sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NÃO É PRECISO CORAGEM


Para escrever não é preciso talento
É preciso coragem
Coragem para começar
Coragem para continuar.

Quando falamos de nós e não dos outros
É preciso coragem
Coragem para nos expor
Coragem para partilhar!

Para ser solidário não é preciso talento
É preciso coragem
Coragem para começar
Coragem para continuar

Quando damos algo de nós e não dos outros
É preciso coragem
Coragem para dispor
Coragem para partilhar!

Em ambos os casos
o que é preciso é começar
Depois, continuar

E finalmente veremos que a nossa coragem
Só é mesmo necessária
Se formos os únicos.
Se estivermos sós!



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

EM SERVIÇO PÚBLICO

OBRIGADO SENHOR GULBENKIAN

Ainda hoje não consigo entender muito bem as razões porque Calouste Gulbenkian se decidiu a ficar em Portugal e dedicar toda a sua fortuna à instrução, formação e cultura do povo português.

Para quem conhece pouco a sua história direi que era um rico comerciante arménio nascido em Scutari, Turquia e que por disposição testamentária, antes de morrer em Lisboa, determinou que a maior parte de sua fortuna, acumulada na indústria e no comércio do petróleo, além de quadros e objetos de arte, fossem destinadas para uma fundação em Portugal, a Fundação Gulbenkian (1955), cujo objectivo seria promover a caridade, a educação, a arte e a ciência.

Cônsul-geral do Irão em Paris, no início da segunda guerra mundial refugiou-se em Portugal (1942), onde fixou residência.

Era conhecido como "senhor cinco por cento" devido à sua participação de 5% na Iraq Petroleum Company.

Em Abril de 1942, entrou em Portugal pela primeira vez, convidado pelo embaixador de Portugal em França.

Inicialmente, Lisboa seria apenas uma escala numa viagem a Nova Iorque, mas o empresário adoeceu e acabou por ficar mais tempo do que planeara, agradado com a paz que em Portugal se vivia durante o conflito que devastava o resto da Europa. Sentindo-se bem acolhido, estabeleceu residência permanente em Lisboa, no Hotel Aviz. Acabou por se instalar definitivamente em Portugal até à sua morte em 1955.


O testamento, datado de 18 de Junho de 1953, criou a fundação com o seu nome que ficou herdeira do remanescente da sua fortuna, e que tem fins caritativos, artísticos, educativos e científicos, elegendo Portugal para a sua fixação - agradecendo, postumamente, o acolhimento que teve num momento crítico da história da Europa e sabendo o respeito que em Portugal haveria pelo escrupuloso cumprir da sua vontade.

Já ouvi testemunhos de Mário Soares e de Jorge Sampaio que foram seus advogados e que referem que o facto de Gulbenkian ter permanecido no nosso país quando de inicio estaria apenas em trânsito para um exílio nos Estados Unidos, foi o facto das pessoas o cumprimentarem sempre com um sorriso e um bom dia no elevador do Hotel e nos cafés sem mesmo saber quem ele era. Dizia que isso era raro nos outros países que visitara.

Um bom dia com um sorriso fez com que Portugal beneficiasse por mais de 50 anos da sua generosidade, da sua solidariedade.

A minha crónica de hoje, ‘’EM SERVIÇO PÚBLICO’’ fala de mais um episódio pitoresco da minha adolescência, fala da minha paixão pelos livros, fala dos momentos que eu deixava a minha mente voar para os mundos dos piratas do Capitão Morgan e do Sandokan, para a selva de Tarzan, para as sete partidas do mundo de Júlio Verne e até para os fantásticos lanches dos Cinco! Fala da Biblioteca Gulbenkian instalada no parque D. Carlos I!

Devo muito à biblioteca Gulbenkian em termos de instrução, formação e lazer. Os seus livros ajudaram-me tanto a superar aqueles dias tristes de chuva de inverno que, por fim, já ansiava por eles.

Olhando agora para trás, vejo que também eu beneficiei da generosidade, da bondade de um refugiado estrangeiro, que apenas procurava abrigo de um mundo em guerra.

Ainda hoje existe quem procure abrigo de uma sociedade desequilibrada. Mas muitos não têm os meios de Calouste Gulbenkian.

E assim e agora, chegou também a minha vez de retribuir a generosidade de Calouste Gulbenkian, ajudando quem mais necessita.

Por isso no dia 11 de Dezembro estarei em Óbidos na Festa Anos 70 e 80 em Apoio à Instituição AJUDA DE BERÇO.






EM SERVIÇO PÚBLICO

Já anteriormente, em outras crónicas, abordei a importância que a Biblioteca Gulbenkian, instalada num dos pavilhões do parque, teve não só para mim mas para toda a população das Caldas e muito particularmente para os jovens da minha geração.

Adquirir livros não era um acto tão corriqueiro quanto o é hoje e o poder económico das familias nos anos 60 e 70 não era grande. Apesar de existirem várias livrarias nas Caldas como a Parnaso, a Pelicano, a Polana e a Tertúlia e a Tália também vendiam livros algumas papelarias como a Áurea, o Silva Santos, a Átila e ainda a Jornália. Contudo comprar livros ao ritmo da sua leitura era despesa completamente impensável quando o rendimento familiar era contado até aos tostões.

Daí que no seguimento da biblioteca instalada em 1962 num pavilhão do parque já com leitura domiciliária, foi inaugurada oficialmente em 1969 a biblioteca nº 156 da Fundação Gulbenkian. Esta biblioteca da Gulbenkian passava agora a ser fixa depois de anos em que serviu as Caldas com serviço itinerante.

E assim, a partir de meados dos anos 70 passei a frequentar assiduamente a biblioteca, tornando-me um utilizador frequente e constante e foi graças a esta biblioteca que pude aceder às obras que ilustraram a minha adolescência. Primeiro as obras de Julio Verne, Emilio Salgari, Enyd Blyton, Edgar Rice Burroughs, Leslie Charteris, Agatha Christie, Sir Arthur Conan Doyle, George Simenon, Paul Feval, Erle Stanley Gardner, Ellery Queen, Alexandre Dumas e depois os autores portugueses, Eça de Queirós, Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, Almeida Garret, Pinheiro Chagas, Ramalho Ortigão.


Entrava na biblioteca e depois de apresentar o meu cartão à bibliotecária sentada à direita de quem entra e apresentar os livros que levara para casa, disparava para as prateleiras situadas imediatamente à esquerda da porta de entrada.

Sabía que iria aí encontrar os livros indicados para a minha idade. A forma de classificação da biblioteca era bastante interessante com etiquetas coloridas na lombada de cada livro. Cada cor indicava o limite mínimo de idade a que podíamos aceder ao título. Os livros estavam dispostos por cores e eu sabia quais as prateleiras que continham os livros que podia levar para casa. Eram as à esquerda da porta. Só à medida que fui crescendo pude aceder às outras prateleiras, primeiro às do centro e depois às do fundo. Nunca cheguei às da direita e muito menos à sala do fundo onde estavam as preciosas encadernações resguardadas das mãos das crianças. No inicio dos anos oitenta quando parti para Lisboa já pouco utilizava a biblioteca que contudo se manteve em funcionamento até 1997.

O meu gosto pela leitura ficou mas ainda hoje me custa pegar em livros que não são meus, com receio de os estragar, com pena de não os manter!

A biblioteca cedeu o seu lugar à Biblioteca Municipal, erigida na Rua Vitorino Froes mas ainda hoje ao passar diante da porta da antiga biblioteca sinto uma grande nostalgia desses momentos passados no seu interior em busca de um novo título ou de quando quase corria para o parque logo após a hora de abertura para verificar se já fora entregue o livro que eu perseguia há semanas.

E ao olhar para aquela porta interrogo-me como teriam sido diferentes aquelas tardes de inverno chuvosas se não tivesse a companhia de todos aqueles livros cuja leitura a biblioteca me proporcionou.


E pergunto-me também como terão passado os outros jovens mais velhos do que eu se não fosse o serviço que a biblioteca e a Fundação Gulbenkian proporcionou à população caldense.

A história do serviço bibliotecário nas Caldas é interessante. Só nos finais dos anos 40 se instalou a primeira biblioteca nas Caldas quando uma comissão sob o nome de Grupo de Amigos da Biblioteca conseguiu reunir suficientes donativos e obras suficientes para constituir uma primeira biblioteca que ficou guardada no Sindicato dos Caixeiros.

Depois conseguiu-se instalar provisoriamente num dos arruamentos do Parque, por trás da estátua de Ramalho Ortigão, uma biblioteca de apoio ao jardim apenas com uma estante e uma mesa. Os livros tinham de ser lidos no local e devolvidos antes do encerramento.

Biblioteca instalada no Jardim Teófilo Braga (Jardim da Parada) em Campo de Ourique.
A biblioteca do Parque D.Carlos I deveria ser semelhante a esta que data da mesma altura.

Só em 1962 se inaugurou uma biblioteca com serviço domiciliário num dos pavilhões do parque, calculo que no mesmo local onde se situou a Biblioteca Gulbenkian que lhe sucedeu em 1969.

Esta biblioteca substituiu o serviço itinerante que a Gulbenkian já proporcionava à população local.

Os serviços bibliotecários itinerantes da Gulbenkian foram criados em 1953 e eram constituidos por unidades móveis, carrinhas Citroen Hy especialmente adaptadas para o efeito que transportavam no seu interior mais de 2000 livros.


Passaram a servir a população das Caldas e concelhos limítrofes a partir do inicio dos anos sessenta e as suas distintivas carrinhas Citroen ‘’Rinoceronte’’ tornaram-se famosas por todo o país.

Mal saberia a Gulbenkian que utilidade teria uma dessas carrinhas após a sua merecida reforma!


No inicio dos anos 80, um nosso amigo,o Luis Oom, apareceu um dia na Foz, onde a sua familia ainda hoje mantém uma casa de férias, com uma dessa carrinhas que tinha adquirido não me lembro em que circunstâncias.

A carrinha mantinha a iluminação original ou fora-lhe instalada um género de gambiarra e no seu interior foram montados uns divãs e uma mesa com banqueta. Parecia uma autocaravana rudimentar!

O Luis mostrou-a orgulhoso a todos os seus amigos e todos tivemos direito a dar uma volta. Finalmente, no sábado seguinte, o Luis decidiu ir nela até à Green Hill.

Estacionou-a triunfante perto da entrada, com a frente a dar para a parede à direita da entrada onde pediu ao Sr. Beja que lhe fosse deitando um olho.

Nessa mesma noite um seu amigo, conhecido por todos os que desde sempre frequentaram a noite da Foz, veio pedir-lhe um grande favor. Queria namorar à vontade com a sua namorada de há muito e gostaria de poder estar mais em privado com ela na carrinha Citroen.

No inicio o Luis recusou veemente mas depois ainda que relutante aquiesceu ao pedido do seu amigo mas encheu-o de recomendações e alertas para manter a decência.

Que sim, afiançou-lhe o amigo. Não haveria lugar a nenhuma falta de respeito, seria tal e qual o namoro no interior da discoteca mas ao abrigo dos olhares e das bocas dos amigos.

O Luis ainda se manteve muito preocupado. Tinha medo do que poderia acontecer e do que isso poderia ter como consequências para si próprio como proprietário da carrinha. E ficou ainda mais de pé atrás quando o amigo lhe garantiu que não aconteceria nada mais do que normalmente acontecia no interior de qualquer outra viatura estacionada no parque da Green Hill. O que ele foi dizer!!!


Finalmente com a garantia da jovem namorada ele lá entregou as chaves da Citroen e o casalinho lá foi todo lampeiro para a viatura.

Mas o Luis continuava inquieto e acho que só sossegou quando o Rodrigo, o ‘’Batata’’, subiu ao tejadilho da carrinha e espreitou pela claraboia que aí existia, certificando-lhe que tudo se mantinha dentro dos limites da decência.

A partir dessa vez foram muitas as noites que a carrinha esteve estacionada à porta da Green Hill e foram também muitos os pedidos que o Luís teve para ceder a viatura por alguns minutos. O Luís mostrou-se algumas vezes irredutível mas a verdade é que de vez em quando lá a voltava a emprestar. Contudo, os pedidos eram tantos que sugerimos que começasse a cobrar e a determinar o período de tempo de utilização para dar lugar a todos.
Foi o suficiente para o Luis desaparecer com a carrinha e até hoje não voltei a pôr-lhe a vista em cima!

Que será feito dela? Terá a Gulbenkian consciência do enorme serviço público que aquela Citroen continuou a prestar ao longos desses anos após a sua reforma?






AS BIBLIOTECAS ITINERANTES DA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN (1958-2002)
Texto Complementar à crónica ''Em Serviço Público''


Para o início efectivo das bibliotecas móveis em Portugal é apontado a data de 1953, referente ao início dos serviços de uma biblioteca-circulante, implementada por Branquinho da Fonseca, no Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, em Cascais, onde na altura exercia funções de conservador-bibliotecário. Esse carro-biblioteca deslocava-se até “às associações, escolas e lugares centrais das povoações, proporcionando, através do empréstimo domiciliário, o acesso ao livro pela população.” [Neves, pág. 3]. Era de carácter gratuito e o acesso às estantes era livre.

Biblioteca móvel, do Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, de Cascais
(ver fonte no fim do post)

Em 1958 a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) criou, por sugestão do mesmo Branquinho da Fonseca, um serviço similar ao de Cascais, mas que almejava abranger todo o território nacional, incluindo mesmo os arquipélagos. Surgiu assim o Serviço de Bibliotecas Itinerantes (SBI), que B. da Fonseca dirigiu até à sua morte (1974). Este tinha como objectivos “promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço.” [Neves, pág. 3] Afigurava-se como tal um serviço de leitura pública moderna.

O público a quem era mais dirigido o serviço era sobretudo aquele que era mais parco no acesso à educação e cultura, habitando nas regiões mas desfavorecidas. estendendo-se a todas as faixas etárias. Todavia será no público mais jovem que este serviço terá melhor acolhimento, apesar de se pretender contemplar de modo símile todas as idades. (ver [Melo, 2004a])

“As bibliotecas itinerantes ou carros-biblioteca levavam a bordo cerca de dois mil volumes arrumados nas estantes. Nas prateleiras de baixo, encontram-se os livros para crianças, nas prateleiras do meio a literatura de ficção, de viagens e biografias e, por fim, nas de cima os livros menos procurados, de filosofia, poesia, ciência e técnica. Circulavam por territórios que abrangiam mais do que um concelho, permitindo, após o cumprimento das formalidades de inscrição e requisição, o empréstimo dos livros por períodos de um mês, prorrogáveis, sendo até possível efectuar reservas.” [Neves, pág. 3 e 4]

A opção inicial por bibliotecas itinerantes foi motivada sobretudo pelo facto de grande parte das populações nunca antes terem tido contacto com este tipo de serviço e como tal revelava-se essencial ser a biblioteca a deslocar-se até elas, até em razão dos potenciais leitores possuírem poucos tempos livres, e de os meios de deslocação dos mesmos serem escassos. Com os veículos móveis era possível chegar ao Portugal mais profundo, dos pequenos lugarejos, de habitações mais dispersas (e uma grande parte destes povoados nem se localizava propriamente no interior do país). Indubitavelmente o cerne deste serviço era o leitor e as suas efectivas necessidades, o que era algo incomum nas bibliotecas mais tradicionais portuguesas. (ver [Melo, 2004b, pág. 282-83 e 330-331])

Este serviço era em muitos casos o único contacto com os livros que se possibilitava a muitas populações. Todavia, observa-se o cuidado de não atender apenas à leitura lúdica (embora seria esta a mais saliente) mas também à leitura informativa e formativa, abarcando o maior número de temáticas possíveis (e também incluindo nestes manuais de estudo, oficiais). A escolha do fundo documental obedecia a critérios bem definidos, por uma comissão, e era publicado num catálogo, actualizado regulamente (o primeiro, de 1960, possuía 1674 títulos diferentes). No acervo das obras disponíveis foram-se incluindo mesmo, embora lentamente e com certas reservas, algumas obras que não eram muito do agrado dos dirigentes políticos do Estado Novo. Ressalva-se, todavia que o empréstimo deste tipo de obras, era restrito a certas pessoas. (ver [Melo, 2004a])

Bibliotecas Itinerantes (Citröen) da Fundação Calouste Gulbenkian
(ver fonte no fim do post)

Inicialmente, em 1958, foram colocadas em circulação 15 bibliotecas itinerantes (sobretudo na região de Lisboa e litoral), mas o seu crescimento inicial foi deveras acentuado, sendo que em 1961 já circulava pelo país (estendendo-se ao interior) um total de 47 veículos de marca Citröen. (ver [Melo, 2004b, pág. 334]) “No que concerne ao pessoal que assegurava o funcionamento destas unidades móveis, era constituído por dois elementos: o auxiliar e o encarregado, responsável pela biblioteca, a quem competia orientar o leitor nas suas escolhas de leitura”. [Neves, pág. 4] O encarregado “não tinha de de ter nenhum curso específico, nem sequer de ser diplomado, apenas precisando de ser alfabetizado, evidenciar alguma cultura geral, gosto pelo livro e predisposição para o contacto com o público”. Entre eles incluíram-se “grande número de intelectuais reconhecidos” como Alexandre O’Neill ou Herberto Hélder [Melo, 2004b, pág. 285]

A FCG estabeleceu parcerias com as autarquias, em que estas cediam instalações para depósitos de livros (cada carrinha tinha o espólio no interior e mais o dobro de reserva num espaço exterior) e pontualmente contribuíam para o pagamento das despesas, ao passo que à FGC arcava com o grande ónus das expensas (fornecer o acervo de obras, o biblio-carro, pagar os honorário do pessoal, o combustível, despesas de manutenção e conservação, etc). (ver [Melo, 2004b, pág. 283-84]) A Gulbenkian teve assim a incumbência de se substituir em grande parte ao Estado a sua função de criar uma rede de bibliotecas, até pelo facto de o Estado não estar muito interessado na formação de cidadãos plenamente esclarecidos e informados. Por outro lado, e reportando somente ao valor material do livro, o seu corrente acesso era na época apenas factível a classes mais favorecidas.

Este serviço itinerante teve desde o seu começo uma elevada recepção, sendo que somente três anos volvidos, em 1961, o número de leitores inscritos era de cerca de 250 mil e foram requisitados cerca de 2,5 milhões de livros. Apenas para se observar a acentuada evolução, no ano seguinte o número de leitores inscritos era já de cerca de 350 mil e foram requisitados cerca de 3,5 milhões de livros (ver [Melo, 2004b, pág. 334])

Gradualmente, desde o 2º semestre de 1959, foram-se instalando algumas bibliotecas fixas, sobretudo em locais de maior centralidade e inseridas em organismos públicos, o que induziu, pelo menos a um acréscimo mais paulatino dos efectivos móveis. Em 1962 já existiam 36 bibliotecas fixas e 47 móveis, o que já evidenciava uma razoável cobertura do país. “Em 1963 introduziram-se as bibliotecas itinerantes e fixas nos Açores e na Madeira. Em 1967 contabilizavam-se 205 bibliotecas (61 móveis e e 144 fixas) (ver [Melo, 2004b, pág. 334-335]. Ainda assim, só em 1972, é que a própria FCG deu por «concluída» a sua rede de bibliotecas itinerantes e fixas, totalizando, respectivamente, 62 e 166 unidades” Nesse ano existiam cerca de 475 mil leitores inscritos e foram requisitados cerca de 6 milhões de livros. [Melo, 2004b, pág. 291 e 334]. As Bibliotecas móveis sempre serviram aos povoados mais pequenos e periféricos ao inverso das fixas.

Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian
(ver fonte no fim do post)

Desde o início da década de 70 o projecto SBI vê a sua sustentação fragilizada no seio da FCG, pois esta pretendia que as despesas (bastante elevadas e com um 'retorno' algo dúbio) fossem repartidas com o poder central e local. Em 20-2-1974 chegou mesmo a existir uma reunião onde se discutiu a extinção da SBI, contudo a eclosão do 25 de Abril, mudou o panorama global e o serviço manteve-se, sofrendo algumas reestruturações.

No período (1981-1996) em que Vergílio Ferreira foi director do SBI, foi enfatizado a animação da leitura e a difusão literária e cultural. Deste modo forami reforçadas as actividades de promoção da leitura e dos livros (exposições, debates, encontros com autores, leitura de contos e poesia, etc.) nas bibliotecas Gulbenkian. Em 1983 o SBI foi renomeado SBIF (Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian).

Vergílio Ferreira”foi um defensor da manutenção do projecto de bibliotecas FCG, pois entendia que a proposta lançada pelo IPLL não era uma alternativa completa, dado não cobrir então todo o pais (excluía as regiões autónomos) e por não ter um serviço de unidades itinerantes.” [Melo, 2004b, pág. 302].

A implementação gradual do Programa Nacional de Leitura Pública, a partir de 1987, que visava a construção de bibliotecas de feição mais moderna de acordo com os princípios de Manifesto da UNESCO contribui para o decréscimo progressivo do número de efectivos da SBIF que se vinha registando desde o início da década da década, sobretudo de móveis que rapidamente se extinguiram (ver[Melo, 2004b, pág. 294-298]. Por outro lado muitas das novas biblioteca da Rede Nacional de Leitura Pública começaram a integrar o serviço de biblioteca itinerante. Contudo em muitos dos casos a gradual ausência das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian das povoações, não foi colmatada pelos novos serviços móveis, sobretudo nos povoados mais periféricos.

Em 1993 o SBIF passava a SBAL (Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura) e em 19 de Dezembro de 2002 era definitivamente extinto.

Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian
(ver fonte no fim do post)

No total, segundo aponta Manuel Carmelo Rosa, director do Serviço de Educação e Bolsas da Fundação Gulbenkian, o serviço de bibliotecas itinerantes e fixas da FCG emprestou ao longo de quarenta e quatro (1958-2002) anos cerca de 97 milhões de livros e, chegou a quase 29 milhões de leitores, distribuídos por cerca de três mil novecentas povoações. Para cumprir com sucesso esse serviço adquiriu ao longo dos anos mais de cinco milhões de livros. (ver notícia LUSA/RTP abaixo)

Estes números são muito diferentes do que Daniel Melo apresenta. Relativamente ao número de empréstimos, e apenas entre 1958 e 1989, este regista 140 862 248 livros emprestados; e no mesmo período de tempo relativamente a livros adquiridos regista 7 849 749 livros. [Melo, 2004b, pág. 334-335]. Na mesma obra de Daniel Melo é registado que apenas entre 1958 e 1990 o número total de leitores foi 46 423 881. Desses, cerca de 36 551 663 (78,7%) foram crianças e adultos [Melo, 2004b, pág. 343]. Estes valores evidenciam a enorme importância que este serviço da Gulbenkian assumiu em Portugal e espelham de modo singular o elevado sucesso que granjeou no seio do povo português.

A propósito, Carmelo Rosa lembra que quando uma biblioteca móvel era substituída por uma fixa todo o acervo da móvel (quer do seu interior, quer em depósito) era oferecido ao município. Em Dezembro de 2002 com a extinção do programa praticamente todo o acervo bibliográfico e documental transitou para as autarquias. (ver notícia LUSA/RTP abaixo)

Saliente-se que a Fundação Gulbenkian continua a prestar um fundamental apoio às bibliotecas portugueses, sobretudo Públicas e Escolares, agora não através de unidades físicas (fixas ou móveis), mas de programas, serviços, diversas iniciativas, apoio financeiro e material, etc. que lhes concede; e de eventos e iniciativas (conferências concursos, formações, etc.) que produz nos e a partir dos seus espaços. E como lembra Carmelo Rosa "no seu website tem disponível mais de 30 mil fichas de leitura relativas ao que mais importante se publicou desde a década de 60".

Biblioteca Itinerante (renovada) da Fundação Calouste Gulbenkian
(ver fonte no fim do post)

Se desde finais da década de 80 o número de bibliotecas itinerantes da Gulbenkian diminuiu, essa redução foi sendo contrabalançada com o acréscimo sucessivo, de novas unidades referentes às bibliotecas não pertencentes à rede Gulbenkian. Estes bibliomóveis apresentam-se, regra geral, melhor apetrechados, incorporando já sistemas multimédia e informáticos. Por outro lado tem se vindo a diversificar o tipo de serviços móveis prestados, com a inclusão de bibliocaixas, bibliomalas, etc. A edificação de pólos e extensões das bibliotecas públicas não tem sido muito significativa, não servindo assim efectivo contraponto a este serviço. Na actualidade existem várias dezenas de bibliotecas públicas que prestam este serviço itinerante.

Na generalidade dos países da UE ou da OCDE, e basta olharmos para os nuestros hermanos, existe uma considerável profusão de redes de bibliotecas móveis. E na generalidade dos casos, não se tratam apenas de meros princípios verbais assinados num documento ou pontuais intercâmbios de serviços, produtos ou recursos humanos. São efectivas redes onde em muitos casos a mesma unidade móvel movimenta-se um raio de acção supra-concelhio, orientada por políticas de promoção da leitura e da literacia digital de âmbito regional.


Referências bibliográficas:

MELO, Daniel

2004a Leitura e leitores nas bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957-1987). [em linha] [consultado em 23/12/2006]

2004b A Leitura Pública no Portugal contemporâneo : 1926-1987. Lisboa : Imprensa de Ciências Sociais. ISBN 972-671-137-1

NEVES, Rui – As bibliotecas em movimento. As bibliotecas móveis em Portugal. [em linha] [consultado em 23/12/2006] Comunicação apresentada no “II Congreso de Bibliotecas Móviles”, que decorreu em Barcelona, de 21 a 22 de Outubro de 2005. (em formato word-pdf)

Gulbenkian emprestou 97 milhões de livros – notícia da Agência Lusa/RTP 18-7-2005

Fonte das imagens (referenciadas acima):

NEVES, Rui – As bibliotecas em movimento. As bibliotecas móveis em Portugal. [em linha] [consultado em 23/12/2006] Disponível em www:

Comunicação apresentada no “II Congreso de Bibliotecas Móviles”, que decorreu em Barcelona, de 21 a 22 de Outubro de 2005. (em formato ppt)


Publicada por Fernando Vilarinho no blog ''Bibliotecas de Portugal'' em 12/24/2006

domingo, 21 de novembro de 2010

ÓBIDOS



EU TAMBÉM GOZEI A MINHA ADOLESCÊNCIA EM ÓBIDOS NOS ANOS 70 E 80

Falar dos meus tempos de adolescência nas Caldas é falar dos excelentes tempos passados em Óbidos. Calculo que para todos nós, Óbidos tenha sido a nossa segunda casa.

Em ‘’Cruzando os Anos em Poucos Dias’’, a minha crónica que descreve o nosso quotidiano ao longo de uma semana daquela época, eu faço justamente menção a uma deslocação a Óbidos. Estava nos nossos hábitos. Era indissociável da nossa vida adolescente.

Lendo as crónicas dos mais velhos, aqueles que foram jovens nos anos 60 e 70 e cujos testemunhos estão expressos nos blogues dos Antigos Alunos do Externato Ramalho Ortigão e dos Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial, verifico que nos seus hábitos de juventude estavam também enraizadas as excursões nocturnas a Óbidos.

Os jovens de Caldas e de Óbidos misturavam-se nas escolas e nos cafés, nas festas e nos namoros. Ninguém conseguiria diferenciar-nos.

Calculo que ainda hoje seja assim.

Íamos ao sábado e domingo à tarde às festas privadas do Marinho na Rua Direita e íamos à noite ter com o Sr. Roberto e com D. Maria à Cave do Vale , o Toupeiro. Íamos comer uma linguiça assada à Biquinha ou ouvir um fado ao Ramiro. Mostrávamos o segredo do mural na parede do Ibn Errik Rex onde bebíamos uma grande ginginha feita se calhar ainda pelo Montês, enquanto contemplávamos as milhares de miniaturas de garrafinhas. E muitas vezes ainda sobrava tempo para um whisky na Estalagem do Convento.

Organizámos festas na discoteca da estalagem e jantares em casa das Alpoim Calvão.

Gozar a adolescência na nossa região era também usufruir de tudo o de bom que Óbidos, os lugares e os nossos amigos, tinham para nos oferecer.


MEGA FESTA DE APOIO À AJUDA DE BERÇO

É com muito orgulho que anuncio que a próxima festa do nosso grupo será organizada em Óbidos. Não é uma festa qualquer. Já não será apenas uma festa de reencontros, será sim uma festa de afectos, um compromisso, um gesto de amizade para com os amigos, de amor para com quem mais precisa.

Dia 11 de Dezembro, nos antigos armazéns da EPAC (junto à estátua da mão-pomba de José Aurélio) agora em vias de serem transformados (ONE NIGHT ONLY!) numa mega-discoteca, vamos organizar uma grande festa  com música dos anos 70 e 80!

Numa parceria do nosso grupo de amigos com a ÓBIDOS-VILA NATAL vamos fazer acontecer!

Vamos dar uma mega-festa com música ao vivo e com a participação de muitos Djs. que marcaram a nossa época e que não quiseram deixar de se associar a este evento.

E o mais importante,

TODAS AS RECEITAS DESTE EVENTO IRÃO PARA APOIO À INSTITUIÇÃO AJUDA DE BERÇO.

Eu não disse que era tempo de começar?

Será uma pequena aragem sobre o mar que se poderá transformar numa onda.

NÓS PODEMOS FAZER A DIFERENÇA!

Esta festa estará integrada num conjunto de acções distribuídas por vários concelhos da Região Oeste de apoio àquela instituição. E nós vamos dar o nosso contributo!

Basta estar presente! Basta divulgar entre os amigos e colegas de trabalho!

Esta não será apenas uma festa do nosso grupo, será uma festa do OESTE SOLIDÁRIO, aberto a todas as gerações, a todas as vivências. Queremos receber de braços abertos, com a fraternidade do Oeste, todos os que quiserem vir de todo o país!

POR UMA CAUSA!

POR SERMOS QUEM SOMOS!

DIA 11 DE DEZEMBRO, NOS ARMAZÉNS DA EPAC EM ÓBIDOS, VAMO-NOS DIVERTIR E COM OS NOSSOS SORRISOS, COM OS NOSSOS ABRAÇOS, FAZER ALGUMAS CRIANÇAS FELIZES!


DOIS ARMAZÉNS   DUAS PISTAS DE DANÇA    UMA MEGA-DISCOTECA
E OS DJs

CHARLIE
DJ LBR
JOÃO LEIRIA
JOÃO ''POP CROSS'' BERNARDES
JOÃOZINHO PRETO
JOCA PIMENTA
LUISA ''THE QUEEN OF FUNK'' PIREX
E
ZÉ MANEL CAMPOS
...

Agora, por Facebook ou por mail, por sms ou pelo telefone, por sinais de fumo ou garrafas atiradas ao mar, partilhem esta noticia.

Partilhem, partilhem, partilhem, pois neste caso partilhar é já por si um gesto solidário e quantos mais de nós tivermos na festa maior será o contributo para a Ajuda de Berço.


A vida foi feita para amarmos e sermos amados! Por este motivo, devemos decidir resolutamente que, nunca mais, nenhuma criança seja objecto de rejeição e desamor!

Madre Teresa de Calcutá

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

UMA PEQUENA ARAGEM SOBRE O MAR

CARTA DA AJUDA BERÇO



É TEMPO DE AGIR






UMA PEQUENA ARAGEM SOBRE O MAR

Eu cresci a acreditar que os acasos da vida sempre corrigiriam o que estava errado. Que a pobreza, o abandono, as doenças que via na televisão seriam erradicadas um dia pelo linear da vida.

Acreditava sinceramente que as coisas se modificariam até eu ser grande e que no entretanto a nossa sociedade seria mais justa, mais equitativa e tecnologicamente mais desenvolvida para acabar com todas as incorrecções do mundo.

Ao crescer vi que me enganara e que não será uma força etérea que transformará o mundo mas o nosso esforço.

Compreendi também que se tentarmos abranger o todo, seremos sufocados pela imensidão de problemas… e desanimaremos perante a nossa própria incapacidade de mudar o mundo, pela nossa impotência perante a injustiça.

Gradualmente comecei a compreender que não podemos ter a veleidade de mudar tudo e não podemos corrigir tudo de uma vez.

Mas compreendi também que se focalizarmos o nosso esforço para corrigir algo que esteja ao nosso alcance, algo que seja mensurável e possível de mudar, então teremos a capacidade de fazer a diferença.

Lao Tse, um filósofo chinês, disse um dia que uma grande caminhada começa sempre com um pequeno passo. A muralha da China começou pela primeira pedra e sou daqueles que acreditam que uma ligeira lufada de ar cria uma pequena ondulação na água que acaba por se transformar numa enorme onda.

Nós podemos fazer sempre a diferença se algum dia começarmos!

E nós vamos começar.

Dia 11 de Dezembro, em Óbidos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA - LINGUAGENS SECRETAS


Entrei na sala de aula e vi a Teresa Lamy passar meio às escondidas à Marina um papelinho dobrado em quatro.

Não gostei! A Teresa não costumava esconder-me muitas coisas e pensei logo que estivesse a guardar um segredo naquela troca de correspondência.

Julgo que durante todo o dia, eu e os outros rapazes tentámos obter da Marina aquela mensagem. Não tivemos qualquer sucesso em arrancá-lo da nossa colega mas eu consegui vislumbrar o texto quando ela o abriu durante uma aula.

Não consegui entender nada do que estava escrito e pensei que era apenas uma partida das raparigas.


Nos outros dias começaram a circular cada vez mais papéis entre as raparigas e as aulas do Ciclo agitaram-se entre trocas de mensagens e risadas de cumplicidade entre as colegas.

Começámos a ficar fartos de sermos gozados com a situação e não descansámos até compreender o que se passava.

Um olhar de esguelha por cima do ombro da colega da frente mostrávamo-nos um texto escrito numa linguagem desconhecida. De inicio pensávamos sinceramente que estavam a gozar connosco mas percebemos que elas realmente entendiam o conteúdo das mensagens e faziam uma verdadeira troca de correspondência entre si. Será que elas tinham aprendido com alguém uma língua nova para além do Francês que estudávamos? Inglês sabíamos que não era pois começáramos a aprender algumas palavras nesta língua. Espanhol também não. Seria alemão?


Virámo-nos para o António José que vivera na Alemanha e pedimos que escrevesse umas frases nessa língua. Nã! Não era nada parecido! Que mistério se passava pelos corredores, recreios e salas de aula da Escola Comercial?

Finalmente o Luis Rebelo Sancho ou o Tó-Zé Cavaco, não lembro quem, conseguiu arrancar das mãos da Luisa Branco um desses malfadados papeis e trouxe-o vitorioso até nós!

Não compreendemos nada à primeira e pensámos que definitivamente estavam apenas a gozar connosco, até que um olhar mais atento do Joaquim Franco trouxe a descoberta.


- Elas estão a utilizar os ‘’pês’’ depois de cada sílaba. Escrevem ‘’pê’’ e depois as vogais da sílaba anterior! Vêem?! – Exclamou ele com um sorriso triunfante.

‘’Enpenconpontranpanmopo-nospos àpá sapaípidapa’’

Olhámos todos para o papel, soletrando as sílabas e finalmente entendemos a cifra.

Elas não falavam outra língua. Era a mesma coisa, só que cada sílaba começava com “pê”. Nada mais tolo!

Decifrado o mistério decidimo-nos vingar e encarregámos o Franco de encontrar uma linguagem cifrada só para nossa utilização.


Um dia depois surgiu com um texto e o seu código. Algo simples mas que servia para a nossa vingança:

1S M2N3N1S T2M 1 M1N31 Q52 S14 2SP2RT1S M1S N4S S4M4S M2LH4R2S!

Era tão simples de traduzir (conseguem fazê-lo?) e contudo as raparigas levaram dias a decifrá-lo (ok. estou a exagerar! Foi apenas um dia....umas horas, tá bem , pronto! Foi uma questão de minutos!) e de qualquer maneira o Joaquim Franco todos os dias aparecia com uma nova linguagem cifrada. Uma por exemplo consistia em iniciar um texto com um digito ( 3, por exemplo) e um sinal de + ou de -, escrever nas letras que fossem três números à frente ou atrás consoante a indicação. Assim:

(3+) COMPREENDERAM A MENSAGEM? FRPSUHHQGHUDP D PHQVDJHP?


Bem, mas enquanto nós desenvolvíamos linguagem cada vez mais encriptadas e mais difíceis de entender e de escrever (até por nós!) as raparigas passaram a utilizar uma nova linguagem em que a vogal ‘’a’’ era complementada com o sufixo ‘’aix’’, o ‘’e’’ com o ‘’eber’’, o ‘’i’’ com ‘’ifix’’, o ‘’o’’ com ‘’ober’’ e o ‘’u’’ com ‘’ufux’’.

Assim,

Ober meberufux naixmoberraixdober eber maixsifixs gifixrober qufuxeber ober teberufux!
(O meu namorado é mais giro que o teu!)

Enfim! Uma guerra sem quartel!

Aos poucos e poucos a moda foi alastrando e até brincadeiras da língua inglesa como a Pig Latin foram utilizadas por alguns.



O Pig Latin consiste em colocar a primeira letra da palavra no final desta e acrescentar a partícula +ay.  A razão desta mudança talvez seja para obter uma melhor sonoridade, já que a língua inglesa não é uma língua latina.


Por exemplo: I like to speak Pig Latin.    Ficaria:  Iay Ikelay otay peaksay Igpay Atinlay.



OU ISTO OU AQUILO


de: Cecilia Meireles

Oupou sepe tempem chupuvapa epe nãopão sepe tempem solpol
Oupo sepe tempem solpol epe nãopão sepe tempem chupuvapa!
Oupo sepe calpalçapa apa lupuvapa epe nãopão sepe põepõe opo apanelpel,
Oupou sepe põepõe opo apanelpel epe nãopão sepe calpalçapa apa lupuvapa!
Quempem sopobepe nospos arespares nãopão fipicapa nopo chãopão
Quempem fipicapa nopo chãopão nãopão sopobepe nospos arespares!
Épé upumapa granpandepe pepenapa quepe nãpão sepe popossapa espestarpar
Aopao mespesmopo tempempopo nospos doispois lupugaparespes!

(…)



Conseguiste decifrar? PAPARAPABÉNSPÉNS!




OU ISTO OU AQUILO

De: Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.




Mas falar com os Pês tem muito que se lhe diga. Há muito tempo surgiu um texto de autor anónimo que não utilizava a linguagem dos Pês mas fazia uma autêntica elegia à letra Pê.

PEDRO PAULO PEREIRA PINTO

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor, português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.
Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido,porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente,pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo.
Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo…
Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.
- Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo. -Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província.
Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:
- Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior.
Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias?
- Papai, – proferiu Pedro Paulo – pinto porque permitiste, porém, preferindo,poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.
Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas.
Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando… Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar… Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto, pararei.

Postado por Paulo (papaupulopo capaiapiadopo)


Quanpandopo eupeu eperapa criprianpançapa, upusapavapa muipuitopo apa linpingupuapa dopo Pêpê paparapa fapalarpar compom aspas mipinhaspas irpirmãspãs.

Bopoaspas repecorpordapaçõpõespes!


Da Wikipédia:

No Brasil a lingua dos Pês é escrita ao contrário. Consiste em se introduzir a consoante P seguida pela vogal precedente (e algumas consoantes - como o m, n, r, s, etc) de cada um dos fonemas da frase.

Por exemplo a frase: Quando eu era criança, usava muito a língua do P para falar com meus irmãos.
Ficaria: Panquan podo peueu pee para picri panan paça, puu pasa pava puimui poto paa pinlin puagua podo pePe papa para pafa parlar pomcom peme pusus pirir pãmã posos.


História da Lingua dos Pês:

Pesua peoperipegem perrepemonpeta pea Pessepegunpeda Pegueperra Pemunpedipeal, pequanpedo pessolpedapedos peapelipeapedos, peprepecipesanpedo pede peupema peforpema pede pesse pecopemupenipecar pecom pesseus pecompepapenheiperos pessem pesseperem peenpetenpedipedos pepepelos peipenipemipegos, pecripeaperam peupema pelínpegua peque pesseperia peepexapetapemenpete peipegual pea pelínpegua penapetipeva pedepeles, pepoperém peapecrespecenpetanpedo pea pessípelapeba pepe peanpetes pede pecapeda pessípelapeba pede pecapeda pepapelapevra pea pesser pedipeta.




No mundo cultural germânico existem várias formas de línguas infanto-juvenís similares a nossa Língua do Pê.
Na Alemanha, por exemplo, a mais conhecida e celebrada delas se chama Löffelsprache (Löleföf elefel spralefach elefe) que traduzido literalmente quer dizer Língua da Colher (Löffel = colher + Sprache = língua). Já na Suíça alemã existe uma língua similar em sua natureza que se chama Matteänglisch ou Mattenenglisch (Itteme-Inglische) que quer dizer 'língua falada num lugar chamado Matte'.
Vale notar que até existe literatura produzida nestas línguas. Também existem clubes de aficionados. Apesar de terem surgido na Europa, e no caso do Matteänglish mais especificamente na área de Berna, na Suíça, existem falantes desses idiomas 'construídos' em vários países do mundo para onde imigraram europeus de origem teuta (i.e. Brasil, Estados Unidos, etc.).




TEXTO COMPLEMENTAR À CRÓNICA
‘’A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA- LINGUAGENS SECRETAS''


Sabiam que existem realmente língua artificiais que são faladas por milhares de pessoas em todo o mundo? Desde o século 17 que se criam idiomas artificiais. E não se trata apenas das falas do quotidiano modificadas devido ao calão, e sim de idiomas completamente lógicos e complexos. Contudo a maioria não caiu no gosto popular.


No livro In The Land of Invented Languages (“Na Terra das Línguas Inventadas”) Arika Okrent cita mais de 500 idiomas extintos por falta de utilizadores. Mas entre esses idiomas artificiais alguns ainda permanecem hoje com milhares de falantes, desses que não morreram os mais populares são:


Esperanto

Criado por: L.L. Zamenhof, em 1887.

Origem: Construído a partir de palavras semelhantes em várias línguas, o esperanto foi criado para servir de idioma universal e promover a paz e a fraternidade entre as nações. Daí o nome, que significa “esperançoso”.
Inspiração: Vocabulários das línguas latinas, pronúncia das línguas eslavas.
Falantes: 200 mil.


Klingon

Criado por: Mark Okrand, em 1982.

Origem: Feita por encomenda para o 3° filme da série Star Trek – os produtores queriam que a raça guerreira dos Klingons falasse uma língua completa em vez dos grunhidos de sempre. Com os fãs, o idioma ganhou vida própria. Existe até o Instituto da Língua Klingon, que publicou uma tradução de Hamlet.
Inspiração: Sons guturais, com a intenção de soar alienígena.
Falantes: 20 mil


Sindarin

Criado por: J.R.R. Tolkien, 1920-1940.

Origem: Criar línguas era um passatempo do jovem Tolkien, que a partir delas inventou um mundo inteiro: o universo mítico de O Senhor dos Anéis, onde Sindarin é apenas o mais falado dos vários idiomas da raça dos elfos.
Inspiração: Galês.
Falantes: 10 mil



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O SENHOR DO ADEUS

Sim, eu sei que este texto nada tem a ver com a minha, com a nossa adolescência. Mas os valores que hoje professo, os afectos que hoje dispenso, foram-me incutidos pela minha familia e moldados pela minha vivência com os meus amigos. Se hoje sou o que sou, sou-o pelo contacto com os outros. Pelo contacto convosco. Para o bem ou para o mal, eu também sou o que os outros fizeram de mim.



O SENHOR DO ADEUS

Foi com uma grande tristeza que soube à hora de almoço pelas notícias na tv que morreu o Senhor do Adeus.


João Manuel Serra não dirá nada para muitos e no entanto a sua morte recebeu honras de noticiário na tv, jornais e internet, ao nível de uma grande figura da nossa política ou da cultura.


Eu passava por ele umas duas vezes por semana, no Restelo, onde passava uma boa parte do dia, sempre na mesma esquina (o resto do dia passava-a no Saldanha) e durante anos habituei-me ao seu acenar e ao seu enorme sorriso.


Por vezes ao buzinar para o cumprimentar acenava-me de tal forma esfusiante que saltava no passeio. Até parecia que me reconhecia!


Cumprimentei-o sempre, quer fosse sozinho ou acompanhado, em silêncio ou a conversar.


Como a grande maioria dos passantes, eu julgava que o senhor sofria de um qualquer desequilíbrio mental pois passar o dia a acenar aos condutores não é de gente sã!


Hoje, ao ler a noticia da sua morte, soube que afinal João Serra, o Senhor do Adeus, estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. Dizia ele que se apercebera que o seu comportamento, o acenar para as pessoas, deixavam estas felizes na sua ida para o trabalho.


Foi ainda com alguma resistência que aceitei esta constatação. Afinal quem no seu estado normal passa o dia a acenar e a cumprimentar com um largo sorriso, como de um amigo de largos anos, as pessoas que circulavam nos seus automóveis?!


Meu Deus! Onde foi que eu me transformei? Onde foi que eu perdi a fé na bondade das pessoas? Como podia eu alguma vez pensar que o Senhor do Adeus o fazia por genuína bondade, por vontade de tornar as pessoas um pouco mais felizes?


E no entanto, faz agora sentido que alguém que vivia sozinho e provavelmente com a maioria dos amigos longe ou já falecidos preferisse estar junto dos seus amigos automobilistas, a fazê-los felizes do que a permanecer em casa agarrado a um televisor. Faz todo o sentido optar por ajudar os outros quando se tem algum tempo do que a desperdiçar o tempo a embrutecer defronte do televisor.


João, desculpa eu não ter acreditado.


Daqui te aceno e obrigado por teres tornado os meus dias mais felizes.


Que o teu exemplo floresça em nós e nos torne melhores e mais solidários.




segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NO JARDIM-ESCOLA



Como? Não sei, mas lembro-me do meu primeiro dia no jardim-escola da Misericórdia, no Bairro da Ponte.

Lembro-me de entrar no hall e conhecer todas as divisões numa visita guiada pela Isabel, a directora. Sei que as recordo dessa altura pois desde a infãncia não entrei de novo no edificio.

À esquerda, a cozinha e refeitório ao fundo, a casa de banho com as suas várias sanitas de diferentes tamanhos e alinhadas lado a lado, ao centro, e uma sala logo à direita. Existiria ainda um gabinete para a Isabel à esquerda?

À direita, uma sala com janelas e portadas que davam para o jardim nas traseiras, uma divisão ao meio e a sala da Alicinha que dava para o lado da rua.

Nas traseiras, o pátio. Saía-se para um terraço mais elevado em varanda com alguns degraus a darem para o amplo jardim a toda a extensão. À sua direita o grande chorão em cujo interior havia um banquinho onde nos sentávamos procurando uma sombra nos dias de sol.

Ainda antes do chorão, uma pequena casita de bonecas em frente à qual cantávamos e dançávamos as músicas ‘’Ai ai ai minha machadinha’’, ‘’Que linda falua que vem de Belém’’ e ‘’Aqui vai o lenço aqui fica o lenço’’.

Do lado oposto, à esquerda do varandim, ficava uma arrecadação onde se guardavam pequenos móveis, ferramentas e produtos de limpeza.

Um dia o meu primo Kika esgueirou-se para o seu interior e temeu-se que tivesse bebido um golo de lixivia. Obrigaram-no a beber litros e litros de leite até vomitar mas o receio deverá ter sido infundado. Esta recordação é difusa pois dada a nossa diferença de idades eu não poderia andar na época no jardim-escola. Terá sido num dia de festa em que voltei a visitar o jardim-escola ou é uma recordação induzida por me terem contado a estória na altura?

Lembro-me dos baloiços ao centro do jardim e de estar suspenso pelos braços na trave que sustinha os baloiços. O meu primo Pedro puxou-me pelos pés e eu caí batendo com a cara na base de cimento de um dos pilares, partindo o nariz!

Recordo-me da directora, a Isabel que vivia por cima da Zá-Zá, no prédio onde viviam também a Teresa e a Manuela Ferreira, em frente ao Montepio e que teve uma filha chamada Marta. Lembro-me da Filomena e da Gracinha Jordão que eram as assistentes da educadora de infância. E lembro-me tão bem da doce e já idosa Alicinha, que ainda visitei por muitos anos na sua casa de um rés-de-chão da Rua Duarte Pacheco e que era irmã da D. Clarisse, professora primária no Colégio Ramalho Ortigão.

Como me recordo tão bem dos trabalhos manuais que com ela fiz no segundo ano da escola, onde andei nos meus 4 e 5 anos. De desenhar patinhos e coelhos em papel de lustro que depois era picotado sobre uma esponja verde e finalmente colado, já recortado, em papel de outra cor. Um patinho em papel de lustro laranja, assim picotado, ainda conservo num album de fotografias e de recordações da meninice!



À segunda-feira realizava-se o mercado semanal na encosta enlameada que ficava ao lado da escola e onde mais tarde se construiram prédios e a sede dos Pimpões. Toda aquela ladeira poeirenta enchia-se de vendedores, agricultores e criadores de gado que vendiam frutas e hortaliças, animais de capoeira e gado de todo o género, roupa, ferramentas e alfaias agrícolas, arames e vergas, mantas e sacas de serapilheira. As medidas faladas eram as arrobas e arrateis, quintais e quartalejos, moios, fangas e alqueires, toneis, almudes e quartilhos e falava-se em quarteirões e grosas...

E entre as vacas e os bois, os carneiros e as ovelhas, entre os gansos, patos, galinhas e coelhos, entre gaiolas de pássaros e muares, desfilávamos todos em fila, mãos dadas em cordão num deslumbre que se repetia semanalmente no dia preferido da criançada. E ainda hoje se mantém entre a pressão da Asae e dos hábitos mudados, a feira de segunda-feira, fiel herdeira do mercado do além-da-ponte da minha infância nos finais dos anos sessenta.

Depois, voltávamos em carreirinho até ao jardim-escola. E todas as manhãs, a meio das actividades e em todas as tardes, fizesse sol ou caísse chuva, no recreio ou numa das salas, jogávamos!

E que jogos maravilhosos! Neste tempo de videos e consolas, falta já pouco espaço para as brincadeiras fora do recinto escolar mas é forçoso que as nossas crianças encontrem tempo para brincar de uma forma que desenvolva as suas aptidões físicas e sobretudo a sua relação com os outros. Se não, estaremos a criar crianças com bom desempenho intelectual, com capacidade para interagir com as novas tecnologias mas sem espaço para a partilha, para a comunhão de vida com as outras crianças. Serão mais espertos, porventura mais inteligentes mas mais introvertidos e menos sociáveis do que poderiam ser. E um dia, quando forem à procura das suas memórias de infância lembrar-se-ão, por certo, do Pokemon, do Digimon, das Winx e da Puka, do Dragon Ball e da Hanna Montana mas... e do tempo compartilhado? Dos momentos fora da escola que não sejam dentro de uma sala em frente a um ecran seja de televisão seja de computador? Terão eles momentos de excelência que perdurarão nas suas memórias e farão com que, daqui a algumas décadas se consigam recordar dos seus amigos de agora e do que faziam em conjunto?

Então naquelas dias longos em que a imaginação vos falta para os entreter, ensinem-lhes os jogos da vossa infância e façam com que os partilhem com os amigos e deixem-se ficar a ver como eles se divertem, mesmo quando não têm uma televisão ou uma consola portátil por perto.


ALGUNS JOGOS INFANTIS DO MEU JARDIM-ESCOLA E PRIMÁRIA



JOGO DE SALTAR À CORDA

Regras: O Jogo de Saltar à Corda, podia ser disputado por várias participantes ao mesmo tempo (corda grande) ou individual (corda pequena).

Numa corda relativamente grande, duas participantes pegavam nas extremidades fazendo-a balançar, em movimento circular (dando à corda).

As participantes, individualmente, entravam na corda e sempre saltando de acordo com o movimento da corda. Tinham que manter-se dentro durante determinado tempo previamente designado. Pela mesma forma tinham que sair, tudo isto, sem interromper o normal andamento da corda.

Também era jogado com vários concorrentes ao mesmo tempo, que tinham que entrar e sair, sempre saltando, de acordo com o fosse determinado e conforme a ordem de participação dos concorrentes.

Perdia a participante que prendesse a corda, deixando por isso de rodar e, quando isso acontecesse, essa concorrente era penalizada sendo excluída do jogo, podendo ainda ter que tomar o lugar de pegar na corda (dando à corda).

Nestes jogos de Saltar à Corda, ganhava sempre o concorrente que durante as provas tivesse menos faltas.




BERLINDE

Material: Berlindes (esferas de vidro ou metal )

Terreno: Terra batida e plano

Número de Participantes: Vários

Objectivo: Meter os berlindes nas covas

Desenvolvimento: Fazem-se 3 covas. Cada jogador lança o berlinde. Quem conseguir chegar mais longe inicia o jogo que consiste em tentar enfiar os berlindes sucessivamente nas 3 covas que estão em linha recta empurrando-o com os dedos. Quando se consegue chegar à última cova faz-se o percurso no sentido oposto. À medida que os jogadores vão conseguindo estas etapas ficam com o direito de tentar acertar nos berlindes dos outros jogadores, também utilizando a técnica de os empurrar com os dedos na terra. Quando acertam ganham esses berlindes.




O JOGO DO PIÃO

O jogo do pião praticado especialmente pelos rapazes durante a primeira metade deste século volta a surgir sobretudo nos pátios das escolas.

Disposição inicial: Pode tratar-se de uma competição com tempo fixado, ou de um encontro em que o pião deve tocar nos piões dos restantes jogadores e projectá-los para fora de um círculo de jogo traçado no solo e continuar por si só a girar, considerando-se fora de prova os piões que saírem desse mesmo círculo.

Desenvolvimento: O movimento resulta de um cordel enrolado à volta do pião. O cordel segura-se com a mão por uma das extremidades o qual desenrolando-se o faz girar.

Participantes: Pode ser jogado por uma ou mais pessoas.

Material: Pião e cordel.




JOGO DA MALHA

Material: 4 malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); 2 pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical).

Jogadores: 2 equipas de 2 elementos cada.

Jogo: Num terreno liso e plano, são colocados os pinos, na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros de distância entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois o da outra, tendo como objectivo derrubar ou colocar a malha o mais perto do pino onde está a outra equipa, lançando-a com uma mão.

Pontuação: 6 pontos por cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. Quando uma equipa atinge 30 pontos, ganha. Uma partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.



CORRIDA DE SACOS

A corrida de sacos é uma prova pedestre de resistência, em que os concorrentes correm uma determinada distância (consoante o escalão etário) introduzidos num saco até à cintura.

Participantes: A prova pode ser individual ou por equipas.

Disposição inicial: O percurso é determinado pelo júri. Ganha o que primeiro ultrapassar a linha da meta.

Desenvolvimento: O objectivo é percorrer a distância indicada no mais curto espaço de tempo.

Para se deslocarem, devem segurar o saco com as duas mãos. O concorrente que sair de dentro do saco durante o percurso, será desclassificado. Se a prova for por equipas, será a equipa também desclassificada. Se for por equipas, será vencedora a equipa que obtiver o maior número de pontos resultantes do somatório dos seus componentes.

Material: Sacos, de preferência em serapilheira.


A CABRA CEGA

Terreno: O terreno deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.

Número de participantes: Vários.

Objectivo: A cabra cega tenta apanhar os outro jogadores e identificá-los pelo tacto.

Desenvolvimento: Põe-se uma venda a um jogador para ser a Cabra Cega .Os outros jogadores andam à sua volta tocando-lhe e dizendo Cabra Cega , mas sem se deixarem apanhar nem ir para muito longe . Quando um jogador é apanhado pela Cabra Cega não pode falar porque esta deve identificá-lo através do tacto.

Se conseguir passa então o jogador apanhado a ser a Cabra Cega.



CARACOL

Material: Pedrinhas, giz.

Terreno: O terreno deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.

Número de participantes: Vários.

Objectivo: Chegar ao centro do Caracol sem perder.

Desenvolvimento: Desenha-se um caracol grande no chão .

No início do caracol o primeiro jogador lança uma pedra; depois ao pé coxinho vai empurrando essa pedra até conseguir alcançar o centro do caracol, sem que esta saia do caracol Se a pedra sai do interior do caracol passa a vez de jogar a outro jogador e assim sucessivamente.




O SENHOR BARQUEIRO

Material: Os meninos.

Terreno: Espaço grande.

Número de participantes: Vários.

Objectivo: Obter o maior número de elementos para ganhar a prova.

Desenvolvimento: Dois meninos de mãos dadas escolhem cada um, um nome: de frutos, animais, países ou de outra coisa que quiserem, sem os outros ouvirem. Os restantes meninos fazem uma fila e cantam uma canção:

- ‘’Que linda Falua que vem lá vem, é uma falua que vem de Belém. Peço ao senhor barqueiro que me deixe passar, tenho filhos pequeninos não os posso sustentar..., passará ,passará , mas algum deixará, se não for a mãe da frente é o filho lá de trás.’’


Quando passam por baixo do arco que os dois meninos fazem, fica lá o último menino da fila. Este escolhe um dos nomes que eles propõem e fica atrás do menino que tiver o nome que ele escolheu.

Quando tiverem todos escolhido formam dois grupos, conforme os nomes escolhidos.

De seguida fazem um risco no chão, a dividir os grupos , dão as mãos e puxam na direcção do seu grupo. O grupo que passar o risco perde o jogo.


DANÇA DAS CADEIRAS

Material: cadeiras e um rádio.

Participantes: Grupo de no mínimo 5 pessoas.

Desenvolvimento: Forme um círculo de cadeiras, com os assentos voltados para fora, com tantas cadeiras quantos forem os participantes menos uma.

Coloque música a tocar e peça que os participantes "dancem" ao redor das cadeiras.

Quando desligar o som, cada pessoa deve procurar uma cadeira no círculo; como o número de cadeiras é menor que o de participantes, um ficará de fora; este sai da brincadeira.

Tire uma cadeira e recomece; ganha aquele que conseguir sentar - se na última cadeira.



FORCA

Regras: Uma criança desenha a forca e escolhe uma palavra (em segredo). Em seguida desenha um traço para cada letra da palavra. A outra criança deve adivinhar qual a palavra secreta, dizendo uma palavra de cada vez.

Se disser uma letra que exista na palavra, esta deve ser escrita no traço correspondente no desenho. Se a mesma letra aparecer mais vezes, ela deve ser escrita em todos os traços correspondentes na mesma vez.

A cada letra que a criança disser e que não exista na palavra secreta, deve-se desenhar uma parte do corpo na forca: cabeça, pescoço, corpo, um braço, outro braço, assim por diante até o desenho ficar completo e é "enforcado".

Se a criança adivinhar a palavra antes de ser "enforcada" ela ganha o jogo.



JOGO DO BOTÃO

Este jogo consistia no seguinte: Era feito ou jogado por dois colegas. Eram necessários dois botões de ceroulas. Alternadamente, cada jogador tinha de bater o seu botão de encontro a uma porta. Se o Joaquim, por exemplo, lançasse o botão e ele ficasse no chão a menos de um palmo do outro, o adversário tinha de lhe entregar um outro botão como recompensa. E o jogo prolongava-se por largos minutos até estarmos cansados ou saturados do mesmo jogo, ora ganhando, ora perdendo um botão.


JOGO DA VARA

Material: Varas. O número de varas é de menos uma em relação ao número de participantes.

Jogadores: Número variável.

Jogo: Espetam-se as varas no chão, os participantes alinham, atrás de uma marca, de costas voltadas para as varas. Após um sinal, dado por alguém que não esteja a jogar, cada jogador corre para tentar apoderar-se de uma vara. O jogador que não o conseguir é eliminado, os outros dirigem-se novamente para a marca de partida e o jogo prossegue com cada vez menos varas até que reste só um jogador, que será o vencedor.



MACACA

Material: uma pedra lisa, giz ou uma lasca de tijolo para desenhar a macaca no chão.

Terreno: Um local de terra ou cimento onde se possa desenhar

Número de participantes: Seis a doze jogadores

Objectivo: Deitar a pedra dentro de cada casa; Saltar a casa onde está a pedra sem a pisar; Saltar as casas ao pé coxinho; apanhar a pedra sem cair e não pisar as riscas.

Desenvolvimento: Atira-se a pedra para a primeira casa e quando se começa a jogar salta-se ao pé coxinho, pulando a casa onde está a pedra.

Fazemos o mesmo para todas as casas até ao fim da macaca.

Depois começa outro jogador. Quando a pedra sai fora também joga outro.



JOGO DA TRACÇÃO COM CORDA EM LINHA

Material: 1 corda e 1 lenço (deverá estar atado a meio da corda).

Jogadores: 2 equipas com o mesmo número de jogadores cada uma.

Jogo: Num terreno plano e livre de obstáculos, duas equipas com forças equivalentes, seguram, uma de cada lado e à mesma distância do lenço, uma corda. Entre as equipas, antes de começar o jogo, traça-se ao meio uma linha no chão. O jogo consiste em cada equipa puxar a corda para o seu lado, ganhando aquela que conseguir arrastar a outra até o primeiro jogador ultrapassar a marca no chão. É também atribuída a derrota a uma equipa se os seus elementos caírem ou largarem a corda. Não é permitido enrolar a corda no corpo ou fazer buracos no solo para fincar os pés.


OS CINCO CANTINHOS

Material: Desenhar cinco cantinhos no chão

Terreno: Qualquer terreno livre

Número de participantes: Seis jogadores

Objectivo: Trocar de lugares sem perder o lugar para aquele que está no meio.

Desenvolvimento: Cinco jogadores metem-se nos cinco cantinhos que foram desenhados no chão e fica um a pedir lume ao meio. Se dissermos que não ele vai a outro pedir, se dissermos que sim ele vai para o nosso cantinho e esse que disse que sim vai para o meio pedir lume. Enquanto ele vai pedir lume os outros trocam de lugar entre si, mas o do meio tenta ver se consegue apanhar o lugar de algum que se distraia.



RODA DA CABACINHA

Material: nenhum

Terreno: O terreno deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.

Número de participantes: Dois

Objectivo: Dar balanço com o corpo e rodar o mais depressa possível sem cair ou largar as mãos.

Desenvolvimento: Dois jogadores virados de frente um para o outro, dão as mãos ao mesmo tempo juntam os pés e dão uma inclinação ao corpo, para trás de modo que os braços fiquem esticados. Lentamente vão começando a rodar dizendo:

- ”Roda, roda, Cabacinha, roda roda cabação!’’ até conseguirem rodar o mais depressa possível.



 JOGO DA BOLA À PAREDE

Material: 1 bola de trapos.

Jogadores: Um contra um ou dois contra dois.

Jogo: Cada jogador bate a bola com a mão sucessivamente contra a parede, sem parar e sem a deixar cair no chão. Se jogam em equipa, bate um jogador e depois outro, alternadamente.

Quando a bola cai no chão, começa, o jogador adversário ou a outra equipa a jogar. Ganha aquele jogador ou equipa que conseguir bater maior número de vezes com a bola na parede. Pode lançar-se o mais alto que se quiser.



JOGO DO ANEL

Antes de tudo, escolhe-se quem vai ser o portador do anel. Ele põe o anel (ou outra coisa pequena) entre suas mãos, que estão encostadas uma na outra.

Os outros jogadores ficam um ao lado do outro, com as palmas das mãos encostadas como as do portador do anel.

O portador passa as suas mãos no meio das mãos de cada um dos jogadores, deixando cair o anel na mão de um deles sem que ninguém perceba.

Quando tiver passado por todos os jogadores, o portador pergunta a um deles: "Quem ficou com a anel ?".

Se acertar, é o novo portador do anel. Se não, paga a prenda (castigo) que os jogadores mandarem.

O portador repete a pergunta até alguém acertar. Quem acertar será o novo portador do anel.

 

JOGO DA PAULADA NO CÂNTARO

Participantes: Rapazes ou raparigas. Este jogo é jogado em série normalmente de 5 ou 6 participantes de cada vez.

Desenvolvimento: Suspensos por uma corda, colocam-se 3 cântaros: 1 com um prémio e 2 com enganos.

Cada participante tem os olhos vendados, sendo volteados 5 vezes por um elemento do júri, partindo depois, com um pau numa das mãos para tentar quebrar o cântaro.

O pau para quebrar o cântaro é igual para todos os participantes. Os participantes jogam todos ao mesmo tempo e com os olhos vendados.

É declarado vencedor o que conseguir partir o cântaro com o prémio ou o engano em primeiro lugar.

Material: Pau, cântaros de barro, venda , postes, corda e prémios (coelhos, galinhas, pombos, chouriços) ou engano (água, farinha, terra, farelos).


JOGO DO MATA

Material: Uma bola ou um ringue, terreno dividido ao meio.

Nº de participantes: Duas equipas

Objectivos: Procurar "matar" (atingir directamente um jogador com a bola) os jogadores adversários e não se deixar "matar", esquivando-se ou apanhando a bola.

Regras: Após o sorteio, começa uma equipa. Só pode "matar" aquele que tiver apanhado a bola sem que esta tenha tocado no chão. Quem for atingido vai para o "piolho".

Desenvolvimento: Na parte de trás de cada equipa, há um "piolho" para onde vai um jogador da equipa adversária. este jogador lança a bola aos elementos da sua equipa. A partir desse momento, uns e outros podem "matar" um adversário.

a) Quem for atingido vai para o "piolho" e o que lá estava no início vai para a equipa.

b) Podem "matar" quer os jogadores em campo quer os do "piolho" (só podem "matar" se a bola não tiver tocado no chão).

c) Sempre que um jogador é atingido, tem direito à bola.

d) O jogador adversário que conseguir agarrar a bola, ao ser atingido, não é considerado "morto" e pode, por sua vez, "matar".

e) Sempre que a bola saia dos limites do campo, esta pertence à equipa contrária.


SALTAR À CORDA

(2ª VERSÃO)


Material: Uma corda grande.

Terreno: O terreno de ser plano.

Número de Participantes: Vários.

Objectivo: Tentar saltar o mais tempo possível.

Regras: Dois meninos dão à corda, os outros vão saltando e cantando, as seguintes canções:

1ª- Quantos carros leva a noiva?

1,2 3,4,... e contam até perder, pois a corda deixa de rodar.

2ª- Freira, casada e solteira.... vão dizendo, quando a corda deixar de rodar, vimos em qual calhou se é freira, casada ou solteira.



JOGO DO EIXO

Terreno: Terreno sem obstáculos

Número de Participantes: Entre 6 e 8 jogadores

Objectivo: Saltar por cima do outro; Saltar sem cair; Chegar ao fim sem perder uma única vez.

Regras: Fica um jogador dobrado (amochar ) e os outros vão saltando por cima dele com as pernas abertas dizendo :

Um à bananeira

Dois à catatumba

Três aberta, fechada ou mista

Quatro rás ca parta

Cinco Maria do brinco

Seis panela do tio Zé Reis

Sete canivete

Oito biscoito

Nove já não chove

Dez não molhes os pés

Onze os sinos da capela são de bronze

O jogo termina quando todos saltam e conseguem ganhar sem perder uma única vez. Caso perca fica esse a amochar.


JOGO DO GALO

Regras: O tabuleiro é uma matriz de três linhas por três colunas. Dois jogadores escolhem uma marcação cada, geralmente um círculo (O) e um xis (X).

Os jogadores jogam alternadamente, uma marcação por vez, numa lacuna que esteja vazia.

O objectivo é conseguir três círculos ou três xis em linha, quer horizontal, vertical ou diagonal (ver figura), e ao mesmo tempo, quando possível, impedir o adversário de ganhar na próxima jogada.

Quando um jogador conquista o objectivo, costuma-se riscar os três símbolos.



JOGO DO ARCO

Material: - Arco e Gancheta

Participantes: - Individual

Desenvolvimento: - Os jogadores percorrem um percurso previamente estabelecido, procurando controlar o arco com a gancheta e realizar o menor tempo possível.

Regras: - Se o jogador perde o controlo do arco, recomeça a prova no local onde isso aconteceu.

Resultado: - Ganha o jogador que chegar 1º à meta, ou se, a prova não for feita em simultâneo, o jogador que fizer menos tempo.

Regra optativa: - Penalizar cada perda do arco com, por exemplo, 2 segundos de acréscimo ao tempo conseguido.

Variantes: - Realizar a competição por equipas.

Neste caso atribuem-se pontos por ordem de chegada, por exemplo, 10 pontos ao 1º, 9 pontos ao 2º, e assim sucessivamente. Somam-se os pontos de cada equipa e ganha a que tiver somado mais pontos.


O GATO E O RATO

As crianças formam uma roda. Uma delas, o Rato, fica dentro da roda. Outra, o Gato fica fora da roda.

O Gato pergunta: “O Ratinho está?"
As crianças da roda respondem : "Não"
O Gato pergunta: "A que horas ele chega?"
As crianças respondem um horário à escolha.

As crianças começam a rodar e o Gato vai perguntando: "Que horas são?" e as crianças respondem: "Uma hora" - "Que horas são?" "Duas Horas" e assim até chegar ao horário que elas responderam anteriormente que o Rato chegaria. As crianças param de rodar e o Gato passa a perseguir o Rato.

A brincadeira acaba quando o Gato pega o Rato e pode-se recomeçar com outras crianças como os personagens principais da brincadeira.



JOGO DAS PEDRINHAS

Regras: Era necessário arranjar cinco pedrinhas, de preferência arredondadas.

Depois de estabelecida a ordem de saída, o jogador iniciava o jogo lançando as cinco pedrinhas ao chão, de forma a ficarem o mais juntas possível. O jogador agarrava uma das pedrinhas, lançava-a ao ar e tinha que a apanhar.

Seguidamente o jogador colocava essa pedrinha nas costas da mão depois, com a mesma mão, agarrava outra pedrinha, lançando ao ar as duas e, com a mesma mão, tinha de as agarrar quando estavam em queda.

Repetia toda esta operação, até conseguir acumular nas costas da mão, com êxito, as cinco pedrinhas.

No caso de falhar, dava a vez ao concorrente seguinte e, quando voltasse a jogar, recomeçava na situação onde tinha falhado.

Depois de ter efectuado e terminado todos os lançamentos com êxito, o jogador teria que pegar as cinco pedrinhas, lançá-las ao ar e apanhá-las nas costas da mão.

Era vencedor o jogador que conseguisse ficar com o maior número de pedrinhas nas costas da mão.


JOGO DO PREGO

(não confundir com a versão de praia)

Regras: Delineava-se uma área, normalmente um grande círculo, em terreno relativamente mole. Depois, cada jogador, na sua vez, munido do seu prego (altos, de barrote) começava por conquistar um «território». Podia ir avançando lançando o prego e criando uma linha imaginária. A distância entre cada lançamento nunca podia ser superior ao tamanho do pé do jogador. Sempre que o prego não espetasse no terreno, o jogador perdia a sua vez e dava-a a um dos adversários. Ganhava quem conquistasse a totalidade do círculo previamente definido.




MACAQUINHO DO CHINÊS

O macaquinho do chinês é um jogo em que uma pessoa fica virada para a parede e diz: “Um, dois, três, macaquinho do chinês”.

Os outros vão aproximando-se do macaquinho. Quando a pessoa acaba de dizer os jogadores têm de parar, e se este se mexer terá de voltar ao sítio inicial. Ganha a pessoa que chegar primeiro ao macaquinho.


JOGO DA BARRA DO LENÇO

Número de Participantes: Mínimo 4 jogadores e um juiz (a pessoa que também segura no lenço).

Material: 1 lenço

Desenvolvimento: Fazem-se duas equipas com o mesmo número de jogadores aos quais serão atribuídos números iguais (1,2,3,4, etc.) para ambas, decididos secretamente por cada equipa.

As equipas ficam frente a frente separadas pela mesma distância. No meio do terreno, num dos lados, fica o juiz com um lenço pendurado na mão, que vai chamando, um de cada jogada, os vários números que estão em jogo. Os jogadores das duas equipas, que tenham o número chamado, correm e tentam ficar com o lenço sem serem tocados pelo adversário, e, seguidamente, fugir para uma das barras (zona das equipas), para assim somar pontos.

Regras do Jogo: A cada jogador de uma equipa corresponde um número igual ao de outro jogador da equipa adversária. (Pode atribuir-se mais do que um número a cada jogador, se forem poucos, mas sempre em paralelo com os da equipa adversária.)

Quando o juiz que está no meio das duas equipas chama um número, os jogadores de cada equipa que têm esse número, correm em direcção ao lenço e tentam apanhá-lo. Quando um o faz tem várias hipóteses:

- Se fugir com o lenço para lá da barra da sua equipa, sem ser tocado pelo outro, ganham 1 ponto.

- Se fugir com o lenço para lá da barra da equipa adversária, sem ser tocado pelo outro, ganham 2 pontos.

- Se for tocado na posse do lenço pelo jogador adversário é a equipa deste que ganha 1 ponto.

- Se o adversário retirar o lenço da mão do jogador que o tirou, sem lhe tocar em qualquer outra parte do corpo, no decorrer da jogada, passa a poder pontuar para a sua equipa, tal como se o retirasse ao juiz.

Todos os números têm de ser chamados pelo juiz.

No caso de dois jogadores estarem a demorar muito tempo para tirar o lenço, o juiz pode chamar outro número para ajudar o colega (neste caso todas as condicionantes do jogo se mantêm iguais, tendo em atenção que o jogador só pode ser tocado pelo número correspondente).

Ganha o jogo a equipa que primeiro fizer 20 pontos, por exemplo, ou pode decidir-se um tempo para terminar.

Variantes: O juiz poderá chamar, se assim o entender, as duas equipas completas dizendo: FOGO!

Se o juiz gritar: ÁGUA!, as equipas deverão ficar imóveis.

Se assim for decidido, o juiz pode chamar (se quiser) dois ou mais jogadores de cada vez.

Para tornar as corridas mais divertidas o juiz poderá chamar os números fazendo-lhes corresponder nomes que definem a maneira como o número se deve movimentar até chegar à barra:

- Madeira: só podem andar ao pé coxinho,
- Panela: têm de ir de cócoras,
- Caranguejo: de costas,
- Etc.

Pode não ser permitido "fazer asas" (abrir os braços para facilitar o toque ao adversário, se este estiver mais perto de retirar o lenço e o que "faz asas" estiver atrás dele).


APANHADA

A apanhada é um jogo em que um jogador sorteado à sorte fica a apanhar.

Os outros terão de evitar serem apanhados pela pessoa que ficou a apanhar, por isso terão de correr pelo campo e podem refugiar-se no coito, sitio onde não podem ser apanhados.

O vencedor será o que for apanhado em último. A primeira pessoa a ser apanhado será a pessoa a apanhar no próximo jogo.



JOGO DAS ESCONDIDAS

Um dos jogadores tapa os olhos e começa a contar até um determinado numero. Os outros jogadores no tempo em que o outro está a contar vão se esconder. O jogador que estava a contar quando acabar tem de gritar bem alto “Aqui vou eu”e começa á procura.

O objectivo de quem procura é encontrar todos e os que se escondem é chegar ao “coito”se ser apanhado ou visto.


JOGO DO LENCINHO

O jogo do lencinho é um jogo em que as crianças colocam-se em roda, colocando as mãos atrás das costas. Uma outra criança, que foi escolhida, vai correr á volta da roda com um lenço na mão. Enquanto isso vai cantando:

-‘’Aqui vai o lenço, aqui fica o lenço!’’.

Neste jogo as pessoas que ficam sentadas não podem olhar para trás. A criança que correrá com o lenço terá de o por discretamente numa pessoa que se encontra na roda. Este ao colocar o lenço começa a correr evitando que seja apanhado pela pessoa que colocou o lenço. Se a pessoa que ficou com o lenço não conseguir a pessoa que o colocou, este continua a correr e irá ele por o lenço noutra pessoa.




SIRUMBA

Estás pronto para descobrir se és um bom polícia ou um perfeito fora-da-lei? :)

Material: Giz

Como Construir: Em primeiro lugar tens de desenhar com giz no chão, um rectângulo grande, com seis quadrados lá dentro, divididos por corredores. Nos dois lados paralelos mais curtos do rectângulo, fazes mais um traço onde irás escrever, apenas num deles, Sirumba. É como se fosse uma barra dentro do rectângulo. Depois decidem que é ladrão e polícia.

Regras: As regras são as seguintes: os polícias andam nos corredores e os ladrões saltam de quadrado em quadrado. Os polícias têm como objectivo apanhar os ladrões, tocando neles. Estes por sua vez, têm como objectivo passar por todos os quadrados desenhados dentro do rectângulo, até chegar à barra oposta que diz sirumba e voltar a base inicial.

O primeiro ladrão a chegar sem ser apanhado pela polícia, grita bem alto SIRUMBA e ganha o jogo.

Se os polícias conseguirem apanhar todos os ladrões o jogo acaba e invertem-se os papéis.

Cuidado porque quem pisar os riscos desenhados a giz, morre e sai do jogo e quem for apanhado é preso e sai do jogo.




MAMÃ DÁ LICENÇA?

Jogam seis ou mais crianças, num espaço que tenha parede ou muro, embora estes possam ser substituídos por um risco no solo. As crianças dispõem-se sobre um risco, umas ao lado das outras. Uma, a mãe, fica colocada de frente para as outras crianças, a uma distância de dez ou mais metros. A mãe fica de costas para a parede ou muro. Uma criança de cada vez vai perguntando à mãe:


- “A mamã dá licença?”

- “Dou”.

- “Quantos passos me dás?”

- “Cinco à bebé.”

- ”Mas dá mesmo?”

- ”Sim.”

Então a criança avança, dando cinco passos muito pequeninos, pois neste exemplo, dá passos “à bebé”. Em seguida, pergunta outra criança e assim sucessivamente. Ganha o primeiro a chegar ao pé da mãe, tomando o seu lugar e recomeçando o jogo. De referir que, após a ordem dada pela mãe, a outra criança deve confirmá-la antes de a executar (“Mas dá mesmo?”), sob pena de regressar ao ponto de início.

As respostas da mãe (ordens), podem ser muito variadas: passos à gigante (grandes), à caranguejo (para trás), à cavalinho (saltitantes), à tesoura (abertura lateral dos membros inferiores), etc.



O CHEFE MANDA

Jogam várias crianças.

Uma é nomeada ou sorteada ‘’Chefe’’.

Regras: O jogo consiste em seguir as ordens do chefe que são ditas e executadas cada vez mais depressa.

Mas atenção: o Chefe tem de dizer ‘’O Chefe manda’’, como por exemplo ‘’O chefe manda saltar’’ ou ‘’o chefe manda colocar a mão na cabeça’’. Se a ordem for apenas ‘’ saltar’’ ou ‘’colocar a mão na cabeça’’ sem a indicação ‘’o chefe manda’’, então a ordem não deverá ser executada, devendo as crianças permanecer imóveis. Perdem os que executarem uma ordem sem a indicação ‘’o chefe manda’’.






Espero que tenham gostado de ter feito esta viagem pelo passado.

Esta crónica é dedicada a todos os que de uma forma individual ou por meio de instituições se dedicam a proteger as crianças desfavorecidas e com isso salvaguardam o seu futuro.

Recordem-se da vossa infância, fosse ela feliz ou não, e deixem que essas recordações vos levem a apoiar mais todas essas instituições que lutam com enormes dificuldades. Não fiquem indiferentes, não ajam como se não fosse convosco. Não pensem sobretudo que se ao Estado compete essa acção não precisam de tomar a iniciativa. O Estado anda a olhar para o lado e as crianças não podem esperar!

O tempo de ajuda é hoje!

PC



Ah! Esqueci-me!
Para começarem a jogar precisam de umas rimas de selecção.
Elas aqui vão:

Um, dó, li, tá,
Caramelo de amêndoá,
Um sorvete colorete,
Um, dó, li, tá.

Sarapico, pico, pico
Quem te deu tamanho bico?
Foi a velha Chocalheira
Come ovos e manteiga.
Os cavalos a correr,
As meninas a aprender.
Qual será a mais bonita
Que se irá esconder?

Aniolita
Pirolita
Bacalhau
Batata frita.

Em cima do piano
Está um copo de veneno
Quem bebeu, morreu.

Pim, pão, pum
Cada bola mata um.
Da galinha pró peru
Quem está livre és tu.

Tão balalão,
Cabeça de cão,
Orelhas de gato,
Não tem coração.

Um aviãozinho militar
Atirou uma bomba ao ar.
A que terra foi parar?

O teu pai é sinaleiro?
(É)
Quantos carros manda parar?
(4)
Um, dois, três, quatro.

Um, dois, três, quatro,
A galinha mais o pato
Fugiram da capoeira,
Foi atrás a cozinheira
Que lhes deu com o sapato,
Um, dois, três, quatro.

A, E, I, O, U,
Aqui ficas tu.

Bons jogos!