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segunda-feira, 25 de julho de 2011

UMA RECORDAÇÃO DO PASSADO


Uma recordação enviada pela Paula Bispo
foto do album da Paula Almeida (Paqui)

 
Começando de trás para a frente e da esquerda para a direita: primeira fila de trás: Carlos Luis, Tony, Zé Rocha, Orlanda Ferreira, Anita (da Áurea), sem identificação, João Gancho, Paula Barreto, Joca (meio rosto) e Barradas; segunda fila: Leonor Raposo, Lena Magalhães, Cristina Romão, Paula Almeida (Paqui), Elsa Bispo, Rita Bonacho, Jú, Rafael Chust (Brazuca), Paulo Caiado; terceira fila: Pedro Gonçalves?, Zairinha; quarta fila: Mário Jorge Horta, Kika Gancho, Pedro Furriel, Cristina Falcão, Cláudia Gouveia, Lúcia, Gamela; quinta fila: Ricardo Ramos. Teresa Lamy, Ana Margarida Arroz, Blica Crespo, Rui Pedro.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

UMA URGÊNCIA



O relógio na parede marca 2h da manhã, quando entra, passo rápido e apressado, olhar em redor como procurando algo.


Fixa o olhar num canto, onde várias pessoas, sós ou a falar, mostram inquietação. Volta novamente a olhar em torno de si, e revela uma expressão de alívio ao fixar o olhar num vidro com uma fila de pessoas a aguardar.

A sua agitação revela uma ansiedade, aliás, comum à maioria das pessoas que permanecem naquele espaço. Indiferentes aos sons, de vozes sussurrantes, vozes alteradas e mesmo agressivas, portas que se abrem e fecham, passos de corrida, gritos, televisões colocadas em diferentes sítios e com diferentes canais sintonizados, choros, ressonares, e uma voz que, de quando em vez, soletra nomes quase indecifráveis no som do altifalante. Na rua ouvem-se vozes, passos, travões, chiar de pneus, diferentes viaturas a circular, portas que batem violentamente, sirenes…

De repente, olha e vê-se frente ao vidro onde alguém vestido de branco lhe pergunta:

- Boa noite. Tem o cartão de saúde? O nome e o motivo por que vem à urgência…

Rapidamente, responde:

- Boa noite. Tenho o cartão. O meu nome é Alzira… e há uma hora que ando de carro a percorrer bombas de gasolina, sempre fechadas, e preciso que me troque dinheiro para tirar um café na máquina!



(post da Cláudia Tonelo  escrito em  5 Junho 2002    22.05h)

 
Rui Veloso no Passeio Dos Alegres do Júlio Isidro Anos 80. - Um Café e Um Bagaço
 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

BALADA PARA ANA



Não me recordo já em que momento nos conhecemos mas lembro-me de ti como a minha melhor amiga na primeira classe do Colégio.

Provavelmente conhecemo-nos naquele dia do inicio de Outubro de 1969 quando chegámos ao Colégio para o primeiro dia de aulas.

Recordo-me desse dia como se fosse hoje. Agarrado às saias da minha mãe, pela última vez chorando de medo e a D. Esperança a dizer:

- Então? Um rapazinho dessa idade a chorar?! Nunca vi nada assim! Já são todos uns homenzinhos!

E a levar-me gentilmente para a minha carteira enquanto a minha mãe, escondendo a preocupação, se despedia com um sorriso.

Para trás ficavam os anos do jardim-escola da Misericórdia no Bairro da Ponte, ao lado do terreiro onde às segundas-feiras se realizava a feira semanal, onde vacas e burros eram vendidos com as galinhas, batatas e vergas.

Para trás iria ficar o sorriso acolhedor da Isabel, a ternura da Alicinha e as brincadeiras da Filomena e da Gracinha Jordão.

Começava a Primária!

Lembro-me como desde logo as nossas diabruras no corredor nos levavam ao gabinete do Padre Albino cuja tumefacção proeminente na testa nos assustava inicialmente e divertia depois.

Lembro-me de te atirar caramelos Vaquinha do outro lado do bar passando por cima da D. Luisa.

(Lembras-te que os bares eram separados para os rapazes e raparigas cada um tendo o seu acesso pelo respectivo recreio?)

O famoso bar onde nas tardes de Verão comíamos os célebres gelados feitos com refresco Dawa, Alsa ou Royal em cuvetes e que levavam um palito espetado e onde a D. Luisa nos servia ao almoço os famosos ovos estrelados de codorniz!

Nessa primeira classe ainda conseguimos guardar reminiscências desses tempos. À tarde com a D. Dora, no intervalo grande ou à saída antes de entrarmos no autocarro, enfim , em todos os locais onde nos pudéssemos juntar, rapazes e raparigas, na verdade meninos e meninas ainda, fazíamos uma grande roda e entoávamos as cantigas do jardim-escola. E lá cantávamos o Ai ai ai minha machadinha e o Que linda falua… afinal a nossa infância não podia acabar por decreto!

O ano foi passando e éramos cada vez mais amigos até que me deste noticia que irias voltar para África (S. Tomé? Angola?)

Eu então ganhei talento e coragem, alento e descaramento, e escrevi-te cartas contando o que se passava no colégio enquanto tu permanecias no meio da selva. As minhas primeiras cartas de amor ! Aos sete anos, imagina!

(Depois a Kika Gancho recebeu outras em Lourenço Marques mais tarde! Digo isto porque se não a Kika vai já fazer o respectivo comentário!!!LOL!)

Quando voltaste ao colégio trazias contigo o teu primo Nuno e para casa um enorme pastor alemão militar, o Pilão!

O Nuno estava gravemente doente e entre ambos repartimos a sua protecção e companhia. Que saudades eu tenho do Nuno! Com ele senti pela primeira vez a perda de um amigo!

Nós continuávamos nas nossas maluqueiras, contigo a saltar diariamente as vedações que separavam os dois recreios ou a encontrar-nos em zona neutra, entre as duas vedações junto à porta nobre do ginásio!

Desta vez era o Padre Xico que nos aturava e lá íamos ao seu gabinete enfrentar desta vez o seu sorriso tolerante. E como nós gostávamos do Padre Xico! Lembras-te de nós a fingirmos que éramos muito úteis a ajudá-lo na construção do seu barco nas traseiras do colégio? Naquela garagem ao lado do acesso às caves onde o Sr. Luis criava as codornizes?

Perdeste o famoso Magusto de 1971, onde pela primeira vez bebi à socapa um gole de água-pé, apareço ainda em algumas fotos com um ar muito santinho a pilar uma castanha. Logo depois escrevi-te uma carta a contar as peripécias!

As aulas de ginástica, tu com a D. Rosa e eu com o Prof. Silva Bastos e mais tarde com o Prof. Berjano eram mais um pretexto para nos metermos um com o outro. Lembras-te de nós de sapatilhas brancas e t-shirts brancas com uma faixa no peito com o nosso nome a preto?

Quando não eram nessas aulas, era na sala da D. Esperança que suspirava de resignação, mesmo quando íamos buscar o esqueleto que estava guardado na arrecadação em frente e colocávamo-lo na sala com um chapéu de feltro na cabeça.

Nas aulas da tarde e ainda antes de passarmos para a sala da D. Dora (aquela por baixo do telheiro do recreio dos rapazes, saindo para a rua à direita e cuja porta de vidro foi um dia trespassada pelo Frederico Granja!) fazíamos jogos de aprendizagem no quadro de ardósia, bem pertinho da Mariazinha, a régua alva e grossa (que só experimentei por uma vez porque um dia fui indelicado o suficiente para desafiar a D. Esperança a dar-me umas reguadas para ver se doía!) e nesses jogos desenhávamos a forca com palavras escondidas em tracinhos que determinavam o número de letras, e cada vez que falhávamos as letras desenhávamos um componente do homem enforcado. Lembras-te como eu sempre escrevia palavras que eram mensagens para ti ou tinham a ver com algo entre nós? Um segredo, uma brincadeira?

Depois arriscávamos as aulas de Canto-Coral com o Padre Renato a ver quem desafinava mais até que ele nos mandava para o recreio e nós ficávamos enfim juntos a brincar enquanto decorriam as aulas.

Saíamos do colégio e antes de embarcar no autocarro dos Claras que nos levava de regresso a casa, dizíamos adeus ao Sr. Luis e ao Sr. António que estavam diante da sua pequena casa à entrada, não sem antes irmos dar pão aos peixes que nadavam no pequeno tanque no fim da rua do colégio ( junto ao portão que dava para o recreio dos rapazes) ou nos sentarmos dentro do BMW 700 da D. Anita Nascimento invariavelmente estacionado junto às escadas da saída, à direita de quem desce. Depois entrávamos na camioneta. A D. Clarisse, irmã da Alicinha do meu jardim-escola, à frente, na primeira fila, a D. Dora atrás do condutor e nós… o mais para trás possível!

Repartíamos os tempos de escola e os tempos livres. E no casino, depois de termos comprado uns fios de couro com um símbolo em metal a uns hippies no parque, formámos com o Pedro e a Kikas Gama, o grupo Paz e Amor, fosse lá o que isso fosse!

Depois crescemos e fomos para o ciclo preparatório mas mantivemo-nos juntos. Um dia os teus pais foram jantar lá a casa e decidiram mostrar aos meus uns slides de África e fomos os dois num pulo a tua casa. Eu adorava a tua casa cheia de artefactos africanos! Tu entraste e não abriste a luz pois sabias de cor onde estavam os slides mas o Pilão sentindo o seu domínio ameaçado atirou-se a mim e ferrou-me uma dentada na barriga que me doeu como o caraças (o sacana do cão no dia seguinte já estava a brincar comigo atrás da igreja (onde jogávamos à bola e com ela partíamos os vidros ao pobre do Sr. Manuel) como se nada fosse!

Tínhamos aulas de Moral e Religião com o padre Zé Maria e eu ficava danado quando vocês todas preferiam aproveitar a sua boleia no seu BMW 2002 cor de vinho do que vir comigo a pé para casa.

Estudávamos juntos no meu quarto, tu, eu e a Luisa e os trabalhos de grupo eram sempre feitos a três!

Festejámos os teus aniversários nas casas das Caldas, de S. Martinho e até na quinta dos Vidais! Fomos de férias juntos para o Algarve, para a praia da Foz e de S. Martinho e até a S. Pedro de Moel. Ia contigo aos torneios da Marinha Grande, Lisboa, Torres Novas e Coimbra.

Mil e uma viagens, aventuras e festas de garagem, de sótão, de salas!

Até a Profissão de Fé fizemos juntos. Eu, tu e a Luisa! E que pândegas foram aquelas aulas de preparação e como se divertiram os nossos amigos a ver-nos naquelas vestes à saída da cerimónia!

(Que penteado e que roupas, meu Deus! Golas altas e bocas de sinos; os anos setenta foram mesmo o cúmulo do mau gosto!)

Temos fotos a acompanhar o desenrolar das nossas vidas, até uma que nos mostra vestidos de hippies no corso carnavalesco e que anda algures por aqui neste espaço, ficou para a posteridade!

Todas as noites aparecia em tua casa e era recebido com a voz da Rosinda na cozinha:

- Pronto, chegou o salta-pocinhas!

E ficávamos longas horas a jogar cames!

Mais tarde, já no liceu, acompanhei ao vivo e a cores a tua belíssima carreira na ginástica e na natação no clube Os Calimeros de que o teu pai foi um dos grandes impulsionadores.

Nas longas noites de inverno ficávamos nós com o Pedro e a Cláudia, com a vigilância eventual da Clarissa, a jogar ao ‘’Verdade ou Consequência’’ e a conversar nas escadas do teu prédio, até serem horas de irmos para casa.

Quando tive o acidente a jogar volei no liceu e tive de permanecer imobilizado na cama por uns tempos e foste tu que me acompanhaste em todos os teus tempos livres, fazendo-me companhia horas a fio! Uma vez amiga, sempre amiga!

Logo algum tempo depois começaste a namorar o Duarte numa relação que deu num lindo casamento até hoje, provavelmente o mais longo da nossa geração! Logo depois nasceu a bela Inês que sempre me faz ver uma versão actualizada de ti!

Nessa altura começaste a ir por mais tempo para o Baleal e eu comecei a idade dos namoros e fui para Lisboa estudar e mais tarde trabalhar para Coimbra de onde voltei praticamente casado. O normal rumo da vida encarregou-se de nos separar e já só espaçadamente nos cruzamos.

A minha vida começou a repartir-se entre Caldas e Lisboa e os filhos vieram enriquecer a minha vida familiar e tomar o meu tempo livre.

Hoje já tens também mais dois filhos e até uma neta mas continuas a Ana que eu conheci há 41 anos. Também a nossa amizade continua a mesma!

Citando Vinicius de Moraes num poema que já aqui postei:

Mesmo que as pessoas mudem
e suas vidas se reorganizem,
os amigos devem ser amigos para sempre,
mesmo que não tenham nada em comum,
somente compartilhar as mesmas recordações.

Pois boas lembranças,
são marcantes
e o que é marcante nunca se esquece!

Uma grande amizade
mesmo com o passar do tempo
é cultivada assim!



Feliz Aniversário Ana



AS NOSSAS CANTIGAS


(primeiros versos)



A saia da Carolina

A saia da Carolina
Tem um lagarto pintado
Sim Carolina ó - i - ó - ai
Sim Carolina ó - ai meu bem


Alecrim

Alecrim, alecrim aos molhos
Por causa de ti choram os meus olhos
Ai meu amor quem te disse a ti
Que a flor do monte era o alecrim.


As três galinhas

Três galinhas a cantar
Vão p'ró campo passear.
Uma à frente, é a primeira
Logo as outras, em carreira
Vão assim, a passear,
Os bichinhos procurar!



Atirei o pau ao gato

Atirei o pau ao gato to - to
Mas o gato to-to não morreu
Não morreu eu-eu
Dona Chica ca-ca assustou-se se
Com o berro, com o berro
Que o gato deu - miau.



Balão do João

O balão do João
Sobe, sobe, pelo ar
Está feliz o petiz a cantarolar
Mas o vento a soprar,
Leva o balão pelo ar,
Fica então o João a choramingar.



Barata

A barata diz que tem
Sapatinhos de veludo
É mentira da barata
O pé dela é que é peludo
AH, AH, AH, EH, EH, EH
O pé dela é que é peludo



Bola

Olha a bola Manel
Olha a bola Manel
Foi-se embora fugiu
Olha a bola Manel
Olha a bola Manel
Nunca mais ninguém a viu.



Cabeça, ombros, joelho e pés

Cabeça, ombros, joelho e pés
Joelho e pés, joelho e pés
Cabeça, ombros, joelho e pés
Olhos, ouvidos, boca e nariz



Caminho de Viseu

Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu
Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu
Encontrei o meu amor, ai Jesus que lá vou eu
Ora zus - trus - trus
Ora zás - trás - trás
Ora zus - trus - trus
Ora zás - trás - trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá para trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá para trás



Capuchinho Vermelho

Pela estrada fora eu vou bem sozinha
Levar estes bolos à minha avózinha.
Ela mora longe e o caminho é deserto
E o lobo mau passeia aqui por perto.



Cavalo

Era uma vez um cavalo
Que vivia num lindo carrocel
Tinha orelhas de burro
E o rabo era feito de papel
A correr chá - lá - lá
A saltar chá - lá - lá
Cavalinho não saía do lugar.



Come a papa, Joana come a papa

Come a papa, Joana come a papa
Come a papa, Joana come a papa
Joana come a papa.
1, 2, 3
Uma colher de cada vez
4, 5, 6
Era uma história de reis
E outra colher de papa.
Come a papa, Joana come a papa



Do rabo fiz navalha

Do rabo fiz navalha
Da navalha fiz sardinha
Da sardinha fiz farinha
Da farinha fiz menina
Da menina fiz uma gaiola
Prum, Pum, Pum
Que eu vou p'ra Angola



Dó-Ré-Mi

Dó - Ré - Mi - a mimi
Mi - Fá - Sol - pelo sol
Fá - Mi - Ré - vai a pé
Mi - Ré - Dó - não tem pópó
Dó - Ré - Mi - eu cozi
Mi - Fá - Sol - um pão mole
Fá - Mi - Ré - p'ro café
Mi - Ré - Dó - da minha avó



Era uma vez um rei

Era uma vez um rei
Com uma grande barriguinha
Comia, comia
E mais fome tinha.



Eu fui ao jardim celeste

Eu fui ao Jardim Celeste,
Giroflé, giroflá.
Eu fui ao Jardim Celeste,
Giroflé, flé, flá.
O que foste lá fazer
Giroflé, giroflá.
O que foste lá fazer
Giroflé, flé, flá.
Fui lá buscar uma rosa
Giroflé, giroflá.



Galinhas

Doidas, doidas, andam as galinhas
Para por o ovo lá no buraquinho
Raspam, raspam, raspam
P'ra alisar a terra
Picam, picam, picam
Para fazer o ninho



Josézito, já te tenho dito

Josézito
Já te tenho dito
Que não é bonito
Andares m'enganar
Josézito
Já te tenho dito
Que não é bonito
Andares m'enganar



Machadinha

AH, AH, AH minha machadinha
AH, AH, AH minha machadinha
Quem te pôs a mão sabendo que és minha
Quem te pôs a mão sabendo que és minha
Sabendo que és minha, também eu sou tua
Sabendo que és minha, também eu sou tua
Salta machadinha para o meio da rua
Salta machadinha para o meio da rua
No meio da rua não hei-de eu ficar
No meio da rua não hei-de eu ficar
Hei-de ir à roda escolher o meu par



Na loja do mestre André

Foi na loja do mestre André que eu comprei um pifarito.
Tiro - liro - liro, um pifarito.
Ai - ó - lé, ai - ó - lé, foi na loja do mestre André!
Foi na loja do mestre André que eu comprei um pianinho.
Plim - plim - plim, um pianinho.
Tiro - liro - liro, um pifarito.
Ai - ó - lé, ai - ó - lé, foi na loja do mestre André.
Um Tamborzinho...Tum - tum - tum, um tamborzinho
Plim - plim - plim, um pianinho.
Tiro - liro - liro, um pifarito.



Na quinta do tio Manel

Na quinta do Tio Manel
l-A-l-A-0!
Há patinhos a granel
I-A-I-A-O!
Quá-quá-quá-quá-quá
Na quinta do Tio Manel
I-A-I-A-O!
Há vaquinhas a granel
l-A-l-A-0!
Mu-mu-mu-mu-mu



O balão do João

O balão do João
Sobe, sobe pelo ar.
'stá feliz o petiz.
A cantarolar.
Mas o vento a soprar,
Leva o balão pelo ar.
Fica, então, o João
A choramingar.



O cuco na floresta

Eu ia na floresta e pus-me a escutar
Por trás duma giesta os cucos a cantar
Cu - cu, cu - cu, cu - cu, cu - ru, cu - cu
Cu - cu, cu - cu, cu - cu, cu - ru, cu - cu
A noite estava escura e não havia luar
Ouvia-se lá ao longe os lobos a uivar
Aú - Aú - Aú - Aú - Aú
Aú - Aú - Aú - Aú - Aú



Ó malhão, malhão

Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Comer e beber, ó terrim, tim, tim,
passear na rua.
Comer e beber, ó terrim, tim, tim,
passear na rua.



O pretinho Barnabé

O pretinho Barnabé, tiro-liro-liro,
O pretinho Barnabé, tiro-liro-lé.
A saltar quebrou um pé, tiro-liro-liro,
A saltar quebrou um pé, tiro-liro-lé.
Salta agora só num pé, tiro-liro-liro,
Salta agora num só pé, tiro-liro-lé.



Ó rama, ó que linda rama

Refrão
Ó rama ó que linda rama
Ó rama da oliveira
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda inteira
Que anda aqui na roda inteira
Aqui em qualquer lugar
Ó rama, ó que linda rama
Ó rama do olival.



Ó Rosa, arredonda a saia

Ó Rosa, arredonda a saia,
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Olha a roda que ela tem!
Olha a roda qu'ela tem,
Olha a roda qu'ela tinha!
Ó Rosa, arredonda bem
A tua saia redondinha!



Olha a triste viuvinha

Olha a triste viuvinha
Que anda na roda a chorar!
Anda a ver se encontra noivo
Para com ela casar!
Já lá leva dois cabaços
Três ou quatro há-de levar!
É bem feito, é bem feito
Não acha com quem casar!



Oliveirinha da serra

Oliveirinha da serra
O vento leva a flor.
Ó -i - ó - ai, só a mim ninguém me leva,
Ó -i - ó - ai, para o pé do meu amor!



Os olhos da Marianita

Os olhos da Marianita
São verdes da cor do limão
Os olhos da Marianita
São verdes da cor do limão
Ai sim, Marianita, ai sim
Ai não, Marianita, ai não
Ai sim, Marianita, ai sim
Ai não, Marianita, ai não
Os olhos da Marianita
São negros cor do carvão
Os olhos da Marianita
São negros cor do carvão



Papagaio louro

Papagaio louro
De bico dourado,
Leva-me esta carta
Ao meu namorado



Pastor

Quando eu era menino
Aprendi de meu pai
A guardar rebanhos
E a cantar trai-lai-lai!
Lai-lai, lai-lai, cantando vai pastor
Lai-lai, lai-lai, cantando pastor vai!



Pastorzinho

Havia um pastorzinho
Que andava a pastorecer
Saiu de casa e pôs-se a cantar:
Dó, ré, mi, fá, fá, fá
Dó, ré, dó, ré, ré, ré
Dó, sol, fá, mi, mi, mi
Dó, ré, mi, fá, fá, fá



Patinhos

Todos os patinhos sabem bem nadar,
Cabeça para baixo
Rabinho para o ar
Quando estão cansados da água
Vão sair, da água vão sair
Depois em grande fila
Para o ninho querem ir
Depois em grande fila,
Para o ninho querem ir.



Pombinhas da Catrina

As pombinhas da Catrina
Andaram de mão em mão
Foram ter à Quinta Nova
Ao pombal de São João
Ao pombal de São João
À Quinta da Roseirinha
Minha mãe mandou-me à fonte
E eu parti a canteirinha



Ponha aqui o seu pézinho

Ponha aqui o seu pézinho
Devagar, devagarinho
Se vai à ribeira grande
Eu tenho uma carta escrita
Para ti cara bonita
Não tenho por quem a mande



Que linda falua

Que linda falua, que lá vem, lá vem
É uma falua que vem de Belém
Vou pedir ao Senhor Banqueiro
Se me deixa passar,
Tenho filhos pequeninos,
Não os posso sustentar.
Passará, não passará,
Se não for a mãe à frente
É o filho lá de trás.



Rosa branca ao peito

Rosa branca ao peito,
a todos está bem.
Rosa branca ao peito,
a todos está bem.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém
Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.



Sra. D. Anica

Sra. D. Anica venha abaixo ao seu jardim
Venha ver as lavadeiras a fazer assim - assim
Venha ver as costureiras a fazer assim - assim
Venha ver os jardineiros a fazer assim - assim
Venha ver os sapateiros a fazer assim - assim
Venha ver os carpinteiros a fazer assim - assim
Venha ver o cozinheiro a fazer assim - assim



Tia Anica de Loulé

Tia Anica, tia Anica,
Tia Anica de Loulé,
A quem deixaria ela
A caixinha do rapé?

Refrão

Olé, olá! Esta moda não 'stá má.
Olá, olé! Tia Anica de Loulé.



Tiro - Liro - Liro

Lá em cima está o tiro - liro
Cá em baixo está o tiro - liro - Ió
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina
A dançar o solidó.
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina
A dançar o solidó.



Três pombinhas

Lá vai uma
Lá vão duas
Três pombinhas a voar
Uma é minha
Outra é tua
Outra é de quem a apanhar.

 
 








segunda-feira, 21 de junho de 2010

CANELEIRAS E PROTECTORES A CAMINHO DA PRIMÁRIA


Nasci em Setúbal só por acaso, e porque a minha mãe era lá professora primária. Estava para ir nascer a Évora, cidade onde viviam os meus avós, mas ao que parece, acelerei a chegada.O meu pai tinha chegado há um ano do Ultramar, e à data, estava provisoriamente colocado em Lisboa, na Direcção Geral de Educação . Também era professor primário.

Pouco tempo depois de eu nascer, abriram os concursos anuais de colocação e pôs-se a questão de para onde concorrerem ambos, ao abrigo de uma coisa que infelizmente para os professores já não existe : a “Lei dos Cônjuges”.

O meu pai era aventureiro e gostava de desafios. Também gostava (e gosta), do mar bravo. Contou-me que estendeu o mapa de Portugal em cima da mesa e escolheu as Caldas da Rainha, porque lhe agradou a proximidade com as praias. Nunca tinha lá ido.

Chegámos em Julho de 1970 e eu tinha 6 meses. Morámos perto de dois anos no nº 16 da Rua Formosa e depois passámos para a Rua Heróis da Grande Guerra, 169. Da Rua Formosa ficou-me uma amiga para a vida, a também formosa Ana Teresa Gomes (Vasconcelos), e os meus padrinhos, que ainda hoje e já velhinhos por lá continuam.A Sílvia (agora Goulão), mais nova que eu dois anos, também lá morou, na casa em frente aos meus padrinhos, e também respondia por Sissi, motivo pelo qual ficámos a “Sissi grande” e a “Sissi pequena”.

Aos 4 anos, e porque os meus pais acharam que eu devia conviver mais com outras crianças e sair debaixo das saias da empregada, entrei no Ramalho Ortigão, onde tive como Educadora a carinhosa D. Vicência, mãe dos Cordeiro.

Ao que parece aguentei um mês, por total e completa incompatibilidade com as sestas obrigatórias em catres de lona e almofadinha pequena, com cobertores de “picos” a acompanhar o sacrifício. Lembro-me do recreio, e de um túnel em cimento colorido, que servia para nos metermos lá dentro e quase sufocar se estava um à frente e outro atrás, género versão nível um dos treinos nos Comandos, e de mais umas quantas “diversões” coloridas.

A D. Vicência (a quem agora presto merecida homenagem ), não conseguiu acalmar a ira na hora das sestas, e eu não me fartei de berrar por casa e pela Isabel, a nossa empregada, outra santa que tinha uma pachorra de “jó” quer para me pôr a comer (tarefa difícil ao que parece), quer para me entreter nos desvarios.

Acabei por levar a minha avante e fiz a pré-primária em casa. Como queria muito ler para ver se não me enganavam nas histórias, contaram-me os meus pais que ao tentarem aplicar o “Método Global” para a leitura, em vigência nas escolas primárias em 74/75, e depois de muito livrinho com as letras ilustradas por objectos e animais, tipo: “G” - e por baixo o desenho da Galinha, um dia olhei para um saco de plástico da GOIA, à data laranja e preto e li: “Goia”.

Depois fui para a primeira classe ainda não tinha 5 anos, para não ser esperta. Adeus remanso de casa, adeus Isabel, que de mãos à cinta argumentava com os meus pais que “coitadinha da menina, que é tão pequenina, ainda lhe fazem mal, e tão bem que estava aqui comigo". Eu, no fundo, também achava o mesmo, mas queria aprender “coisas”.

A principio, e porque ainda não tinha idade legal para frequentar a primeira classe, fiquei na escola do Avenal, onde os meus pais eram professores, com a Professora D. Leonor, a segunda santa da minha vida escolar. Era só para ocupar umas horas e começar a brincar com as letras, mas a verdade é que a brincar com as ditas, passei para a segunda classe. E o que se ganhou com isso é que tive de repetir a terceira, porque andava um ano e tal à frente dos outros e porque muito jeitinho para ler e escrever, mas a aritmética era mais ver os números a passar. Infelizmente até hoje….

Saí da escola do Avenal, onde era protegida por todos e onde me ensinaram a andar de bicicleta sem “rodinhas”, para a malfadada terceira classe no Bairro dos Arneiros, onde o meu pai tinha sido colocado esse ano. Estávamos em 76/77. E azar, dos azares, não me lembro do nome da Professora. Talvez porque percebeu logo que a “esperta” não fazia os trabalhos de casa de aritmética e olhava para o lado quando se faziam os exercícios na aula. Talvez porque as idas ao quadro eram verdadeiros suplícios e as queixas da Senhora ao Professor da sala ao lado (o paaaiiiiizinhoooooo) eram recorrentes. Bom…As suficientes para em consciência decidirem pai, mãe e professora a repetição da terceira, até porque eu nunca poderia entrar para o ciclo ainda com 8 anos. Isto de ser de Janeiro, e de ter tido pais professores tem que se lhe diga…

Ficou-me da passagem pelos Arneiros outra amiga para a vida, a Vanda Belo, aluna do meu pai e companheira de aventuras espaciais, atendendo a que as nossas diversões no recreio passavam por cada uma de nós riscar no chão uma enorme circunferência (as naves), escolhermos as “crews”, e partirmos rumo a uma longínqua constelação. Eu costumava ser a Dra. Helen, e ela o Capitão John. O tema era o “Espaço 1999”, claro...

Vira-se novamente o disco, adeus Arneiros, e lá fui eu para a segunda terceira classe na “Escola Mais Bonita das Caldas da Rainha” – a primeira de todas, em frente do Parque de Campismo à entrada das Caldas.E começou o sabor a independência; ia sozinha, saída da Rua Heróis da Grande Guerra, logo de manhã cedo, a bater os protectores das botas caneleiras pelos passeios, e a parar nas várias capelinhas para seguir em grupo para a Escola. Os companheiros eram a Maria João (neta do dono da Goia), que morava perto da Praça do Peixe e o Gustavo Caridade que nos “apanhava” vindo de perto dos Bombeiros. Havia mais que se juntavam à pandilha, mas não consigo agora recordar os nomes…

Com o Professor Lemos, dono da papelaria Pelicano, (onde se iam comprar os livros escolares e aqueles mapas de Portugal lindos de morrer, hiper coloridos, que depois se plastificavam), chegou a época da “responsabilização escolar”, palavras usadas lá em casa e demasiado complexas para mim e para a Isabel, que achou desumano a menina ir sozinha e a pé para tão longe. Eu adorava!..

Pouco tempo a seguir, a Isabel desistiu de argumentar e saiu de nossa casa para casar com um “embarcadiço” de farto bigode loiro e olhos azuis, que em tempo de licença, a costumava ir namorar algures entre a garagem dos Claras, e a esquina da Jornália, ali rés-vés com as traseiras do Montepio, onde por vezes apanhavam um cortejo fúnebre que a Isabel aproveitava para depois comentar até à exaustão.

Pois…É que também faz parte da minha infância, saber sempre o nome, e muitas vezes a história dos defuntos….Já para não falar da indumentária que levavam para a última morada, atendendo a que a vista da varanda da minha casa incidia directamente para a casa mortuária do Montepio…Mas era uma belíssima varanda e a casa era magnífica!

Bom…A segunda terceira classe fez-se já sem a protecção paterna, e seguiu-se a quarta entre jogos da “macaca” no pátio de chão de terra batida, biqueiradas e correrias. Lembro-me também de levar a merenda num cestinho de vime, comprado na Praça da Fruta, depois substituído por uma lancheira moderníssima a imitar um “School Bus” americano, oferecida por uma prima residente no Canadá e que fez a inveja das amigas.Mas a aritmética foi sempre um osso duro de roer…

Foi com o Professor Lemos que ganhei o gosto pela História de Portugal, que ele sabia contar ao jeito de “estória” e foi pela mão dele que percebi o significado de “responsabilização escolar”. Literalmente….

E ainda outro dia, de visita a Marrocos, no meio do entrincheirado da Medina de Marraquexe , sorri ao deparar-me com uma casa de banho de “buraco”, ideal para treinar o estilo “cócoras” exactamente igual à que tínhamos na “Escola Mais Bonita das Caldas da Rainha”, já para não falar das carteiras de tampo à antiga, cheias de História e “estórias” de outros meninos.

Nestes anos de Primária, fui muito feliz. Corri e brinquei sem parar, fiz ballet, natação, patinagem e ténis e mais tempo houvesse mais faria. O espírito que reinava era o da dinâmica, de se aproveitar ao máximo os dias e tudo o que a cidade tão bem proporcionava.

Deixei de morar nas Caldas, tinha perto de 15 anos, rumo ao sul, para acompanhar os meus pais entretanto recém-licenciados noutras áreas. A Setúbal, devo ter ido só as vezes que precisei de apanhar o barco para Tróia e quando me perguntam de onde sou, isto depois de tanta paragem, respondo sempre: Das Caldas!

Das Caldas, de onde me chegam as memórias mais doces, as amizades mais verdadeiras e os laços mais fortes. Das Caldas, onde insisto em manter raízes, palco também da pré e início da adolescência, mais conturbada que a infância, polvilhada de risos e amigos “à séria”, mas também de alguns amargos de boca, como todas as adolescências…Mas da adolescência, não falo agora, até porque a prosa vai longa... Fico à espera que o Paulo me chame novamente preguiçosa para o fazer…


(post da Cecilia (Sissi) Martinho)

EQUIPA DA SAPEC-BX E AMIGOS

Garrincha, PINA, JOÃO(TATAU), Inácio, José Manuel, ALMEIDA, ADELINO, Victor Marques, Luis Durso, LUIS DUARTE, JORGE MENDES, Alfredo, Frau, ZÉ MANEL, Victor Leiteiro, Eduardo, Dadinho, XICO-ZÉ



EQUIPA DA SAPEC-BX E ALGUNS AMIGOS, HORAS DEPOIS DE OBTIDO O FAMOSO TRI, DEVIDAMENTE COMEMORADO.

XICO-ZÉ, CARLOS "PLACAS", RAFAEL, PINA, TEIXEIRA(TEXUGA), ARSÉNIO, ADELINO, ALFREDO, ALMEIDA, CARLOS, ANTÓNIO TIMÓTEO, ZÉ MANEL, JOÃO(TATAU), PLÁCIDO (IRMÃO DO OUTRO), VITOR MARQUES, JORGE MENDES, KIKO, LUIS DUARTE, VITOR, PLÁCIDO, ANICETO, CHICO



(post do Francisco Ferreira / Xico-Zé)

domingo, 20 de junho de 2010

JOGOS SEM FRONTEIRAS (Julho de 1983) - EQUIPA DE CALDAS DA RAINHA

Lena Gouveia (mãe da Nini Gouveia)
Manuel Barreto, Nuno Aniceto, Marques (CMCR)


Comandante Sales Henriques, Mª José Rocha, Vitor Milheiro

 
Nuno Aniceto, Berjano, José Luis Almeida (Gazeta das Caldas), Dr Rui

José Valente, Nuno Aniceto, Manuel Barreto, Henrique Sales Henriques, Paula Almeida (Paqui), Sérgio Oliveira


Nuno Aniceto, Paula Barreto, Manuel Barreto, Vitor Milheiro, Luisa (Nini) Gouveia, João Mateus
Maria José Rocha, Jorge Favas, Paula Barreto, Nuno Aniceto


Orlanda Ferreira, Jorge Bandeirinha, Paula Almeida (Paqui), Sérgio Oliveira

















(post do Nuno Aniceto / Parrila)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA - O EXAME DA QUARTA CLASSE




Hoje em todo o país, dezenas de milhares de crianças concluem o ano lectivo do primeiro ciclo, antiga Primária. E destes, alguns milhares, incluindo o meu filho Francisco, concluiram a antiga quarta classe.
Em 1973, eu e os meus colegas de classe, preparámo-nos com afinco para os exames finais da quarta classe. Estudávamos no Externato Ramalho Ortigão, vulgo O Colégio, que não possuía autonomia pedagógica, razão porque esse exame teria de ser efectuado numa escola oficial.
Essa contingência aumentava a nossa preocupação e durante semanas preparámo-nos metodicamente, simulando as provas com que nos iriamos confrontar.
O grau de exigência do Colégio e a grande competência e carinho da nossa professora, a D. Esperança, atenuou contudo qualquer dificuldade na nossa preparação e sentíamo-nos perfeitamente aptos quando chegou o grande dia. Isso não fez diminuir contudo os nossos nervos!
Éramos poucos rapazes na turma, apenas quatro dos cinco que tinham iniciado a primeira classe. Eu, o grande Zé-Tó, o Luis Filipe Gomes e o Louis Borga Gomes (o Luis André tinha ido para Alcobaça no final da segunda classe). Tal como os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas éramos quatro, e durante quatro anos repartimos um mundo de aventuras, fantasia e muita brincadeira.
Recordo entre as nossas colegas, a Luisinha Canela Lopes, a Teresa Ferreira, a Bibú Castro, a Xú-Xú (Cristina Vazão de Almeida), a Ana Monroy, a Kikas Gama (Ana Homem de Barros), a Luisa Jordão, a Teresa Lourenço, a Ana Paula Duarte, a Misá (Maria do Rosário Carvalho Dias) e a Paqui (Paula Almeida).
Repartíamos a sala de aulas com a segunda classe que já nos acompanhava desde o ano anterior, como era tradição no Colégio. Duas classes com a D. Esperança, duas classes com a D.Clarisse, dependendo do ano em que iniciávamos a Primária. Faziamos depois toda a Primária com a mesma professora. A D. Dora dava o apoio escolar da parte da tarde, a todas as classes.
No dia agendado reunimo-nos na Escola Primária da Policia de Trânsito, diante do antigo Parque de Campismo, no parque, por cima do ténis.
O facto dos exames serem efectuados noutra escola e por professores desconhecidos, aumentou a nossa ansiedade mas felizmente saímo-nos na perfeição. Não me recordo já do teor dos exames mas recordo-me que tínhamos uma prova de trabalhos manuais em que construí uma caravela de cartolina e arame, longamente treinada nas aulas de preparação, o nome que lhe dei guardo-o para mim mas trago na memória com carinho que a D. Esperança insistiu em guardar depois esse barco de cartolina que durante muito tempo figurou na sua sala de aulas.
Saí um pouco mais cedo dos exames e aguardei com preocupação a saída dos meus colegas, receava que por ter concluído as provas em primeiro lugar pudesse indicar que tinha falhado alguma pergunta. Sentei-me junto ao passeio na companhia dos meus pais e dos outros pais e a ansiedade aumentava a cada minuto que passava. Não deve ter contudo demorado muito tempo antes que, um por um, os meus amigos começassem a sair. O confronto de respostas dava-nos alento para aguardar pelos resultados. Após a saída do último reunimo-nos com um pouco mais de alegria e nem parecia já que esperávamos pela saída dos resultados.
Passados alguns minutos saiu da escola a D. Esperança com um sorriso de satisfação nos lábios. Tinha dialogado com os outros professores que estavam a avaliar as provas e as expectativas eram muito boas.
Finalmente sairam os resultados e juntámo-nos todos numa grande festa na rua.
Passados todos estes anos continuo a ver com alguma frequência quase todos eles. Amizades para a vida!
Éramos poucos entre alguns, passámos a ser poucos entre muitos mas os laços criados pela convivência e forte espírito de identidade desse tempo no Colégio manteve-nos unidos ao longo de todos estes anos.


A todos os meus colegas da primária no Externato Ramalho Ortigão
que contribuíram tanto para que tivesse uma infância tão feliz.

À D. Esperança.
Enquanto eu viver, viverá em mim!

Ao José Manuel Cabaços.
Obrigado por me ajudares a educar o meu filho da forma como o fizeste.

Ao meu filho Francisco.
Que a escola te continue a trazer tantos momentos felizes,
professores inesquecíveis
e tão grandes amizades como me trouxe a mim.












Jacques Brel - L'Enfance

quinta-feira, 17 de junho de 2010

UM CAMINHO



Era uma vez um miúdo cheio de afectos, de sentimentos, que a dada altura da sua vida deixou de perceber onde os podia encaixar e a viver situações que o fizeram acreditar que tinha de mudar isso dentro de si... Entretanto descobriu que havia umas cenas que lhe "adormeciam" essa sua parte a que já não sabia dar uso... Viveu então o período de crescimento a procurar desesperadamente mostrar o quanto era um durão e um sobrevivente, não precisando de nada do que implicasse outros, pois isso parecia-lhe ser uma demonstração de fraqueza... e metade da sua vida passou assim, evitando viver tudo o que lhe parecesse "perigoso", mas ao mesmo tempo fazendo outras "perigosidades"...
Um dia (e só ele sabe, ou não sabe, porquê) resolveu desafiar os seus medos e enfrentar-se a si e a tudo o que andara a procurar evitar... acreditando finalmente que não tinha nada de errado e "merecia" uma oportunidade de paz com a Vida, de poder ser a pessoa bonita que sempre fora, por trás daquela máscara de durão... que também podia ser amado e amar, fazer os outros felizes e deixar-se ser feliz junto dos outros... sentir que pertencia a algo, amigos, família, namorada... e que outros pertenciam à sua vida... deixar de ser um solitário a explodir de coisas boas para partilhar... Assim começou o seu caminho... Pelos olhos dos que o rodeavam, muito bem e sem razões para se queixar, com tudo o que se pode desejar, etc., etc.... Mas, começou também a descoberta de uma pessoa com quem vivera esses anos todos e que lhe era afinal quase totalmente desconhecida, já que lhe fugira sempre que pudera... ele próprio, com os seus sentimentos!
E descobriu então que a adrenalina pode estar simplesmente no dia-a-dia de se ir aprendendo a viver o melhor que somos capazes, em cada momento... e que só assim se faz caminho... como dizia o poeta "Caminhante não há caminho, o caminho faz-se caminhando"
Começou a observar em seu redor, a ouvir à sua volta, e a olhar-se e ouvir-se a si próprio, e descobriu afinal que isto de vivermos é um caso complicado... mas também muito gostoso!
Percebeu que havia muitas formas de se fazer esse caminho... que cada um fala de uma maneira (e, às vezes, até vive de outra completamente diferente!) e, que à sua volta, enquanto ele estivera a representar o papel de durão outros viveram outras coisas... e que ele não tinha essas vivências para partilhar... como se tivesse um buraco no seu percurso...
Então começou a sentir outros sentimentos, uma angústia de como resolver dentro de si aquele buraco... Se aceitando-se com o seu caminho (se calhar, mesmo perdoando-se pelas escolhas que tinha feito!) e viver a partir daqui em paz consigo...
Se procurar viver o que lhe tinha faltado, embora não consiga descobrir o botão da vida que faz imagem acelerada, para não perder muito tempo.
Descobriu então que isto de termos a responsabilidade da nossa vida é uma tarefa difícil porque depois não podemos responsabilizar os outros pelos momentos menos bons (mais difícil do que decidir se fazemos um piercing!)... Mas que também tem a vantagem de que se a decisão nos faz sentir bem esse sentimento é maior ainda por nos sentirmos responsáveis por ele... e que se nos fizer sentir menos bem podemos sempre vir a aprender para outras ocasiões estarmos mais atentos a nós próprios...
Qual é o fim da história, cada um que imagine o seu... quanto a mim mantenho a certeza que tenho, desde o dia em que o conheci, de que uma pessoa bonita assim é difícil de encontrar, por isso, sejam quais forem os caminhos que vá caminhando irá sempre, em algum momento, cruzar-se com o meu para continuar a ter o privilégio de ver os seus olhos a sorrirem-me...

(post da Cláudia Tonelo, escrito em 19 Fevereiro 2005 02.30h)



Resistência ao Vivo - Nasce Selvagem

domingo, 13 de junho de 2010

A AMIZADE ESTÁ AO VIRAR DE UMA ÁRVORE



Olhei para o relógio. Eram 15h30 de hoje. Ainda tinha uma hora e meia antes do inicio do Grande Prémio do Canadá.
Decidi-me por ir ao parque e tirar finalmente algumas fotos dos recantos que me marcaram a adolescência, antes que fosse tarde de mais, como o Salão ibéria ou o lago junto aos courts de ténis.
Estacionei junto à Fábrica da Bordallo Pinheiro. Constatei que felizmente a loja tinha gente de visita. Vamos ver se aguenta! A alma das Caldas está morrer e há muitos que não estão a dar por isso.
Entrei pelo bosque em direcção à Parada, onde está o muro que trepávamos na infância? As bancadas onde beijei a C. com os meus 15 anos? O ring onde reaprendi a andar de patins depois de ver a Paula, então namorada do Toni, a fazer incriveis piruetas?
(a primeira vez que andei de patins, recordei, era uma criança de 6 anos e fora no velho ring do Jardim Zoológico com um africano já idoso, vestido de fraque e cartola, professor a tempo inteiro no Zoológico dos anos 60 e inicio de 70).
Recordei o Sr. Zé, pai do Zé Moura, do seu falar duro mas um coração grande como o mundo.
Recordei os jogos de andebol das nossas aulas de educação fisica e os duelos de hoquei em patins e basquetebol que presenciei, sempre em apoio a equipas das Caldas.



Hoje a parada está a ser arrelvada e tive que a contornar. Passei pelo lindo palmeiral onde recriava as aventuras de Tarzan quando tinha os meus 8 anos.


Passei pelo local onde haviam umas árvores de tilia, de onde eu colhia as folhas e ia vender às amigas da minha avó para fazerem chá. Tilia tormetosa é o seu nome cientifico e eu recordei os tormentos que passei para conseguir conquistar a E. e foi ali, junto a uma delas que eu a beijei pela única vez. Tinha 16 anos. Da árvore apenas resta um toco a sair da terra.



Passei pelas casas dos guardas e virei à direita pelas escadas de troncos e terra. A meio patamar olhei melancólico para a esquerda recordando uma lancharada que fizemos no último dia de aulas do meu primeiro ano de liceu, com a Paula e a São no comando. A Paula reencontrei-a vender fruta no Pó, está na mesma! A São, nunca mais a vi!


Subi ao terreiro de cima e vi-me de novo à sombra da árvore a ler ‘’Viagem ao Mundo da Droga’’, teria uns 14 anos!


Virei de novo à esquerda olhando com tristeza as as portas e janelas emparedadas dos velhos pavilhões. Passei as estufas do parque e o pavilhão onde se praticava judo com o Prof. Coutinho ou com o Eusébio e dei por mim na velha esquina relembrando os intervalos que descrevi em ‘’Cruzando os anos em poucos dias’’. A minha adolescência estava ali, naquelas paredes vigorosas de um edificio decadente. Um dos ex.libris da cidade jaz ao abandono à espera que a Câmara, a direcção do hospital e algum ministério se entendam! Não é preciso definir o seu destino para recomeçar as obras de conservação.


Primeiro faz-se, depois logo se vê! Se foi assim com o pavilhão de Portugal na Expo porque não será com um dos dois maiores monumentos arquitectónicos das Caldas?
Continuei a tirar as fotos pretendidas e desci pelo mesmo caminho, em direcção à fonte onde numa brincadeira estúpida parti um dente ao Kiko quando tinhamos uns 8 anos.


Vi o lago onde o João Gancho caiu à água ainda nos tempos do casino e onde mergulhámos após queimarmos os cadernos na comemoração do fim do Liceu. Velhos ritos que cairam no esquecimento!
Vi o espaço onde ficava o Salão Ibéria que descrevi em ‘’O Piolho e as Reprises’’, os pátios interiores do Liceu que nunca mereceram o nosso aproveitamento e a porta da biblioteca Gulbenkian onde eu lia os livros do Emilio Salgari e de Edgar Rice Burroughs.


Virei à direita, entre o Casino/Casa da Cultura e o velho Liceu. Vi-me no meu primeiro dia de liceu onde recebi a praxe, recordei o Ricardinho Calisto a apresentar-me a Maria Martinho da Benedita, a miúda mais bonita do liceu, finalista e quatro anos mais velha, e eu todo babado por conhecê-la! Revia-a uma vez em Coimbra, no inicio dos noventa, mas não me reconheceu 17 anos depois!


Sai pelo portão em frente ao hospital termal e olhei para trás para ver uma vez mais a imagem que tinha todos os dias ao chegar ao liceu.


No largo revi de novo o Frederico Costa na recordação que descrevi em ‘’Cruzando os anos em poucos dias’’. Fotografei a renovada fachada do antigo casino e entrei pelo novo Céu de Vidro, agora mais comprido que originalmente. Recordei as ‘’Matinés no Casino’’ e as brincadeiras de criança. No jardim que era privativo mantêm-se os plátanos onde gravei tantas iniciais e corações e os espaços das minhas brincadeiras de infância.


Desci então a velha Aldeia dos Macacos em direcção ao coreto e à esplanada. O velho coreto de que pintei as grades numa crónica que está por contar (Cat e Ana Paula, adiram ao fb para eu a poder contar!), vi as avionetas vermelhas que descrevi em ‘’A Velha Esplanada’’ e revi com actualização as mães a conversarem e as crianças a brincarem. Já lá não estão os stands de gelados nem a velha jukebox mas a magia que emana da esplanada mantém-se inigualável.


Ia em direcção ao parque infantil mas decidi virar à esquerda em direcção ao parque das bicicletas recordando as corridas com o Diogo, o Luis Castelo Branco e o Kiko e a cena de ‘’Pliés e Babygrows’’.


Ao virar a esquina da vereda surge-me o Oliveira com um amigo. Faz-me um amplo sorriso e olha para o seu amigo com um olhar cúmplice.
-Nem sabes a coincidência! – Diz-me numa gargalhada pondo-me a mão no ombro.
Fico à espera da noticia. Somos amigos há mais de trinta anos, partilhando a amizade comum de um amigo que recordamos com saudade, o Luis Morgado (que ia a sair da Zaira em ‘’Cruzando os anos...’’) mas raramente nos vemos, talvez uma vez por ano, cruzando-nos fortuitamente na rua e com um cumprimento sincero mas sempre apressado. Por essas e por outras escrevo o que escrevo e que muitos não entendem. Qundo temos tempo para dizer aos amigos o quanto os estimamos? E quando iremos ainda a tempo?
O Oliveira tira não sei de onde um pequeno embrulho de papel almaço que me entrega!
Tem colado no exterior uma fotografia do meu pai a receber qualquer coisa, uma foto velha e amarelada. Não entendo o que é? Serão postais?
- É uma placa de zincografia!
O embrulho contém uma velha placa de zincografia, de madeira e zinco, e a foto colada no pacote mostra a impressão que se produz por aquela placa.
(Definição: ZINCOGRAFIA é a técnica através da qual se imprimem gravuras a partir de chapas como o zinco ou alumínio. O desenho é realizado com uma tinta especial sobre a superfície em alto-relevo, por meio da reacção ácida das partes não protegidas, que vai transformá-lo numa matriz, pronta para ser impressa.)
Estas placas eram utilizadas para efectuar impressões de fotografias nos velhos jornais entre os caracteres das letras que compunham, um a um, o corpo do texto em tipografia.
A fotografia mostra afinal o meu pai a receber um prémio. Tem uma legenda e um apontamento escrito á mão, tem data de 15 de Janeiro de 1981. Há 29 anos!
Sei de que se trata apesar de ter sido no meu primeiro ano de Lisboa. Foi em Madrid e o meu pai está a receber uma distinção para a empresa que tanto amava. Não um prémio individual mas para a empresa. Para cada um dos seus funcionários, para cada um dos individuos que constituíam a essência daquela empresa. E como o meu pai sempre me disse, uma empresa é como uma igreja. Não é um edificio, não são quatro paredes por mais belas que sejam. Uma empresa são as pessoas, é com elas que contamos, é com elas que podemos recomeçar! Por isso acredito que o meu pai não via aquelas distinções como um reconhecimento do seu mérito individual mas pelo esforço de todos (há um poema de Bertold Brecht lindissimo sobre isso!) e de certeza por isso sente cada pessoa que com ele trabalhou como alguém próximo, muito mais importante que todos os vips que foi conhecendo ao longo de uma vida.
Olhei para o Oliveira emocionado. Entre o objecto que me entregou com um sorriso e o acto que praticou não sei qual terá mais valor como prova da sua amizade.
- Está ali a decorrer uma feira de velharias! – disse-me apontando para o parque das bicicletas. – Parece que se realiza ao segundo domingo de cada mês. – Continuou ele. – Estava a passear entre as bancas e deparei-me com um monte destes pacotes todos empilhados! Perguntei o que era e explicaram-me que eram velhas placas de zincografia mas nem sabiam de que jornal nem de que localidade. Comecei a cuscar por curiosidade e no meio de dezenas que me passaram pelas mãos, encontrei esta com o teu pai! Nem sabia quando te viria a encontrar nem tinha o teu contacto mas ia guardá-la até que nos voltássemos a encontrar e dava-ta depois!
Fiquei a olhar emocionado para o Oliveira. Conhecemo-nos há trinta anos mas nos últimos vinte cruzámo-nos umas tantas vezes sempre de forma apressada e casual (sim, eu sei que já vos disse isto mas tenho que o enfatizar!) e agora ali estava um amigo a provar que a amizade não se mede pelo tempo em que estamos juntos nem pela distância a que estamos um do outro, na realidade nem sei como se mede mas sei que consigo reconhecer o tamanho da amizade quando me confronto com ela!
Directamente dos anos 80 para hoje, ali estava um reencontro com o passado da mais bela forma!


Despedimo-nos e eu segui com interesse para a feira das velharias. Não havia mais placas de zincografia que me interessasse mas reencontrei-me com o passado. Para o meu bau de recordações ficaram os dois vinis dos Santa Esmeralda que como recordei anteriormente foram as primeiras músicas a tocar no Sotão (não JP, não encontrei o Disco Amarelo, bem que o procurei!), os dois livros que mais me marcaram na adolescência ‘’Viagem ao Mundo da Droga e ‘’Os Filhos da Droga’’ de Christiane F. e ainda, imaginem uma velha View Master com fotogramas de filmes da Disney e de cidades europeias!


Voltei ao carro pelo cais, vi com satisfação que os barcos estavam todos alugados e que diante da Casa dos Barcos, agora espaço de exposições, mantinha-se a animação de sempre com muita gente.


Foi com tristeza que vi que a minha estátua preferida do parque está agora escondida pela copa de uma árvore e que assim ninguém a vê. Fica ainda mais bela naquele seu recanto-esconderijo mas é uma pena que não a possam desfrutar. Vejam, logo a seguir aos cais, de quem vem do lado da esplanada, a bela estátua. Não lhes direi onde está. Vão lá e percam uns segundos em contemplação, recebendo em troca a paz que emana daquele local.


Sai do parque pelo velho roseiral lançando ainda uma última vista ao velho liceu, do mesmo local vi a mesma imagem que serve de layout a este espaço.


Não foi há trinta anos, não foi ontem. Foi hoje mesmo!






 
PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertold Brecht