sexta-feira, 30 de abril de 2010

MATINÉS NO CASINO


A propósito das fotos dos bailes de máscaras que se realizavam no Casino das Caldas vieram-me à memória grandes recordações dessa época que marcou a minha infância e a minha pré-adolescência.

Desde sempre o Casino organizou bailes e soirées que alcançaram fama não só em Portugal como no estrangeiro através dos maiores nomes da canção ligeira portuguesa e europeia. As temporadas de Verão do casino e a semana do Carnaval constituíam o ponto mais forte com inúmeros bailes e concursos de misses.

Não vou aqui desenvolver este tema que já está tão bem retratado no blog dos ex. alunos do Externato Ramalho Ortigão mas trazer à memória as matinés de Carnaval no casino dedicadas às famílias, incluindo as crianças.

Era um dos pontos mais fortes do ano para nós e alguns esmeravam-se na confecção ou no aluguer de trajes e máscaras que vestiam nessas matines. Lembro-me particularmente de um ano em que os primos Crespos apareceram vestidos de astronautas com o capacete com redoma de vidro e tudo. Um espanto!

Lembro-me também que as melhores festas de máscaras para crianças do Casino eram organizadas pela Bé Castro, mãe da Bibú e da Vani.


No inicio dos anos 70 a Direcção do casino contratou um conjunto que teve uma carácter mais permanente, os Xaranga Beat, esta banda tocava nos bailes de Verão (sendo o mais importante o baile de Chitas no 15 de Agosto) e do Carnaval, e faziam o frete de animar a pequenada e os adolescentes nas matines aqui referidas.


Esta banda conheceu várias formações sendo a que eu melhor me recordo (o que me aturavam nos ensaios!) o Carlos Cavalheiro (voz) , Júlio Pereira (piano, órgão e viola) (sim o talentoso músico do cavaquinho), Carlos Patricio (baixo) e Rui Venâncio (bateria) posteriormente substituído pelo Zé da Cadela.

Este grupo mudou posteriormente o seu nome para Xaranga (não confundir com o grupo de música etno-popular Charanga do Chico Carrilho) e quando gravaram os seus dois singles utilizaram a designação Xarhanga.

Foi ao som dos Xaranga e da voz do Carlos Cavalheiro que eu dancei os meus primeiros slows, a música? Michelle, Yesterday ou The Long and Winding Road dos Beatles. As damas: a Margarida Sousa e a Isabel Ramos Coelho. Tinha pouco mais de 10 anos!

Apesar do seu inglês não ser muito ‘’oxfordiano’’ lá se desenrascavam com agrado com covers dos Beatles (All My Loving era um must!) e outros grupos da época (música ligeira que a velha guarda não permitia devaneios!).

No entanto as músicas que me ficaram na memória por tanto serem cantadas ao longo das tardes, foram as suas versões de Sunny de Bobby Hebb e de My Bonnie de Tom Sheridan (que mais tarde mereceu um cover dos Boney M). Como curiosidade Tom Sheridan gravou na Alemanha uma versão de My Bonnie com um grupo chamado The Beat Brothers que não eram mais do que os Beatles.

My Bonnie lies over the ocean
My Bonnie lies over the sea
My Bonnie lies over the ocean
Oh bring back my Bonnie to me

REFRÃO

Bring back, bring back
Bring back my Bonnie to me, to me
Bring back, bring back
Bring back my Bonnie to me

Last night as I lay on my pillow
Last night as I lay on my bed
Last night as I lay on my pillow
I dreamed that my Bonnie was dead


REFRÃO

Oh blow the winds o'er the ocean
And blow the winds o'er the sea
Oh blow the winds o'er the ocean
And bring back my Bonnie to me


REFRÃO

The winds have blown over the ocean
The winds have blown over the sea
The winds have blown over the ocean
And brought back my Bonnie to me


REFRÃO



Covers dos Xharanga: Matinés no Casino

Tonny Sheridan & The Beat Brothers (Beatles) - My Bonnie


Bobby Hebb "Sunny" (1966)

THE BEATLES - ALL MY LOVING (CLOSE YOUR EYES)


Ainda em 1973 os Xaranga Beat deram a vez aos We como banda residente, um conjunto de músicos locais formados especialmente para o efeito.


Do conjunto WE podemos ver o Luís Silva, o Jaime Saez Salgado, o António João Freitas e o Carlos Silva ou Cazé. Em algumas fotos encontramos também o Carlos Sena, já falecido, que participou na actuação.



Em 4 de Setembro de 2010 na Festa do nosso Grupo, os WE  tiveram um enorme gesto de amizade para com todos nós e reuniram-se (sem o Jaime, ausente por motivos profissionais) ao fim de 30 anos para nos dar um concerto memorável numa noite memorável.





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