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terça-feira, 15 de junho de 2010

UM PUNK BELGA




Um dia o Miguel apareceu no sótão com um álbum novo. Música francesa, disse ele com um sorriso malandro.

- Música Francesa! - Exclamámos nós com um ar de gozo.

Afinal no sótão a nossa cedência à música francesa limitava-se aos slows do Serge Gainsbourg com a Jane Birkin e às baladas do Joe Dassin (de que haveremos de falar um dia).

- Vão ver que vão gostar, é uma cena punk! E o tipo não é francês, é belga! (como se isso importasse!)

- Pois, é um novo Jacques Brel em versão punk! – atirou alguém.

Afinal o Plastic Bertrand até cantava umas coisas e ‘’Ça Plane Pour Moi’’ e ‘’ Tout Petit La Planète’’ tornaram-se de imediato umas das nossas favoritas.

As meninas mais atentas até reconhecerão ‘’Ça Plane Pour Moi’’ das promos da série ‘’Gossip Girl’’.

Trinta e três anos depois!






Gossip Girl Season 2 Promo - Blair and Serena

Plastic Bertrand - Ca Plane Pour Moi


Plastic Bertrand - Tout Petit la Planete"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

AINDA O DISCO AMARELO




Esta crónica só faz sentido para quem tiver lido as crónicas do Paulo Caiado ("O Sótão" e "O Disco Amarelo") a minha ("Em Busca do Disco Amarelo") e os respectivos comments.

Ele há coisas extraordinárias. Depois de todas as coincidências em torno do meu comment e das crónicas do Paulo Caiado - depois de tudo o que descrevi sobre a importância desse Disco Amarelo na minha memória - e depois de ter pensado o que seria feito desse disco que eu nunca mais vira (aliás, antes da crónica do Paulo eu nem sabia que disco era... só que era amarelo)...

Bom não é que depois disto tudo descubro que tenho um exemplar desse disco e não sabia... :-)

Um dia desta semana, estava eu a arrumar coisas aqui no atelier e lembrei-me que tinha um monte de discos de vinil coloridos, sem capa. Discos que vou comprando aqui e ali, na feira da ladra, saldos nas lojas que vendem vinil, lojas de velharias, etc.... A maior parte dos discos são colectâneas tipo Super-êxitos Polystar e coisas assim... nem costumo olhar para ver que discos são. Compro porque são baratos e são bonitos.

Fui buscar esse monte de discos e no meio de rodelas verdes, azuis, cor de rosa, laranja... um dos discos era AMARELO... suspense... durante uns segundos o meu coração bateu mais forte... pensei: será que é? não... quem sabe talvez...
e não é que era mesmo?
um exemplar do Maxi-Sngle do tema "Haven't Stopped Dancing Yet", Gonzales, 45 rpm, amarelo translúcido.

Bom, não é exactamente o exemplar que o Paulo Caiado comprou na Tália e que animou o Sótão.
Mas é um igual. :-)

Quando houver uma festa podemos tocá-lo e cantar " I Haven't Stopped Dancing Yet... " :-)

(post do João Paulo Feliciano)

terça-feira, 1 de junho de 2010

EM BUSCA DO DISCO AMARELO



Paulo, obrigado pela crónica - e post - sobre o DISCO AMARELO.

Foi uma daquelas coincidências, um daqueles momentos em que o tempo sincroniza as acções e pensamentos de duas ou mais pessoas à distância: tu voltas a publicar a crónica sobre O SÓtÂO - a primeira que aqui publicaste e que eu não tinha lido no post original; Eu leio essa crónica, revejo as memórias desse sótão, e lembro-me do "disco amarelo"; escrevo um comment à tua crónica mencionando esse disco... e tu respondes "Nem de propósito, a crónica de quarta-feira é sobre esse disco e está concluida..." E ainda por cima acabas por publicar a crónica logo nesse dia (ontem) por outra coincidência: o aniversário do Johnny Crespo Wilson.

Abençoada "rede" e abençoado Facebook.

Este disco - o DISCO AMARELO - ficou-me para sempre na memória. Uma daquelas memórias cuja força não conseguimos bem compreender, talvez potenciada pelo mistério... Revi a imagem daquela rodela de vinil amarelo vezes sem conta na minha cabeça, acompanhada de fragmentos de memória algo difusos... a imagem do sótão, uma vaga memória da música contida nesse disco (era disco-sound), algumas caras de pessoas, uma sensação de "domingo à tarde", um sentimento de excitação e de alegria adolescentes...

Essas memórias sempre adensaram o mistério sobre esse disco - e dessa forma devem ter contribuído para a minha relação com a música e em particular com os discos de vinil.

De cada vez que pensava nesse disco - e foram vezes sem conta - perguntava-me: que disco seria esse? que grupo? que música? Lembrava-me que era um máxi-single, que teria sido a primeira vez que tinha visto um máxi-single... Em que ano teria sido? De quem seria o disco? Onde estaria "esse disco"? E pensava exactamente nessa cópia do disco: onde estaria esse objecto tão fortemente marcado na minha memória?


Ler esta tua crónica sobre o DISCO AMARELO foi por isso um momento de revelação em que preenchemos espaços vazios da nossa memória afectiva. Quando isso acontece sentimos uma mistura de emoções, umas que nos vêm das recordações desse episódio ou fase da vida em particular, outras que são de agora, do que estamos a viver, e outras ainda que atravessam longos periodos da nossa existência... todas essas emoções se cruzam de um modo simultaneamente intenso e difuso.


Agora sei a história desse disco. E daqui em diante, cada vez que me lembrar dele, será uma memória enriquecida... agora, quando pensar n' O DISCO AMARELO vou pensar no Paulo Caiado, nos Crespos e outras pessoas com quem me cruzei nessa altura. Vou pensar na Tália, no Anselmo, na Discosom, na loja de discos que ficava na cave do Drugstore ?? (onde depois foi o Menú)... ou seja, os locais onde comprei os discos da minha adolescência (muitos deles ainda comigo e a serem tocados de vez em quando)...
e vou-me lembrar da relação ambígua que tinha na altura com o disco-sound (durou ainda alguns anos)... era quase um conflito de interesses: como era possível eu gostar dos Sex Pistols, Ramones, Jimi Hendrix, Led Zeppelin? Devo, Wire,... e gostar daquela música (e o facto é que gostava)?. Foi preciso a maturidade para o conflito estético desaparecer e ser substituido pela síntese ( LCD SOUNDSYSTEM :-) é procurar no youtube)

A música tem a encorme capacidade de evocar emoções, sentimentos, memórias... de gerar afectivade, paixões, conforto e desconforto...

Sempre me intrigou a relação que se establece entre a nossa experiência e a "banda sonora" dessa experiência, ou melhor experiências. A cada fase da nossa vida associamos uma determinada banda sonora, composta de memórias da música que nos acompanhou nesses momentos, mas também da memória dos locais, das pessoas, dos objectos...


Há uns tempos escrevi um texto que fala de algumas destas coisas.
Está aqui o link, se alguêm quiser ler "A história da musica não vai nem a meio…" http://blog.joaopaulofeliciano.com/

Para terminar:
Onde é que está esse DISCO AMARELO? Essa cópia que tu compraste na Tália e vendeste ao "Johnny Crespo Wilson"? Estará algures concerteza.


(post de João Paulo Feliciano)


Pat and Mick - I Haven't Stopped Dancing Yet

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O DISCO AMARELO





Estávamos no final do Verão de 1979 quando num sábado de manhã, passava eu diante da Tália, ouvi um som fantástico que me fez entrar. Dirigi-me ao fundo da loja, à secção de discos e perguntei o que estava a tocar.
O empregado com um sorriso e um brilho nos olhos de quem reconhece um cúmplice, mostrou-me um disco como se fosse uma peça de colecção.
- É importado, só mandámos vir dois!
O grupo ‘’Gonzalez’’ não me dizia muito, mas a música era um verdadeiro hino ao disco-sound!
O meu interesse baixou um pouco perante a expectativa do preço que me iriam apresentar.
O empregado retirou o disco da capa e os meus olhos abriram-se de admiração e entusiasmo.
-É um maxi-single. – informou o empregado.
O primeiro que eu vira na vida. Ainda por cima trazia outra novidade, o vinil era amarelo, o primeiro vinil colorido que eu vira em toda a minha vida!
Custava 18 escudos, mais do dobro de um single normal mas a expectativa de ter aquela raridade nas Caldas fez-me decidir a ir casa tentar reunir a quantia necessária.
Nessa a tarde apresentei-me triunfante e orgulhoso no Sotão trazendo o disco como um galardão. Foi de imediato um enorme sucesso e o disco passou vezes sem conta nessa tarde.
No dia seguinte repetiu-se o sucesso com os que não tinham estado na véspera e no final da tarde. O João Crespo Wilson veio então pedir-me se me podia comprar o disco pois ia nessa noite para Leiria e não teria possibilidade de ir comprar à Tália o outro exemplar. Receava ele que em Leiria não conseguisse encontrar o disco uma vez que era importado.
Apesar da minha relutância inicial eu acedi e vendi-lhe o disco, na esperança de no dia seguinte poder adquirir o outro exemplar na Tália.
O pior foi quando cheguei á loja e me disseram que o outro disco já tinha sido vendido e como eram importados não havia muita possibilidade de o ter de novo. Pedi-lhes quase encarecidamente que tentassem encomendar um novo exemplar.
Durante semanas, meses, perguntei pelo disco. E nada!
Estive anos sem voltar a ouvir a música mas apesar de tudo dava por mim de quando em quando a trautear os seus acordes como quem tem um flashback de uma antiga namorada de infância de quem já temos dificuldades em recordar a cara.
Com o aparecimento da VH1 surgiu a oportunidade de voltar a ouvir a música e um dia que sintonizei esta estação lá estava.
Ao fim de tantos anos voltava a ouvir os Gonzalez e ‘’Haven’t Stop Dancing Yet’’!
O Disco Sound há muito que morrera e o meu gosto musical foi-se alterando ao longo dos anos, mas a alegria de viver reflectida pela música e a marca dos tempos em que nos ríamos e brincávamos enquanto dançávamos num circulo de vinte, trinta amigos, isso perdurou em mim até hoje.

Ao Johnny Crespo Wilson que hoje faz 47 Primaveras
As amizades são eternas!



Os Gonzalez foi um grupo britânico de R&B e Funk. Ficaram mais conhecidos como banda de apoio de grandes nomes do R&B, Funk e da música Soul. O seu primeiro álbum com o título ‘’Gonzalez’’ foi lançado em 1974. Gravaram um total de seis álbuns antes de se retirarem em 1986, e são sobretudo conhecidos para o seu grande êxito ‘’Haven’t Stopped Dancing Yet’’
A banda original foi formada por Godfrey McLean e Bobby Tench em 1970 e incluiu outros membros dos Gass (uma banda rock e de rock progressivo formada em 1965) com a formação inicial constituída por Tench como vocalista e guitarrista, Godfrey McLean na bateria , baixista Delisle Harper e percussionista Lennox Langton. Mais tarde Tench tornou-se membro do Jeff Beck Group e os Gonzalez criaram uma nova formação, com os saxofonistas Mick Eva, Chris Mercer, Geoffrey 'Bud' Beadle, e ainda Roy Davies nas teclas e o guitarrista Gordon Hunte. Mais tarde George Chandler, Glen LeFleur e Delisle Harper incorporaram a banda, mantendo-se em simultâneo no grupo funk The Olympic Runners.
O seu primeiro álbum Gonzalez (1974) apresentou um som Funk muito pesado. Our Only Weapon Is Our Music (1975) foi lançado sob a etiqueta Capitol, uma empresa-irmã da EMI.
Por volta de 1977 eles tinham encontrado um público entusiasta entre os fans da música Disco, com a canção escrita por Gloria Jones (a mesma de Tainted Love interpretada mais tarde por Marc Almond dos Soft Cell) ‘Haven’t Stopped Dancing Yet’’' que chegou ao nr. 26 no Billboard Hot 100. Um remix da canção conseguiu o 7º lugar no US Club Play Chart e o 15º no UK Singles Chart.
Os terceiros e quartos álbuns da banda, Shipwrecked e Move It To The Music foram produzidos igualmente por Gloria Jones. Eve e Hunte deixaram entretanto a banda antes do single ‘Ain’t No Way To Treat a Lady’’ ser lançado como uma tentativa de repetir o êxito de ‘Haven’t Stopped Dancing Yet’’
Em 1980, os singles seguintes e o seu quinto álbum Watch Your Step, não tiveram sucesso e o grupo perdeu o seu status na editora discográfica. Os Gonzalez então mudaram-se para a editora Pye Records e concentraram-se nas actuações ao vivo, normalmente como banda de apoio de estrelas da R&B, Funk e da música Soul, como Freddie King.
Roy Davies morreu em 1986 e então os Gonzalez dispersaram.


Gonzalez - Haven't Stopped Dancing Yet (1979 - original video)

sábado, 1 de maio de 2010

O SOTÃO



Num dia de Verão de 77 ou 78 estávamos nós (os três primos Crespos: o Miguel, o Alberto Nuno e o Johnny, o João Gancho, o Kiko, o Diogo (estás aqui connosco amigo!), o Rato (Ricardo Ramos), eu e talvez os primos Pedro e Miguel Calisto, a maldizer a vida por sermos tão novos e não podermos ir ao Ferro Velho ou à Azenha quando um dos Crespos se lembrou que poderámos fazer a nossa própria boite. O local encontrado foi uma das arrecadações do pátio das traseiras da casa da sua avó, a D. Liberdade. Durante uma tarde esvaziámos toda a arrecadação, lavámo-la e limpámo-la.
Ao segundo dia caiámos as paredes e julgávamos ter a casinha pronta para a festa ams houve um de nós que achou que lhe faltava qualquer coisa. Eu lembrei-me de um poster que tinha colado na parede do quarto do Jesus Christ Superstar ‘’à la’’ Andy Warhol e fui a correr a casa buscá-lo.
O Miguel que sempre teve muito jeitinho para os trabalhos manuais pegou num papel vegetal e copiou-o transpondo para a parede. Uma imagem a negativo, a preto e branco, do Jesus Christ Superstar ficou assim pintada na parede do fundo (a dois metros da porta que a arrecadação era mínima). A boite foi assim baptizada de ‘’Superstar’’. Depois os Crespos fizeram uns convites e preparámo-nos para a primeira festa, num domingo à tarde.
Apareceu tanta gente que tivemos de colocar os estendais de roupa com uns lençois a ampliar o espaço (tipo esplanada) de forma a que todos pudessem dançar sem estar ao sol.
Nas matinés seguintes (todos os dias) apareceu tanta gente que a arrecadação já não chegava e um dia os Crespos fizeram uma surpresa.
Tinham arranjado o sotão do prédio, com acesso exterior das escadas de serviço e feito uma verdadeira – achávamos nós! – boite.
Tinha bola de espelhos, cabine de disco jockei e tudo. O sotão durou anos e marcou uma geração!


Santa Esmeralda - Don't Let Me Be Misunderstood



Santa Esmeralda - House of the rising sun