ruhig!’’, quando se ouviu um grande estrondo e pela janela vimos o telhado de telhas antigas do velho barracão abater-se sobre si mesmo.

Era o fim do nosso querido cinema! Algum tempo depois numa noite amena as paredes que restavam deram de si e o velho Salão Ibéria entregou a alma ao criador! Com ele ficaram muitas das nossas mais doces recordações da infância e da adolescência.






















domingo, 2 de maio de 2010

BALLET


Acho que o Paulo tem sido brilhante nas suas exposições, ou “estórias”. Graças a estas, tenho reavivado a memória, e são muitas e bonitas as lembranças destas duas décadas.

Mas talvez correndo o risco de ser tendenciosa atendendo ao género (neste caso feminino), não posso deixar de referir aqui o extraordinário papel que a Casa da Cultura teve na minha vida, nomeadamente pelo ensino e divulgação da dança.

Fomos muitas, e alguns. Éramos as alunas do Ballet, guiadas e ensinadas pelo Prof. José Correia, que teve um papel importantíssimo na nossa formação artística e humana. Nas memórias das antigas alunas, o Zé Correia ocupa um lugar de destaque. Ensinou-nos a dançar, mas também a noção do brio, da perseverança e do orgulho. Também ensinou a humildade, mas a humildade educada, não a da subjugação.

Em 1975, ano em que entrei para o Ballet, o “dress code” era o preto total. Parecíamos pequenas baratas ou formigas e eu lembro-me de achar o salão onde a aula era dada absolutamente assustador. Tinha 5 anos. A verdade é que era lindo. A Casa da Cultura era linda, com aqueles tectos trabalhados e aqueles salões tão vividos de memoráveis festas.

Mais tarde tivemos direito a uma nova sala de aula, onde tudo brilhava, desde o chão de madeira clara de tábua corrida, às barras no mesmo tom e aos espelhos imensos colocados a todo o comprimento de uma parede.

Nessa altura já não tínhamos de nos vestir de preto total e competíamos numa profusão de cores e malhas ao bom estilo “Fame”.
Encomendávamos os fatos numa loja pequenina, na Rua Heróis da Grande Guerra e era uma emoção quando íamos comprar as sapatilhas, ou os “maillots”.

Quem andou e gostou de andar no Ballet, nunca esquecerá o cheiro a couro de umas sapatilhas novas onde depois cosíamos as fitas de cetim a combinar com a cor das mesmas.

Desses tempos, o Grupo de Bailado, os ensaios exigentes, os espectáculos nos Pimpões e os nervos, meu Deus, os nervos…

Nos meus 9 anos de aprendizagem vi formarem-se boas bailarinas e excelentes mulheres, e aqui tenho de referir a Élia Parreira, colega e amiga, dona de uma alegria e generosidade sem fim, entre tantas outras (e também alguns). Algumas são hoje professoras de Ballet, como a Cláudia Finote, a Vanda Nogueira e a Isabel – estas últimas nos Pimpões. Outras foram mesmo bailarinas, aqui e no estrangeiro, mas a memória atraiçoa-me para os nomes.

Era bom que “aparecessem” por aqui… E fotografias, também!

Também não posso deixar de sorrir sempre que me lembro que ao lado da Casa da Cultura havia o pavilhão do Karaté (ou seria Judo?), cujas aulas eram da responsabilidade do Prof. Coutinho. Quantas vezes os pupilos deste não nos faziam esperas no pequeno largo (sim, Pedro Vila, eras um deles) e quantos “responsos” não ouvi por chegar tarde a casa…

Bem, a verdade é que em 70 e 80 a cidade fervilhava de actividade desportiva, artística e cultural.
A Casa da Cultura era uma “Casa” numa Cidade onde a Cultura era vivida.

Quase todos nós praticamos mais que uma actividade desportiva, e tivemos acesso a tantas outras a um custo praticamente zero para os nossos pais. Era só escolher!
Os “responsáveis” pela cidade à época, souberam cuidar dos interesses das crianças e jovens e a verdade é que quase todos o souberam e quiseram aproveitar.

Estas duas décadas, 70 e 80, foram o brilho que depois faltou nas outras duas que se seguiram e que agora (parece-me) está a ressurgir. Não importa quantas rotundas e fontes a mais. Importa agora que ressurja.


(post da Cecilia (Sissi) Martinho)






A Casa da Cultura teve um papel muito relevante para a formação cultural de uma geração, substituindo-se de forma épica à própria Câmara e institutos governamentais a quem competiria essa responsabilidade.

Nascida sob o estigma de utilizar o velho Casino que tão entrosado estava na vida da cidade, a Casa da Cultura nunca conseguiu livrar-se dessa marca que a condenou a ser de forma involuntária uma fonte de divisão da sociedade caldense e por isso mesmo não vendo reconhecido o seu extraordinário papel para o desenvolvimento da cultura caldense. Ficámos todos a perder, ficámos todos mais pobres.

Foram aqui criadas as raízes do Teatro da Rainha e doutras artes cénicas como o teatro de marionetas. Foram igualmente desenvolvidas actividades nas áreas desportivas e circenses.

Foi contudo no ensino da dança clássica e sobretudo no ballet que a Casa da Cultura mais se notabilizou com o trabalho do Prof. José Correia a colmatar a lacuna deixada pelo fim das aulas da conceituada Profª Isabel Affonseca no ginásio do Ramalho Ortigão.

Já numa crónica anterior falámos de António Rodrigues a propósito da natação. José Correia merece igualmente um destaque e de ser devidamente reconhecido na formação de uma geração. Obrigado Sissi por o teres lembrado.


PC


in Gazeta das Caldas 23.01.2003 - Suplemento ''A Dança nas Caldas da Rainha''








VIAGEM FINALISTAS 1983



Estudantes finalistas às compras à porta da Discoteca Piper's






(post do Nuno Aniceto / Parrila)

PODER EN LA OSCURIDAD


No ano lectivo de 1979/1980 a lista B encabeçada pelo Paulo Lemos voltou a vencer as eleições para a associação de estudantes do Liceu. Dela faziam parte, entre outros, o António Eduardo ‘’Dadinho’’ (que tinha o pelouro de fazer o jornal ‘’Perspectiva’’, ainda feito com stencil e com a colaboração gráfica do João Paulo Feliciano), o Rafael, a Teresa Requeijo, a Nônô,a Teresa Lamy e eu.

Eu e a Teresa ficámos com as funções de ‘’Relações Públicas’’ (pois!) e competia-nos acolher as delegações desportivas ou de outro teor das outras escolas e representar no exterior o liceu das Caldas.Também fomos incumbidos de angariar fundos para a excursão de finalistas que iríamos promover na Páscoa de 1980. (estávamos feitos!)

Arranjámos uns patrocinadores que nos davam as bebidas (cervejas, águas e sumos) para os convívios e ainda uns prémios para sortear e conseguimos obter umas taças para promover uns campeonatos de vários desportos.

Decidimos organizar um primeiro convívio que decorreu no grande átrio do primeiro andar do Liceu e que teve um enorme sucesso. O segundo convívio foi organizado no hall da entrada do Liceu e cada vez conseguíamos ter mais gente.

Fomos então ainda mais afoitos e decidimos pedir autorização à Administração do Hospital Termal para nos ceder a esplanada do parque, que nessa altura estava encerrada, e foi aí que organizámos mais dois convívios, um deles com música ao vivo.

Lembro-me que conseguimos angariar o suficiente para toda a gente levar dinheiro de bolso para a excursão e pagá-la àqueles que não tinham dinheiro para ir.

Na Páscoa, e na companhia do padre Eduardo e da Profª Fátima, lá fomos nós para a nossa primeira viagem sem os pais.

A semana em Torremolinos foi um estrondo, na verdadeira acepção da palavra. Logo que chegámos uns alunos do Maria Amália atiram com um frigorífico pela janela fora enquanto outros fizeram uma limpeza completa a um dos supermercados, enfim!

Eu fui entretanto e compulsivamente ‘’nomeado’’ responsável pelo grupo do nosso liceu e tive que entregar o bilhete de identidade na recepção para o caso de no final haver algumas contas por pagar devido a eventuais estragos.

Ficámos alojados em Benalmadena no complexo Zodíaco e eu reparti um apartamento na torre Piscis (o nome que lhe dávamos era outro!) com o Paulo Lemos, o João Miguel Dinis, o Mário João Carvalho e o Rafael que de tanto comer queijo flamengo e conservas ficou doente ao fim de uns dias e só melhorou em Portugal!

Foi uma semana espantosa com autênticas maratonas sem dormir e a correr non-stop todas as capelinhas, o Borsalino, o Gatsby, o Joy, a Cleópatra e, o melhor de todos, o New Piper’s com as suas três pistas de dança, uma que subia e descia (e cada vez que subia roubávamos os focos do tecto!), um biombo translúcido onde víamos a silhueta de uma bailarina que dançava enquanto não atirávamos o biombo abaixo e nos atirávamos à bailarina.

Um balcão tão grande que tinha desenhado uma fita métrica e um grande baloiço entre as pistas. Duas Harley Davidson, um automóvel antigo e um charrete completavam a decoração!

Foram noites fantásticas aqui passadas com muitas estórias para contar. Recordo-me que nos fartávamos de rir com as apresentações que o DJ fazia das músicas, sempre com a habitual tradução para espanhol (não as referia nunca em inglês!) e os grandes êxitos eram Poder en la Oscuridad (Power in the Darkness) de los Tom Robinson Band e Otro ladrillo en la Pared (Another Brick in the Wall) do álbum El Muro (The Wall) de los Pink Floyd (que nós cantávamos com uma letra convenientemente adaptada!)

Numa das noites decidiram alguns dos nossos meninos e meninas fazer uma guerra de extintores no hall central e pelos apartamentos da torre Piscis numa guerra Rapazes vs. Raparigas que só acabou com a chamada da segurança.

Escusado será dizer que à partida tivemos problemas na check-out e o meu BI ficou lá retido, tendo eu voltado clandestino para Portugal. (grande cena na fronteira de Badajoz!)

Uns anos depois em passagem por Torremolinos com o Rui Rodrigues, as minhas irmãs e a Cristina Machado voltámos a ir ao Piper’s (agora com um grande cubo de água no interior a fazer de piscina!) e lembrei-me de ir mostrar às minhas irmãs ‘’ a cena do crime’’.

O meu BI continuava pregado, juntamente com outros, na parede por trás da recepção! Safa!


(1980)


Poder en la Oscuridad

tom robinson band - power in the darkness


Otro Ladrillo en la Parede

Pink Floyd - Another Brick in the Wall

sábado, 1 de maio de 2010

O SOTÃO



Num dia de Verão de 77 ou 78 estávamos nós (os três primos Crespos: o Miguel, o Alberto Nuno e o Johnny, o João Gancho, o Kiko, o Diogo (estás aqui connosco amigo!), o Rato (Ricardo Ramos), eu e talvez os primos Pedro e Miguel Calisto, a maldizer a vida por sermos tão novos e não podermos ir ao Ferro Velho ou à Azenha quando um dos Crespos se lembrou que poderámos fazer a nossa própria boite. O local encontrado foi uma das arrecadações do pátio das traseiras da casa da sua avó, a D. Liberdade. Durante uma tarde esvaziámos toda a arrecadação, lavámo-la e limpámo-la.
Ao segundo dia caiámos as paredes e julgávamos ter a casinha pronta para a festa ams houve um de nós que achou que lhe faltava qualquer coisa. Eu lembrei-me de um poster que tinha colado na parede do quarto do Jesus Christ Superstar ‘’à la’’ Andy Warhol e fui a correr a casa buscá-lo.
O Miguel que sempre teve muito jeitinho para os trabalhos manuais pegou num papel vegetal e copiou-o transpondo para a parede. Uma imagem a negativo, a preto e branco, do Jesus Christ Superstar ficou assim pintada na parede do fundo (a dois metros da porta que a arrecadação era mínima). A boite foi assim baptizada de ‘’Superstar’’. Depois os Crespos fizeram uns convites e preparámo-nos para a primeira festa, num domingo à tarde.
Apareceu tanta gente que tivemos de colocar os estendais de roupa com uns lençois a ampliar o espaço (tipo esplanada) de forma a que todos pudessem dançar sem estar ao sol.
Nas matinés seguintes (todos os dias) apareceu tanta gente que a arrecadação já não chegava e um dia os Crespos fizeram uma surpresa.
Tinham arranjado o sotão do prédio, com acesso exterior das escadas de serviço e feito uma verdadeira – achávamos nós! – boite.
Tinha bola de espelhos, cabine de disco jockei e tudo. O sotão durou anos e marcou uma geração!


Santa Esmeralda - Don't Let Me Be Misunderstood



Santa Esmeralda - House of the rising sun

sexta-feira, 30 de abril de 2010

MATINÉS NO CASINO


A propósito das fotos dos bailes de máscaras que se realizavam no Casino das Caldas vieram-me à memória grandes recordações dessa época que marcou a minha infância e a minha pré-adolescência.

Desde sempre o Casino organizou bailes e soirées que alcançaram fama não só em Portugal como no estrangeiro através dos maiores nomes da canção ligeira portuguesa e europeia. As temporadas de Verão do casino e a semana do Carnaval constituíam o ponto mais forte com inúmeros bailes e concursos de misses.

Não vou aqui desenvolver este tema que já está tão bem retratado no blog dos ex. alunos do Externato Ramalho Ortigão mas trazer à memória as matinés de Carnaval no casino dedicadas às famílias, incluindo as crianças.

Era um dos pontos mais fortes do ano para nós e alguns esmeravam-se na confecção ou no aluguer de trajes e máscaras que vestiam nessas matines. Lembro-me particularmente de um ano em que os primos Crespos apareceram vestidos de astronautas com o capacete com redoma de vidro e tudo. Um espanto!

Lembro-me também que as melhores festas de máscaras para crianças do Casino eram organizadas pela Bé Castro, mãe da Bibú e da Vani.


No inicio dos anos 70 a Direcção do casino contratou um conjunto que teve uma carácter mais permanente, os Xaranga Beat, esta banda tocava nos bailes de Verão (sendo o mais importante o baile de Chitas no 15 de Agosto) e do Carnaval, e faziam o frete de animar a pequenada e os adolescentes nas matines aqui referidas.


Esta banda conheceu várias formações sendo a que eu melhor me recordo (o que me aturavam nos ensaios!) o Carlos Cavalheiro (voz) , Júlio Pereira (piano, órgão e viola) (sim o talentoso músico do cavaquinho), Carlos Patricio (baixo) e Rui Venâncio (bateria) posteriormente substituído pelo Zé da Cadela.

Este grupo mudou posteriormente o seu nome para Xaranga (não confundir com o grupo de música etno-popular Charanga do Chico Carrilho) e quando gravaram os seus dois singles utilizaram a designação Xarhanga.

Foi ao som dos Xaranga e da voz do Carlos Cavalheiro que eu dancei os meus primeiros slows, a música? Michelle, Yesterday ou The Long and Winding Road dos Beatles. As damas: a Margarida Sousa e a Isabel Ramos Coelho. Tinha pouco mais de 10 anos!

Apesar do seu inglês não ser muito ‘’oxfordiano’’ lá se desenrascavam com agrado com covers dos Beatles (All My Loving era um must!) e outros grupos da época (música ligeira que a velha guarda não permitia devaneios!).

No entanto as músicas que me ficaram na memória por tanto serem cantadas ao longo das tardes, foram as suas versões de Sunny de Bobby Hebb e de My Bonnie de Tom Sheridan (que mais tarde mereceu um cover dos Boney M). Como curiosidade Tom Sheridan gravou na Alemanha uma versão de My Bonnie com um grupo chamado The Beat Brothers que não eram mais do que os Beatles.

My Bonnie lies over the ocean
My Bonnie lies over the sea
My Bonnie lies over the ocean
Oh bring back my Bonnie to me

REFRÃO

Bring back, bring back
Bring back my Bonnie to me, to me
Bring back, bring back
Bring back my Bonnie to me

Last night as I lay on my pillow
Last night as I lay on my bed
Last night as I lay on my pillow
I dreamed that my Bonnie was dead


REFRÃO

Oh blow the winds o'er the ocean
And blow the winds o'er the sea
Oh blow the winds o'er the ocean
And bring back my Bonnie to me


REFRÃO

The winds have blown over the ocean
The winds have blown over the sea
The winds have blown over the ocean
And brought back my Bonnie to me


REFRÃO



Covers dos Xharanga: Matinés no Casino

Tonny Sheridan & The Beat Brothers (Beatles) - My Bonnie


Bobby Hebb "Sunny" (1966)

THE BEATLES - ALL MY LOVING (CLOSE YOUR EYES)


Ainda em 1973 os Xaranga Beat deram a vez aos We como banda residente, um conjunto de músicos locais formados especialmente para o efeito.


Do conjunto WE podemos ver o Luís Silva, o Jaime Saez Salgado, o António João Freitas e o Carlos Silva ou Cazé. Em algumas fotos encontramos também o Carlos Sena, já falecido, que participou na actuação.



Em 4 de Setembro de 2010 na Festa do nosso Grupo, os WE  tiveram um enorme gesto de amizade para com todos nós e reuniram-se (sem o Jaime, ausente por motivos profissionais) ao fim de 30 anos para nos dar um concerto memorável numa noite memorável.