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domingo, 23 de maio de 2010

DE REGRESSO A CASA





Tínhamos uma forma de regressar a casa, depois de terminar a aula na escola primária da Praça do Peixe deveras “peculiar”. …..

Depois de acalmada a correria inicial após a saída, a primeira paragem era logo na porta ao lado da porta da Escola, na Drogaria Mimosa (mesmo ao lado), o nosso olhar consumia diariamente a montra, que, se bem me lembro, mudou só uma vez a sua decoração quando alguém partiu o vidro e foi necessário substitui-lo.

Mas nada de novo se passava na montra, mas não sei porque raio, tínhamos um encanto pela montra, o que é certo é que olhávamos quase de olhos fora das orbitas para as embalagens com produtos químicos expostos com as magnificas e proibidas caveiras pequenas na parte inferior da embalagem, que passavam imensos meses na montra sempre brindadas com a nossa admiração diária.

Talvez a curiosidade fosse pelo medo que os nossos pais nos induziam acerca daqueles produtos. Após termos saciado a curiosidade com as drogas na montra da drogaria descíamos até á mercearia do Pena.

Olhávamos para as caras de bacalhau e para as línguas de bacalhau expostas á porta de entrada com um ar de enjoados do pior, aliás não me esqueço de enormes bacalhaus pendurados nas partes laterais das portas da mercearia, por cima das castanhas, nozes e amendoins, com uns papeis brancos agarrados a meio, com letras estilizadas de cor azul, “ Bacalhau da Noruega só no Pena” .

Houve alturas que uma ou outra língua de bacalhau era usada para atazanar alguém, ia parar á mala de algum mais distraído, claro está, que depois levava uma bronca das grossas pelo cheiro que aquele pequenino pedaço de peixe salgado produzia dentro da mala no quarto de quem fosse brindado.

Sempre que o empregado suspeitava de algo, lá estávamos nós com as caritas de anjo na primeira fila do sorriso, como se nada tivesse acontecido. Mas aquela mercearia, possuía ainda mais duas outras mais-valias, uma era aquele cheiro a café incrível, que nos entrava pelo nariz de tal modo que se tornava egoísta, não deixando entrar outros cheiros.

Bom mas esses cheiros faziam os caldenses passarem pelo menos duas vezes por mês no “Pena” para comprar um pacote de café, em papel de cores coloridas esbatidas, que se fechava no topo com a dobragem da parte superior do pacote do qual resultavam, dois triângulos rectângulos que ficavam opostos, mas que muitíssimas vezes eram atados com a passagem da guita numa das dobras que nessa altura usavam e partiam, com uma perícia de ourives em todas as lojas.

Muitas vezes, tentei nessa altura partir o raio da guita e nadaaaaa…

A outra mais-valia do Pena era sem duvida o sitio onde íamos comprar umas pastilhas de nome pirata que faziam uns balões, maiores que as nossas cabeças. Por imensas vezes metemo-nos em sarilhos com essas “performances”, brindando com alguns pedaços de pastilha esticada resultantes dos estoiros desses balões algumas das pessoas que pela praça do peixe, passavam e se cruzavam connosco nos momentos da grande “arte do balonismo”,

Bom até ai seria tudo tranquilo, mas as contra-indicações dessa brincadeira fazia-nos aparecer por vezes após o intervalo, com os cabelos cheios de pastilha, o que nos valia sempre valente reprimenda do professor e por norma, um corte de cabelo bem mais curto, no meu caso no meu tio Hermínio em frente ao antigo quartel da GNR.

Bom já consegui andar 20 metros desde a porta de saída da escola…..nada mal.

Entravamos então na rua Heróis da Grande Guerra onde o nº125 me esperava todos os dias por volta das 13h30, cruzávamo-nos então pelo Ramiro e com as suas montras em curva, onde estava sempre dois manequins masculinos e um feminino, eles de fatos completos, sempre escuros com umas gravatas brilhantes numas posições de Peter Pan, enquanto o manequim feminino, sempre vestido de noiva, coisa que achávamos na altura uma chatice ‘’coitada da mulher tinha de levar aquilo tudo vestido’’ pensávamos nós terríveis “cavaleiros da arte de bem vestir”.



Era então ai, que se dava o inicio da corrida que religiosamente todos os dias iniciávamos nessa parte da rua para executar um salto, na tentativa de chegar a um sinal de trânsito, para aferir a nossa altura já que a loja a seguir ao Ramiro nunca nos cativou, vendia, pratos e serviços de chá os quais achávamos uma tremenda de uma chatice.

Esse sinal estava num suporte que estava cravado na parede antes da padaria que existia na altura e que vendia uns bolos em forma de rim e uns triângulos de coco com os quais ainda hoje me perco, formidáveis acreditem, bolos incríveis comemos nós ai.

Refeitos do esforço sobre humano para nós na altura na vã tentativa de perceber se poderíamos chegar ao sinal, cruzávamo-nos com uma loja que vendia tachos e panelas de alumínio com as pegas pretas e artigos em plástico, que tinha umas portas exteriores verdes, que misturava a madeira com algumas varas de ferro fundido trabalhado.

Com a nossa correria de vez em quando brindávamos os plásticos com uns ligeiros pedidos de licença para passar, nunca aceites por eles, e o resultado era, projecção para a estrada, para um espaço que estava normalmente reservado com duas caixas de madeira e duas tábuas em cima delas em jeito de hipotenusa, para que as camionetas pudessem descarregar as rações para a loja que estava a seguir.

No cruzamento da primeira estrada que tínhamos de atravessar existia e acho que ainda existe uma loja que vendi-a malhas e que mostrava garbosamente os seus pullover´s de lã virgem em manequins de meio corpo sem cabeça, nas suas pequenas montras de meia altura, tapados com uns papeis transparentes amarelos e verdes nas horas de maior luminosidade, estando no interior da loja uma senhora com um ar carrancudo que nunca nos cativou para dar-nos liberdade á nossa curiosidade e criatividade nos lanifícios de pura lã virgem.

Depois de passado este cruzamento aparecia um talho do qual não me lembro o nome, que nos gastava alguns momentos a olhar de caras coladas á montra de narizes apertados de encontro ao vidro para as peças de carne penduradas, prontas a serem vendidas Os empregados de bata branca com alguns vestígios de sangue, andavam de um lado para o outro a afiar vigorosamente as suas facas de lâmina enorme, no fuso.

Era com essas enormes facas que para nós na altura pareciam espadas que talhavam os bifes e as bifanas, de pedaços que retiravam das pernas enormes de vaca e das peças inteiras do porco para as senhoras de penteados de caracóis e pregadeiras cheias de pedras reluzentes, com saias e casacos do mesmo tecido, que levavam sempre uma sesta rectangular de sisal ou algo do género que tinha uns riscos na horizontal verdes e encarnados e uma pega desse material entrelaçado.

Quando a acção deixava de ser interessante, passávamos para a próxima paragem que era sempre muito curta, pois o nosso forte nunca foi os sapatos, a sapataria Macadi, com a sua mistura de sapatos e botas nas montras e na exposição de exterior eram meras bolas brilhantes na arvore de natal para nós.
O que nos fazia deslizar um pouco mais na rua fazendo-nos passar entretanto pelo depósitos de pesticidas da Sapec, que tinha um portão enorme onde hoje é uma rua, além disso tinha também, uma montra enorme talvez a maior das Caldas durante décadas, apesar de escondida, sitio esse que nos dava abrigo aquando de algumas chuvadas mais fortes, mas que o cheiro de pesticidas nos fazia sair dali rapidamente, pois aquele cheiro provocava uma terrível má vizinhança.

Com alguma pena a minha casa estava a aproximar-se e como desde novinho aprendi, que á volta do burgo, não se queima as cortinas a contenção e o portar bem, tinha de estar no ponto todos os dias nesta aproximação a casa, não fosse alguma vizinha ou amiga da minha mãe estar plantada na janela a ver as modas a passar na rua.

Tendo ainda de passar pela Alliance Francaise e atravessar a rua do quartel dos bombeiros (era assim que a chamávamos), que possibilitava aos carros voltarem para a rua Heróis da Grande Guerra ou continuar para a Almirante Reis (rua das Montras, hoje estas ruas não tem transito), bem como pelo Gil com os seus vidros e espelhos.

Mas por último vinha o supermercado Nutripol que para a altura era quase uma inovação com o carrancudo do Sr. Ribeiro sempre a olhar para nós quando nos vi-a a comprar uns chocolates e uns Sugus ou Smarties em dias de algumas prendas monetárias.

Retirava a chave de casa da mala que sempre usava nas costas, metendo-a na fechadura rodando-a com frenesim, para uma subida de escadas tipo míssil, em direcção ao sofá para assistir ao final da emissão da RTP 1 que nessa altura acabava às duas da tarde.

Era assim um simples regressar a casa depois do fim das aulas na Escola Primária às 13h00, percorrendo pouco mais de 400 metros …


(post do António José Albano)


Cat Stevens - Remember The Days Of The Old Schoolyard

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A MINHA PRIMEIRA ESCOLA FOI NA PRAÇA DO PEIXE .........



Desde que li o manifesto do Paulo fiquei, de tal modo agradado que conseguiram fazer-me deslizar para tempos, onde decididamente tínhamos o privilégio de brincar e traquinar na rua, onde hoje o meu filho não o pode fazer nem o quer fazer, em que um simples autocolante dos Rollings Stones era sucesso garantido entre o grupo que cresceu comigo (na rua do jardim).

Também eu cresci na rua do jardim, onde havia um Tó-zé grande (eu), o Tó-zé Pequeno, o Rui da Sapataria América e o irmão Carlos, o Berto, o Paulo do Antero e o Badaró. Todos nós jogamos á bola tendo como balizas as sarjetas, da rua Leão Azedo e o Portão do Serrano no beco do Borralho (Antero), não me esqueço do olhar triste do Ricardo Pimenta por não poder fazer o mesmo, pois os avós não o deixavam jogar na rua, ficando na janela a ver-nos.

Passamos tardes e tardes a ler o Nody, a jogar Monopoly e Bolsa, enfim fomos crescendo e fomos nos separando, cada um para a sua escola a mim coube-me em sorte a escola da praça do peixe, onde tive o Prof. Norte como primeiro professor, Prof. Martinho e a Prof. Josélia sem dúvida daquelas personagens que não me irei esquecer, tal como o meu colega de turma com 15 anos que continuava na 1ªClasse, em grande guerra na captura das letras que para os outros era facílimo, mas que para ele era uma tortura.

Recordo-me com um sorriso da chegada do intervalo onde saltávamos pelas escadas em direcção á praça do peixe, apesar dos gritos da Continua Hermínia, que nos mandava descer devagar, tentativa diária vã, tal a velocidade de descida de todos nós. Com duas únicas ideias, comprar uma bola de plástico na loja onde hoje é uma agencia de viagens por 1$50 (em que todos entravamos com os nossos tostões de momento) ou tentar convencer um vendedor de enguias da lagoa (Às segundas feiras era o mote mais pedido entre os meus colegas) a oferecer-nos uma, para a fazermos deslizar pelas aguas que deslizavam da plataforma da praça para as pequenas valas de canalização de aguas excedentes da lavagem dos peixes em direcção às sarjetas adjacentes.

Acreditem, não havia campainha e nem todos tínhamos relógio….mas de bata branca vestida, lá estávamos 45 minutos depois, sentados nas famosas carteiras de barras verticais de ferro fundido com o buraco para o tinteiro a desafiar-nos para introduzirmos os lápis e canetas que rapidamente o Professor nos punha, em “su sitio”.

Alguns meses mais tarde e por razões profissionais da minha mãe, tive de ir para o colégio de Porto de Mós, Colégio incrível para aquela altura. A sala de desenho no último andar abria o tecto para que a luz natural fosse a eleita para que todos trabalhassem nos seus desenhos, foi sem duvida uma das coisas que me deixou de boca aberta nas primeiras aulas de desenho que tinha com o Libelinha e o João Manuel ao meu lado, foi ai que me cruzei com o professor Perpétua, na altura director do colégio (penso que mais tarde viria a ser professor no Liceu e de muitos de vocês) bem como a sua mulher Sr.ª Esmeralda, conheci também Tó Freitas, o irmão Pedro Freitas bem como o Lucinio médico nas Caldas e o Arnaldo Santos.

Após o terminus da minha passagem por Porto de Mós, vim então de novo para as Caldas e é aí que conheço alguns de vocês, na Turma do Ciclo Preparatório no 1º A, lembro-me ainda de algumas pessoas. Foram tempos em que tínhamos de ficar formados á frente da porta da sala, miúdos de um lado e miúdas do outro, antes de o professor chegar, vou tentar recordar-me: (Peço desculpa por não me lembrar de todos) Ana Monroy, Teresa Lamy e Marina (2º ano), Nini Velhinho, Cristina, Margarida Arroz, Luísa Branco, Leonor, Luísa Caiado, Cristina Maduro, Helena, Mário Fialho, Paulo Caiado, Paulo Lemos, António Albano, Cristina Aleixo, Jorge Bandeira, João Ascenso, Bebé Gomes, Luís Sancho, Tó Zé, Quim Franco, João Paulo Feliciano, Buiça…

Há algumas coisas que me lembro desses tempos no pós escola, as inúmeras tardes que passávamos a desenhar aviões e guerras em folhas de papel A4 na casa do Paulo Lemos, em que o nosso imaginário fluía para guerras e combates intermináveis, das tardes a jogar futebol no jardim do Jorge Bandeira que nos deixava de rastos.

Não tendo a certeza no tempo, mas penso que foi na altura no 2º Ano Ciclo que o Té Mil Homens na altura Professor de educação física, nos encaminhou para o inicio do núcleo de rugby da escola tendo decidido que o sítio do futuro campo seria onde viria a ser a Escola do Ciclo Preparatório agora Escola do segundo ciclo, e ai começamos a arrancar as plantas e ervas alta que naquele terreno existiam, tendo conseguido “desmatar” o terreno e iniciar os treinos e os jogos do então núcleo de rugby da escola que nos iria permitir ir a Coimbra defrontar outras escolas, onde o barulho dos pitons das outras equipas me surpreendeu a mim e aos outros da equipa pois nenhum de nós possuía na altura tal tipo de equipamento desportivo, aquando da saída dos balneários, claro está que levamos uma coça magistral, tal era a nossa inexperiência•.

Outro dos assuntos de escárnio e gozação nos intervalos tinha como alvo uma contínua pequenina que trabalhava nos balneários femininos de qual não me recordo o seu nome verdadeiro, tal a força da alcunha com que a brindamos. A sua alcunha era TéTé, como se não fosse suficiente usávamos uma pseudo - conjugação do verbo,” …il y a TéTé, il y a Ovo, il y a Galinhas,…” o que a deixava furibunda da vida. Essa irrequietude valeu-nos algumas corridas mais longas á frente dela de maneira que não apanhássemos com a vassoura que certeiramente tentava sempre lançar, mas sempre foi guerreira e nunca nos levou ao Director da Escola…..

Passei pelo 16 de Março sem ter a noção do que se estava a passar a não ser que algo se estava a decorrer fora do normal, que motivou a saída dos militares e o cerco da altura do RI5. Para mim foi um agora chamado ATL magnífico, pois passeei-me por entre as trincheiras exteriores que hoje algumas ainda existem escondidas, tapadas pelos tojos no pinhal circundante á agora Escola de Sargentos do Exercito, tendo mantido amena cavaqueira com os militares que ali estavam há mais de 24h e que acharam piada á minha insistência de estar por ali tanto tempo tendo – me deixado mexer nas armas de que disponham na altura, o que para mim foi algo inimaginável para um miúdo de 12 anos.

Umas semanas mais tarde, viria a acontecer o 25 de Abril, tendo-me ficado gravado muito bem de como, local e momento em que tive contacto com a noticia. Tínhamos aulas às 8h30 e estava a subir a escadas para a sala 5A, quando me cruzo com a Teresa Lamy que entretanto vinha a descer as escadas e me disse ….” Não há aulas ouve umas confusões em Lisboa com os Militares e hoje não há aulas ”……bem….foi um dia bestial de divertimento e jogos tendo ido para casa ao almoço sem nada entender do que se estava a passar…Mas que foi um dia de longa brincadeira essa lembro-me e muitíssimo bem.

Outras das recordações do ciclo são os jogos, do fogo, e de uma roda enorme que corríamos por fora da roda com um lenço, deixando cair normalmente atrás de quem gostávamos, era de certo nesses jogos que naturalmente estávamos a descobrir toda a magnitude da pré puberdade, lembro-me curiosamente de algumas meninas bonitas e que hoje continuam, umas mais doces, outras mais endiabradas, não me vou adiantar neste assunto, mas que houve …love in the air… foi uma verdade J.Eu pelo menos sempre me senti muito mais atraído por Arroz do que por Massa …é um facto.

Alguns dos professores ficaram gravados, uns pelo lado positivo outros pelo lado negativo. Quem não se lembra dos gritos do Professor Saraiva a português? Da Professora de Ciências Manuela, que nos demonstrava aquelas experiencias básicas de coloração de líquidos com anilinas naquele anfiteatro.

Quem não se lembra das aulas de canto coral e do ritmo seguido com o bater dos pés no soalho da sala bem como do chiar do pedal do órgão que a professora teimosamente empurrava para baixo, do professor de matemática do qual não me lembro o nome mas que nos levava pelo reino dos números de um modo sereno e sem barulho com a sua fina figura de magrizela.

Do Professor Vendas que nos deu educação física, da Mãe da Teresa Lamy, Professora Aurília que nos levou até ao reino “Bonjour Paris”. Enfimmmmm, tempos que tivemos a sorte de brincar na rua, de sair da escola e vir para casa sozinhos, a correr para não perder a serie dos Pequenos Vagabundos ……

(post do António José Albano)


Supertramp - School