quinta-feira, 8 de julho de 2010

UM VINHO DO PORTO COM MAIS DE TRINTA ANOS




Estávamos em 1978 na primeira Feira da Fruta realizada no parque das Caldas (Parque D. Carlos I para os que não sabem!).

Foi uma grande experiência em termos profissionais e uma verdadeira festa em termos pessoais. Adorei todos os momentos daqueles 10 dias de Feira, os stands alinhados nas alamedas e veredas nobres do parque, da Casa da Cultura (antigo casino) ao Ténis, no Parque das Bicicletas e por trás do museu e daqui até ao roseiral, da esplanada ao longo do lago circundando-o até à Casa da Cultura.

Três palcos de variedades (dois junto ao roseiral e um terceiro na ilha do lago), Rao Kyao ao vivo a tocar o álbum Bambu…

Manhãs, tardes e noites de festa, com muita gente vindo de todos os cantos do país, aproveitando a praia, a Feira do 15 de Agosto, o Torneio de Ténis com o nome do meu avô Francisco e a saison das Touradas de Caldas e Nazaré.

Meio Liceu e meia Bordalo Pinheiro estavam presentes, trabalhando nos stands ou nos serviços de apoio, quase ninguém faltou e os que não arranjaram um emprego passavam por lá o dia confraternizando e provando os petiscos e amostras de cada stand.

Mas foi também um momento de novas amizades, algumas que perduraram até hoje.

Para muitos foi apenas o inicio de um reencontro anual que fazíamos com muitos que só nos visitavam por essa altura. Lembro-me do grupo da Covilhã da Cooperativa de Orjais (Alô Número Uno!) o grupo sensacional do Porto e Coimbra que apareciam com demonstrações das avós da Bimby, os electrodomésticos multi-usos Steca – ‘’o robot da cozinha’’ (Duarte, Zé Manel Moura Guedes, Chico Pavão) e que de tão divertidos juntavam autênticas multidões diante do seu stand enquanto decorriam as demonstrações de confecção de sopas, batidos e sobremesas!

Lembro-me também do Duarte do Pavilhão da Madeira que tinha um sotaque tão cerrado que mal se fazia entender. Um dia estávamos todos a contar anedotas e no meio da conversa o Duarte – que era bem mais velho do que nós – disse que não se podia estar a rir porque alguém que lhe era familiar acabara de morrer e começou a contar os pormenores do seu falecimento. A Paulinha Nascimento não estava a entender nada e pensou que ele estava a contar uma nova anedota, como no fim ninguém se rira ela sentiu-se na obrigação de ser solidária e deu umas gargalhadas forçadas perante o nosso espanto e gozo e o ar consternado do Duarte.

O stand onde trabalhava ficava mesmo diante da esplanada e um pouco mais abaixo, ao lado da esplanada ficava o stand do Instituto da Vinha e do Vinho. Era um dos stands mais concorridos pois faziam degustações de vinhos de mesa e de Vinho do Porto. Era uma autêntica azáfama para quem nele trabalhava, a Nela, a Guida ‘’Grande’’ e a Guida ‘’Pequena’’ (era assim que eu as nomeava para as distinguir).

As três primas eram giríssimas e amorosas e acabávamos as noites sempre no seu stand a fazer degustações de vinho do Porto e a receber miniaturas de garrafas de várias marcas do dito cujo.

Essa colecção que eu formei, guardei-a durou até há um ano data em que o meu sobrinho Manel me convenceu a doá-la (dizia ele que iniciara uma colecção!Pois!). Foi emborcada em duas noites pelo Manel e seus amigos!

Salvou-se uma pequena garrafa que ficara esquecida!

Nos olhos da Margarida Grande à la Elizabete Taylor podia-se ver o céu! Mas era a Margarida Pequena quem me atraía.

No último dia da Feira iniciou-se uma tradição que se estendeu até ao fim das feiras no parque. Após o encerramento da Feira, os expositores distribuíam tudo o que tinham nos stands pelos seus colegas dos outros stands e cada um fazia um cabaz de víveres que levava para casa. Antes disso, juntávamo-nos todos na ilha do lago e fazíamos uma grande festa de confraternização com música ao vivo e uma churrascada.

Nessa noite as primas brindaram-me com uma garrafa de Vinho do Porto e eu fui para a ilha com a Margarida Gaspar e os seus primos, o Fernando, o Pedro e o Armando Vila Verde e a garrafa por baixo do braço.

O pior foi que, na maluqueira dos nossos 15 anos, para me armar à frente da Margarida decidi abrir a garrafa e ir bebendo. Despejei a garrafa toda naquela noite!

Podem imaginar a bebedeira e o tamanho da ressaca. Acreditam que essa ressaca dura até hoje e não que consegui mais beber vinho do Porto?

Bem mas a minha amizade com aquelas meninas e os seus primos dura até aos dias de hoje, nem parece que foi há já trinta e dois anos!

Nem parece que foi há trinta anos que a mãe e a tia da Margarida nos punham aos dois a lavar os pratos sempre que eu ia jantar à sua casa de férias em S.Martinho. Era galhofa certa toda a noite e a louça demorava três horas a ser lavada!

Nem parece que foi há trinta anos que pus a Margarida sentada à amazona no quadro da minha bicicleta para irmos a casa do Tó e da Gúgú e nos espetámos contra a senhora que vendia bolacha americana na praia de S. Martinho e lhe partimos as bolachas todas!

Nem parece que foi há quase trinta anos que nos juntávamos, eu a Margarida, o Nuno Cardoso Lemos e o Diogo Alpoim, a Sofia Pinto Coelho, a Xú-Xú e a Paula Antunes, todos na Toyota Hiace da Sofia Fonseca para irmos ao Deck e ao 2001 ou ao Seagull!

Parece impossível pensar que foi ainda ontem que a Margarida vivia em casa dos seus pais na Rua de S. João Nepumeceno e que eu ainda hoje me lembre do seu número de telefone!

Uma amizade tão longa e e calorosa quanto um bom Vinho do Porto.

Hoje a Margarida faz anos (finalmente Margarida lembrei-me disso em tempo útil!) e como excepção, vou abrir a pequena garrafa de Vinho do Porto que me restou e bebê-la, fazendo um brinde à nossa antiga, genuína, doce, calorosa e especial amizade de trinta e tal anos.

Como um bom Vinho do Porto!

À nossa amizade Margarida. Feliz Aniversário!

1 comentário:

cláudia disse...

Parabéns chefinho :)
Estás autónomo, e rapidamente aprendeste a blogar lol
É oficial... estou no desemprego blogueiro LOL