quarta-feira, 12 de maio de 2010

SARDINHADAS COM AZEITE



Os Crespos costumavam organizar umas sardinhadas valentes no casal que tinham na Lagoa Parceira.

Estas sardinhadas duravam um fim de semana e como só havia um quarto dormíamos todos espalhados pelo chão da sala com um tronco de madeira a fazer de almofada.

Éramos mesmo muitos e de manhã íamos à Praça do Peixe às sardinhas e à praça comprar o tomate e os pimentos. A alface e as batatas vinham do casal.

Partíamos quase todos de bicicleta, salvo alguns que já tinham umas pequenas motas.

Ao fim da tarde o Miguel pegava num velho Goldoni e íamos todos no atrelado do tractor ao café da aldeia e os mais afoitos tomavam á noite e sempre a pé o caminho das Caldas para ir ao Camaroeiro ou mesmo ao Ferro Velho.

Faziam-se autênticos campeonatos de comezaima e alguns alarves chegavam a comer quatro dúzias de sardinhas - e não comiam mais porque não os deixavam!

Lembro-me de um que se gabou de ter comida seis dúzias e de alguém ter dito:

- E hoje quando fui à praça disse-me um pescador que tinha pescado um candeeiro aceso!

- Eia que exagero! – replicou o alarve.

- Tá bem – respondeu o outro – Tu tiras três dúzias à tua contagem e o homem faz o favor de apagar o candeeiro!

Eram tempos de completa aventura num misto de Pequenos Vagabundos e Verão Azul. Fazíamos passeios pelos pinhais e provas de ciclocross.

Uma tarde eu e o João Gancho decidimo-nos pendurar numa nespereira e comer todas as nêsperas que ficaram ao nosso alcance. Ficámos dois dias agarrados às calças!

Como disse a sardinhada durava todo o fim de semana e na tarde de Domingo alguns pais costumavam aparecer e era aí que se dava a desgraça.

As sardinhadas eram muito bem regadas de água-pé e de tinto dos pipos da quinta e invariavelmente havia quem apanhasse grandes pielas.

Ao aproximar da hora em que os pais poderiam aparecer aumentava a aflição dos que ainda tinham um pingo de consciência perante a completa bebedeira de alguns.

Era nesta altura que o Pedro Cardoso intervinha com a sua solução mágica. A Fatocas agarrava-os firmemente e o Pedro toca de lhes enfiar um copo de azeite pelas goelas abaixo!

Era remédio santo, ao fim de uma hora estavam sãos como um pêro.

A Zairinha e a Magalhulha que o digam!




Ao Pedro


Ville Valo & Natalia Avelon Summer Wine

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